Renascer

"Longa e fatigante é a senda ante ti, ó discípulo."
BLAVATSKY, Helena "A Voz do Silêncio", 1998, edição 494, tradução de Fernando Pessoa, Assírio & Alvim

No hiemal liame a Nix e Érebo, injucundo,
Estertora num búzio um mesto alburno
Num tal dédalo impérvio e taciturno,
Que plange Undina (1) em terra, contrafundo.

Mas "Deixa a dor nas aras"(2), sitibundo,
Pélago de Chopin num seu nocturno,
Prorrompe-lhe uma Lilith, lio diuturno,
Transubstancia as Euménides segundo

O que inflecte o aquilão, minui o frendor,
Na "Elevação" (3), a catexe que se acera,
Fulge às fadas de Cumbria ou ao elo vector

Do Ápeiron (4) ou da "Amazing Grace" (5), vera
Crisálida num féretro a transpor:
Consagra em si a surgente primavera.

(1) SOLLOGUB, Vladimir "Undina", 1869, tradução de Vasili Jukovski da obra "Ondine" de Friedrich de la Motte Fouqué, ópera de Tchaikovski em três actos

(2) PESSOA, Fernando "Odes de Ricardo Reis", 1946. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraDownload.do?select_action=&co_obra=16549&co_midia=2>. Acesso em: 28 abr. 2021.

(3) BAUDELAIRE, Charles "As Flores do Mal", 1857. Disponível em: < http://www.agr-tc.pt/bibliotecadigital/aetc/download/466/As%20Flores%20d... Acesso em: 28 abr. 2021.

BAUDELAIRE, Charles "Les fleurs du mal", 1857. Disponível em: <http://elg0001.free.fr/pub/pdf/baudelaire_les_fleurs_du_mal.pdf.> Acesso em: 28 abr. 2021.

(4) Anaximandro, séc. VI a.C.

(5) NEWTON, John "Amazing Grace", 1772

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Sábado, Junio 5, 2021 - 17:14

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