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APÓLOGOS XV
15
O cão de fralda e a raposa
N'um dos pés arranhado um cão fraldeiro
Temeu chegar ao transe derradeiro;
O medico chamou, poz-se de cama,
E a dôr encareceu como uma dama;
(Porque n'este melindre, ou n'esta balda,
Uma dama equivale a um cão de fralda.)
Era então a raposa arteira, e fina,
Entre os brutos doctora em medicina.
Entrou n'um passo grave, um ar sisudo,
E era tom de quem dizia: — Eu saro tudo ! —
Tendo-lhe visto o pé, que lhe doia,
Perguntou ao doente o que sentia.
Depois de se esfalfar com fofa prosa,
Concluiu: «A doença é perigosa;
Mas hei de conseguir a grande empreza
De ajudar, ou vencer a natureza.»
E' certo que logrou tão alta sorte,
E' certo que a venceu, mas foi co'a morte.
Tendo emplastros, e purgas decretado,
E com mil beberagens misturado
Mil gordos aphorismos de Avicena,
Ou de Averroes, seguiu-se-lhe a gangrena,
Que tornando mortal a arranhadura,
O cãosinho encaixou na sepultura.
Assim que o duro medico feroz
O mandou visitar a seus avós,
Sem pejo, sem temor, sem pranto, ou ais,
A paga foi pedir aos tristes paes.
Clamaram: — «Inda a terra te não traga !
O filho nos mataste, e queres paga !...»
—«Que ! (responde a raposa) Ora essa é bella!
E o trabalho, que eu tive, é bagatella ?
Dar vida não está na nossa mão;
Tanto nos rende o morto como o são.»
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