Reticente Enigma em Ambígua Reticência

 

Dois instáveis pontos

E um ponto terceiro

 

Reticente enigma       em ambígua reticência

Suposta metáfora       em metafórica palavra

Estigma marcado       em a.d.u.l.t.e.r.a.d.a. pele

 

Assim     inclemente     é soletrado     o verbo

Assim     insolente        é dissolvido    o sonho

Assim     se ergue           demente       o mundo

 

 

Enquanto           por dentro

                             Arde

                             Esventrante o fogo

 

Enquanto           por dentro

                            Corrói

                            Cáustico o ácido

 

 

São acesos cânticos      Irrompendo em rumor

São vulcânicas vozes     Expelindo em trova

                                                                                           A lava

                                                                                           O rancor

 

Assim  convulso         Estremece o corpo

E    em convulsão      Se lamina o verso 

 

 

Como perfurante lâmina         sobre pérfida palavra

Como mágoa amolada           num retorcido fuso

 

Como parte partida                 de enegrecida parte

Como frágil verdade               do sonho sem textura

 

 

São vielas estreitas

Atalhos enlouquecidos

Indignos lugares

 

Grilhetas de gelo

A insanidade trespassa

 

 

Esparso               o laço que constrange

Deslaçado           o nó que restringe

Longo                   é o ponto que rasga

 

«Da reticência descende tua dor»

 

 

________________________________________________________

 

                                                        (Declamação)

 

 

.

 

Submited by Giraldoff

domingo, fevereiro 5, 2012 - 17:31

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Comentários

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Reticente Enigma em Ambígua Reticência

Olá amigo Gi,

Neste teu magnífico poema

As palavras têm corpo
Assumem formas, todas elas marcantes
Ou com a intenção de deixarem marcas

Elas cortam e sangram
Queimam e ardem
Corroem e dissolvem-se
Elas ferem e são feridas

Na demanda, questionam razões
E procuram-se
Na indefinição, constroem respostas
E encontram-se.
 

 

Excelente

Abraço

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P/Nunomarques

Sangram as palavras no sangue do poeta

 

São sempre generosas as tuas

 

Abraço

imagem de Nanda

Gi

Um duplo prazer, ler-te e ouvir-te declamar ...

Beijo

Nanda

imagem de Giraldoff

p/Nanda

Agradeço tua constante presença e palavras

 

Bjo.

imagem de Jorge Humberto

Parabéns!

A expressividade do verbo, cru, concreto, realista

num poema muito bem conduzido de principio ao fim.

Gostei da declamação.
 

Parabéns!

Abraços e espero tua generosa visita a minha página e meus humildes versos
 

Jorge Humberto

imagem de Giraldoff

p/JorgeHumberto

Agradeço tua presença, palavras

e tua referência à declamação :)

(obrigado por teres ouvido)

 

Abraço

imagem de Daniele Dallavecchia

Há vezes que um ponto

Há vezes que um ponto terceito equilibra dois pontos intáveis, posto traz o medo e cada qual reconhece seu valor,

há momentos que um ponto terceiro substitui a parte frágil do ponto já apagado, tornando-se então dois pontos estáveis e,

há vezes que um ponto terceiro confirma a mágoa de dois pontos que há muito nada mais são que dois pontos apenas, formando com o terceiro

a reticência do o que será, que será...

 

Adorei, parabéns, amigo poeta!

beijinhos

imagem de Giraldoff

p/Daniele Dallavecchia

Todo o ponto marca um rumo

assim como todo o rumo é um enigma reticente

 

Bom te reencontrar em minha escrita

Numa profunda e interessante reflexão

 

Bjo.

imagem de MariaButterfly

Um mistério incerto Uma

Um mistério incerto
Uma palavra suposta que duvida
Uma marca em doída alma

Assim cruelmente se desfaz o verbo no sonho.
Que o sonho traz ao mundo
Por dentro o verbo
Que arde e destrói
A trova que queima…
Palavras acesas ditas
A explosão
                  A ira
Assim tudo me doí
Em lagrimas, tudo cai…
Como pisado sonho.

Agora são labirintos
Os que percorro na busca
Passou da insanidade

Desordenados afectos envergonhados
Limitados são os laços
Porquê ?

Da reticencia nasceu a continuação e dela,
A espera, que pergunta,

Uma poesia de dor, com variados sentimentos descritos
A dúvida, confusão.
Que parece ser continuada pelas reticências…

Adoro sempre a tua poesia, as palavras encaixam-se.
E a declamação sem dúvida, foi uma das que mais gostei!
Da pra sentir a mudança dos sentimentos na tua voz.

Beijo

!

imagem de Giraldoff

p/MariaButterfly

O verso guarda a dor que no verso se guarda.

Como incerto mistério, como marcado designio.

 

São sempre belas tuas palavras.

 

Agradeço também a referência à declamação,

que sempre ensaio, mesmo que nem sempre a publique.

 

Bjo.

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