Um rosto no escuro
Este rosto move-se no escuro
com o semblante pesado,
vagamente aliviado,
de quem tomou uma decisão que não queria,
mas tinha de tomar,
este rosto caminha numa rua apagada,
aqui não se vêem luzes a iluminar passos esquecidos,
luz só a das estrelas,
mas estas iluminam apenas quem caminha no céu,
junto a elas,
e poucos são os homens
ou as mulheres que querem subir tão alto,
não que não possam,
todos vieram delas,
todos podem a elas voltar.
Não é não poder, é não querer.
Esta mulher não é excepção,
tem o brilho das estrelas no olhar,
mas não é por estar perto delas
ou entre elas deambular,
tem-no apenas porque de quando em vez,
nos dias em que o chão a faz chorar de raiva,
ergue os olhos para o alto
e pensa como seria poder lá andar.
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