Aspirina

Rasgar…partir
Torpe fogo que invade momentos de raiva e delírios de míngua, de pau de punho…punheta!
Que todos os cercos da rua e os risos burgueses fracturem a boca com vidros, com picas com pás e mãos sujas.
E uma detonação granada vermelha de raiva e sangue ecluda interditas portas fodidas de entrar por ter de pagar reservados direitos, elites a eito…morte, morte, morte no leito, marsupial, pena capital á tal que fere de pobreza bolsos cheios de servidão.
Rescrevam tudo, os poemas, as metáforas, odes, romances…
Inventem amores para os feios, para os pobres, novelas nobres de ser um novo nascer e depois crescer, crescer, crescer!
Rocem-se no texto a pretexto em protesto em festa com nexo de alvorar liberdade…
Expressão incontida, orgasmos perdidos, prolongados sentidos por lema tomar, com timbre, fonema…gemer, gemer, gemer, até te vires pela palavra em amor.
Compor a decomposição, tomar posição, tomar o poder…
Tomar um café, tomar uma fé, verdadeira fé e os templos todos a arder.
A mim que me partam os ossos e tapem os fossos das valas comuns.
Amanhem marido, não ferido, intenso, sexual e esclarecido…
À viúva que uiva metralhas e chora medalhas, desse soldado,desconhecido.
Urjam das bocas desérticas verdades proféticas sem profetas de facto.
Escrevam em quadriculado, calcular pautado, de fazer do mundo uma página em branco.
Têm o universo com pena na ponta da pena, da caneta, do lápis…
Escrevam para cima, para baixo, com som no papel, escrevam para os lados…
Das ruas analfabetas, com navalhas nas letras, sem voz nos explorados.
A rasgar…a partir
Que é feito dos patos bravos, do riso de deus, da graça espontânea…
Das sopeiras e dos “meus”, dos pintas de bairro, da horda instantânea…
Venha a canalha em grito em rito com fito de transformar…
O poema em pintura de guerra pintado de paz, espalhado no ar.
Torpe fogo que invade momentos de raiva e delírios de míngua, de pau de punho…punheta!
Se for cura total e não só local ou paliativo…
Cortem-me a cabeça, enfrasquem em formol num penico de acrílico.
Mas tirem-me a dor com…
Água Por favor…
E ácido...acetilsalicìlico.

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Lunes, Abril 5, 2010 - 23:17

Poesia :

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Lapis-Lazuli

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Comentarios

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Re: Aspirina

Um jogo de palavras fantástico num apreciado de sinceridade!!!

:-)

Imagen de vitor

Re: Aspirina

O que é que eu posso dizer...
Escaldante, fantástico! Apaixonante, Bombástico!
Caramba!
Ainda estou com pele de galinha...

Abraço.

Vitor.

Imagen de Patrícia Taz

Re: Aspirina

Crescido.
Folgorante.
Potente.
Fodido!

Gostei imenso.

PaTaz

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