CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

APÓLOGOS XV

15

O cão de fralda e a raposa

N'um dos pés arranhado um cão fraldeiro
Temeu chegar ao transe derradeiro;
O medico chamou, poz-se de cama,
E a dôr encareceu como uma dama;
(Porque n'este melindre, ou n'esta balda,
Uma dama equivale a um cão de fralda.)
Era então a raposa arteira, e fina,
Entre os brutos doctora em medicina.
Entrou n'um passo grave, um ar sisudo,
E era tom de quem dizia: — Eu saro tudo ! —
Tendo-lhe visto o pé, que lhe doia,
Perguntou ao doente o que sentia.
Depois de se esfalfar com fofa prosa,
Concluiu: «A doença é perigosa;
Mas hei de conseguir a grande empreza
De ajudar, ou vencer a natureza.»
E' certo que logrou tão alta sorte,
E' certo que a venceu, mas foi co'a morte.
Tendo emplastros, e purgas decretado,
E com mil beberagens misturado
Mil gordos aphorismos de Avicena,
Ou de Averroes, seguiu-se-lhe a gangrena,
Que tornando mortal a arranhadura,
O cãosinho encaixou na sepultura.
Assim que o duro medico feroz
O mandou visitar a seus avós,
Sem pejo, sem temor, sem pranto, ou ais,
A paga foi pedir aos tristes paes.
Clamaram: — «Inda a terra te não traga !
O filho nos mataste, e queres paga !...»
—«Que ! (responde a raposa) Ora essa é bella!
E o trabalho, que eu tive, é bagatella ?
Dar vida não está na nossa mão;
Tanto nos rende o morto como o são.»

Submited by

domingo, outubro 11, 2009 - 17:29

Poesia Consagrada :

No votes yet

Bocage

imagem de Bocage
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 14 anos 41 semanas
Membro desde: 10/12/2008
Conteúdos:
Pontos: 1162

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of Bocage

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XXVI 0 1.717 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XXVII 0 2.218 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XXVIII 0 1.444 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XXIX 0 1.285 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XI 0 1.392 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XII 0 1.478 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XIII 0 1.173 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XIV 0 1.483 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS XV 0 973 11/19/2010 - 16:55 Português
Poesia Consagrada/Geral ALLEGORIAS II 0 2.202 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS I 0 1.543 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS II 0 1.579 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS III 0 1.412 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS IV 0 2.503 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS V 0 1.695 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS VI 0 1.404 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS VII 0 1.247 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS VIII 0 1.191 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS IX 0 1.535 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral GLOSAS X 0 1.722 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral CANÇONETAS IV 0 1.446 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral CANÇONETAS V 0 1.385 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral CANÇONETAS VI 0 1.722 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral CANÇONETAS VII 0 1.437 11/19/2010 - 16:54 Português
Poesia Consagrada/Geral ENDECHAS I 0 1.590 11/19/2010 - 16:54 Português