Morre Poema

Fui reminiscência,
P' los pensantes pulmões, soprado!
De mim qual ausência?
Grão d' areia ao sol, amarrado!
Uivos e silvos, berros e gritos,
De poetas Agastado,
Sopros e lamentos, ah… Gigantes!
Quais falantes olhares, queimantes!

Cala… Cala… Cala…

(Cala-se o poeta, descai os braços, caídos e alinhados ao seu dorso. Expressiva eloquente, projectado p’ los seus olhos, um assolo de raiva e tristeza! Em silêncio… e corpo imóvel, inanimado. Sem qualquer força deixa cair os manuscritos ao seu lado… apanhando-os após um breve silêncio.)

Rascunhos fecundados,
Vazios lamentados!
Um lembrar de nada…
E…! Palavra amamentada,
Em punhos de poeta!
Uma voz que fala… E GRITA!
A arte matada!

O tempo passado...
Matado!

(O poeta desanima, inquieto e amedrontado, lança sobre nada um vago olhar, ao vazio. Num gesto de desistência, vencido, lança as folhas sobre os ombros, para trás das costas e baixa a cabeça, transpondo-nos dentro da própria tristeza. De olhar cabisbaixo, coloca as mãos atrás das costas, as mãos dadas. Rodopia! Em pequenos círculos, de inicio languidamente e acelerando à medida que recomeça a declamar. Inicia a declamação em sussurro, aumentando gradualmente o timbre para um sentimento mais possante.)

Já fui flor da criança,
E na mão dela um sorriso em pétalas,
Um beijo dado, p’ la boca da criança,
E à mãe, ofertado um par de lágrimas,
Um amo-te em gesto de dança,
Um olá na boca beijado,
Um aperto em abraços…
Lá perdido… lá deixado.

Quietude…

(Um momento imobilizado, uma quietude estagnada, um pensar petrificado.)

Sou agora, poema em pedra,
Sopro enrolado em árida terra,
Vago de memórias, de quem erra,
Gestos antecipados, de quem era,
Alem, no caminho que espera,
Alguém que passa e tropeça,
Alguém que fale, que me lembre,
A voz de quem lê, o olhar de quem sente,
E mente…

(Abre os braços, com o corpo imóvel, erecto, voltando para cima as palmas das mãos, olhando ao cimo, o poeta liberta um sorriso gargalhado.
Rodopiando aleatoriamente e sem qualquer coerência, o poeta geme.)

Liberto espaço,
Lugar a um novo poema…

(O poeta quedado, ajoelhado…)

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Sábado, Febrero 5, 2011 - 15:32

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PMPM olha vejo teu poema como

PMPM olha vejo teu poema como um monologo 

a ser ensaiado e desenhado nos braços de um ator ....

Sem dúvida um eloquente monologo !!!!!

beijos

Susan

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