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Ainda não tenho o por quê mas, quero descrever-me
Não sei a razão de eu ser
A razão de se ter o que sei
Sendo que, ao invés de envolver-me neste passo
Eu fico ao que fui, tornando-me ao retardo
De mim, talvez, quem sobra é quem não provo existir
Ainda não sei o por quê mas, tenho vontade de sumir
Passou o primeiro de mim
Venham prováveis um mil iludir-me
Na calada da mente ainda mora um sonho
Este, é o projeto do qual não sei se faço parte
Pois, ainda não sei o por quê de eu amar-te
Amo-te, és a arte das minhas descrições
Amo a ti, faço do meu estilo estilos conflitantes
O som diminui, a luz é fraca
Na minha ambidestra coordenação pouco desenvolvida há um copo com uísque barato.
Um gole - respiração parada ao calor do dia seguinte
Outro - fico volteando no corpo, derretendo num gelo que não pertence a mim
Eu deslizo - fujo do líquido à minha existência
Sou filtrado, tenho sabor de coisa qualquer
Sou o bom trago da companhia impertinente a aliviar meu instinto a procura de prazer
Não tenho o por quê mas, os relógios não param a mim e nem voltam ao meu grito.
Recebo teus presentes (flores)
Recebo teus deleites passados a frente
Numa fuga bem tramada, sou teu réu, teu criado, teu crime solucionado
O perfume que me entregas é o perfume do teu desejo em mim
Recebo o teu sorriso colorido
A delicadeza, o cuidado da água num vaso transparente
Ponho-te na janela, ao lado do meu sol
Recebo de tuas mãos a possibilidade da vida correndo um trecho do universo
E digo: - Amo o teu amor, sou eu, teu Amo. Amo
Eu sonho. Ainda não sei o por quê mas, quero devolver-me
Numa esperança da qual a ansia seja esquecida
Quero devolver-me ao teu quem
Para provar que meus dejetos estão aquém do eu
Que tu és o que sou e que quando sorris eu sorrio também
Quero devolver-te à vida, devolvendo-me ao instante de quando partiste
Lembras do jardim que ergui a ti e chamei Babilônia?
Ainda não sei o por quê mas, preciso reverter as engrenagens daquele que guardo de si
Preciso do hermetismo gerado por tua pedra
Preciso e repito sem conversão que preciso
Sair de ti, ó poesia de mim, e correr para os vales do incerto
Decerto o deserto é menos areado que o fundo do recepiente que empunho
Sim, é menor que a taça que guarda o último gole de quem sou
A esquentar, enquanto vejo a vida bailar num palco libidinoso
É livre, o último resto de meu drinque a ficar onde está
Pode dizer "não" e sentir-se bem. Pode mas, não o pode
Vai ao deslize, encontra-se com o fígado e, ambos fazem algazarra
Agora, quarta-feira pela manhã, é hora do café
Não, não... ainda não encontrei o por quê mas, caso te lembres daquelas flores
Estas moram naquele mesmo jardim que criei na janela da ilusão disso ou desse, a quem chamam nesta fuga de encontros, poeta.
Ainda não tenho o por quê mas, foi bom reencontrar-te.
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Comentários
Re: Ainda não tenho o por quê mas, quero descrever-me
Maravilhosamente elaborado o poema traz-nos
uma angústia que se cola às palavras e que
nos envolve.
Gosto de o ler
Um abraço, Poeta
Vóny Ferreira
Re: Ainda não tenho o por quê mas, quero descrever-me
Robson, uma bela meditação nos porquês do ser e do sentir.
Gostei muito de ler
Abraço
nuno
Re: Ainda não tenho o por quê mas, quero descrever-me
E descreveste muito bem o interior da ilusão dentro do teu jardim, poeta.
Beijinho
Carla
Re: Ainda não tenho o por quê mas, quero descrever-me
Ao encontro do Eu, cresces num poema bem construído e de bom conteúdo!!!
:-)