Consciência

Tudo que foi falado não importa muita coisa. Ah! Deixa-me pensar um pouco. Não me fale o que não pode resistir depois. Eu sou apenas um peregrino em caminhos nunca dantes percorridos e não posso deixar de observar os olhares que desejam o meu fim. 
 
    Mas não importam o que pensam. Ah! Não importa mesmo. Eu continuarei firme e forte em minha jornada. Sei bem o que quero e onde quero estar. Nada pode impedir a minha imaginação de seguir os meus pensamentos. 
 
    Ontem eu vi um estranho no caminho e não sabia quem era. Meus pensamentos quase me enganaram. Era eu mesmo tentando livrar-me do meu corpo já cansado. 
 
    Minha consciência é um eterno paradoxo e não me faz acreditar em muitas coisas. O certo e o errado. Quem os criou? E para quem os criaram? 
 
    Existe uma estrada desconhecida em algum lugar perdido que leva ao paraíso escondido dos olhos humanos onde um dia Adão caminhou tranquilamente. Nem adianta rir das loucuras encontradas no jardim. As flores mentem para você. 
 
    Cada um vê exatamente o que quer ver. Quase não olham para o passado porque não gostam dele e preferem ficar pensando no futuro que nunca chegará. Apenas o presente é uma dádiva. O silêncio é uma paranóia em cabeças ocas que não pensam nem um pouco. 
 
    O fim de uma era não é mais importante do que a de uma pessoa. Eu continuo olhando para as folhas que caem das árvores e percebo o que se passa na mente dos indecisos. Há uma busca na consciência dos perdidos na jornada humana que incomoda muita gente. 
 
    Apenas deixe correr as nuvens pelo céu reluzente. O azul pode um dia não existir e apenas a ilusão de um colorido qualquer bastará para os olhos que desejam ver alguma coisa. Eu até mesmo já falei dos acontecimentos que não se podem negar, mas ignoraram as minhas queixas. Então eu deixei que tudo fosse destruído pelo tempo como as folhas mortas das árvores. 
 
    Aperta-me o peito essa dor da consciência maculada pelos pecados de outrora como se já não houvesse mais nenhuma salvação. Engana-se quem pensa tal sacrilégio. Penitentes estão por todas as partes e pode-se ouvir os seus gritos assustadores. 
 
    Não vou parar por aqui. Não agora. Não nesse tempo. Vou permitir que haja um novo dia, uma nova lembrança de alguém que desejou ir até o fim e o fez sem medo de ser taxado como louco. 

 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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Sábado, Octubre 5, 2024 - 00:26

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