Eu tentei viver a vida com sonhos

Eu nunca soube lidar com essa solidão
Nem mesmo nos momentos
De eterna alegria de dias inteiros
Era como se faltasse alguma coisa
Que deveria completar toda essa existência
E as perguntas borbulhavam em minha mente
Como se fora sopas de letrinhas
E me pergunto:
O que faço aqui neste tempo tão sombrio da humanidade?

Eu deveria olhar para as flores do caminho
Ou os pássaros que cantam
E depois voam com o meu barulho
Eles sempre seguem o destino do vento
Ou se escondem nos seus ninhos
Para não serem pegos nos laços
E arapucas armadas secretamente
Alguns até mesmo pousam nos espantalhos
E observam os insetos devorando as lavouras.

Eu poderia esquecer as tristes lembranças
Do tempo perdido em rodas de brincadeiras
Que não faziam sentidos para mim
E questiono a forma que era influenciado
Pelas palavras empolgantes dos colegas
Ou pela vontade e esperança de estar perto dela
Da musa que inspirava minhas canções
Em tempo que não existem mais.

Eu só não me lembro agora dos sorrisos
Das gargalhadas que o tempo levou para longe
Porque não foram assim tão importantes
Mas, lembro-me das lágrimas que escorreram
No secreto de um quarto solitário
Quando não sentia o calor do abraço da minha mãe.

Eu tentei viver a vida com sonhos
E utopias que nunca se realizaram
Porque desejava conquistar o mundo
E ninguém se importava com isso
E ao descobrir que estava sozinho
Deixei de acreditar que alguma coisa pudesse fazer sentido
Se tudo não passava de uma eterna frustração.

Eu sonhei com um mundo tão perfeito
Que me esqueci das injustiças humanas
Arraigadas em corações insensíveis
Que menosprezam as dores alheias e destroem as alegrias
Que invejam as conquistas dos outros
E não valorizam as vitórias de quem tanto lutou.

Eu só não me deixei ser abatido
Por todas as mazelas do mundo que me cercavam
Porque tive em mim um coração otimista
E consegui ver uma fagulha de esperança
Da bondade divina no coração humano
E essa chama alimentou meus sonhos
De viver uma vida diferente em meio a essa sociedade.

Eu prezo agora pela paz que conquistei
Ao deixar a vida seguir o seu curso
Sem cobranças, sem constrangimentos
Deixando que cada um siga o seu caminho e suas escolhas
E enfrentem o seu próprio juízo.

Eu sou feliz com o que conquistei
Com a liberdade das palavras que voam os espaços
Que vão onde eu jamais poderia ir
Que alegram os corações que eu não conheço
Mas que conforto ou desperto quando falo
O que faz sentido para mim.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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Domingo, Septiembre 12, 2021 - 19:07

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