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O Título por Vós Escolhido

Olá!
Eu sou um  poema sem abrigo.
Filho da imaginação e do meu pai.
Nasci a seis de janeiro,
de um ano que já lá lá vai.

Por meu pai ser maluco ou bipolar,
cedo a minha mãe a mim e aos meus irmão nos deixou.
Dizia já não aguentar do meu pai,
o seu já venho e seu já vou.

Morávamos todos numa gaveta
de uma escrivaninha  qualquer,
quando me apaixonei e saí de casa,
para ir viver com uma mulher.

Seu nome era Ana Rua
e tinha o céu azul e cor de calçada,
tem estado a sua vida toda,
por mim apaixonada.

Como eu nunca tive um nome
e o seu nome completo era Ana Rua do Batista,
tratava-me carinhosamente
por meu amor,  meu poema anarquista.

Pedíamos esmola ás portas dos interiores
dos edifícios desta cidade,
não sentíamos vergonha nenhuma, de viver de caridade.

Não pertencíamos a coisa alguma e
tínhamos os dois os mesmos ideais:
Aos transeuntes que por nós passavam,
nunca haveremos de nos tornar  iguais.

A sua  vida aos nossos olhos, vazia nos parecia.
Perguntávamos um ao outro:
Como é que alguém assim vivia?

Mas um dia tudo mudou
pelo progresso o futuro e o turismo.
A  Ana Rua do Batista se tornou,
num glamoroso lugar-abismo.

Alcoólico então eu me tornei,
com o coração despedaçado.
Nesta nova rua cujo o nome nem sequer sei,
sou cuspido e ignorado....

Soube que algum dos meus irmãos,
moram hoje sob o tecto de um livro-albergue.
Oiço-os ao longe queixarem-se
que à porta da sua casa, seu irmão só bebe bebe e bebe...

Há tanta gente enclausurada no seu próprio corpo...
Eu...no meu, há muito tempo que já lá não moro.

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sábado, janeiro 6, 2018 - 10:32

Poesia :

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Outro

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