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Ações e reações de verbos

Eu quero um piano e, uma lareira pra queimar as teclas que não consigo tocar
Quero a faca, o queijo e, principalmente, a fome
Quero ver Jesus e Nostradamus de mãos dadas no céu – ou no inferno
Quero sentir a terra entre os dedos de meus pés e, não me sujar

Eu preciso acreditar em juízo, mesmo que continue sendo irracional
Preciso de ar puro e, alguns milhares de maços de cigarros
Preciso de dinheiro e, mais felicidade
Preciso, realmente, precisar de pouco pra me sentir bem

Eu consigo objetos e, mais coisas
Consigo sonhos e, algumas realizações
Consigo destruir, mas prefiro criar
Consigo ser humano, não em demasiado

Eu desejo, em primeiro lugar, sentir desejo
Desejo paz, mas o que seria paz sem a guerra?
Desejo traição, pra entender o quanto estou sereno
Desejo munição – caso haja uma eventualidade psicótica em mim

Eu sinto que o tempo só me fez andar a esmo
Sinto vontade de não fazer nada
Sinto mentiras que gosto de ouvir
Sinto orgulho por agradar com meia verdade

Eu minto pra ansiedade - às vezes ela me deixa em paz
Minto pra mim mesmo, fazendo uma caricatura
Minto pro prejuízo, pagando, assim, as contas que devo
Minto sem omitir o que o outro precisa saber

Eu vivo a um empurrão da fama e, da infâmia
Vivo à custa de pessoas como eu – nada divino
Vivo repetindo meus anseios, equilibrando-me numa balança de vogais
Vivo morrendo - como qualquer um

Eu ando pensando em retalhar o rosto e encontrar a face
Ando por ai, sem sair daqui
Ando exausto com o esforço da preguiça frenética
Ando perseguido pelas minhas opiniões contrárias ao senso comum

Eu sigo em frente, na escuridão casual
Sigo signos, astros, jargões e humanistas
Sigo o que eu consigo
Sigo o futuro fértil, ou não

Eu giro minha percepção e, fico tonto
Giro um peão ao lembrar a infância
Giro botões de amplificadores, computadores, e, tantas outras dores
Giro a ‘La passada’ de um bêbado querendo encontrar o caminho de casa

Eu faço peças erradas que me ensinam a acertar
Faço paródias de boates (deixa pra lá)
Faço pouco esforço contra meus males
Faço minha própria vontade, enquanto a fazem por todos

Eu canso de me culpar
Canso quando descanso
Canso se precisar esperar um minuto a mais do que o relógio disse
Canso ao terminar qualquer pensamento – seguido por outro que nem sempre condiz,
Sim!

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sábado, abril 10, 2010 - 03:29

Ministério da Poesia :

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alamarezi

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