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Altas horas
Deita na cama e espera pelo próximo dia
Até sabe que não dormirá antes que passem milhares de pensamentos
O sol entorpecido do dia na cabeça
Faz com que tudo pareça tão cinza como dias nublados
Conta as horas e os minutos
Enquanto revoluções explodem na cabeça
Um grito ecoa na mente
Parabólica instalada na mente
Espinhos na coroa que perfura o crânio
Ou apenas um micro chip de informações falsas
Porque sabe que não tem coroa nenhuma ali
Então ajeita o travesseiro
Como se fosse conseguir dormir.
Tudo bem, você até que quase conseguiu me convencer
Que não é um estranho
E, por incrível que possa parecer,
Eu também não sou um estranho
Ou sou?
Agora fiquei mais confuso ainda.
Tá entendendo o que eu digo?
Eu acho que morri e renasci durante o inverno
Como uma fênix que brota do lodo pantaneiro
Estou com os olhos mais abertos do que antes
E mesmo assim não consigo enxergar nada mais do que ruínas
Propagandas e propagandas na TV
A propaganda é a alma do negócio,
Diz uma propaganda capitalista
Despejam demagogias formatadas em grandes slogans
Porque, no fundo, todos os hinos são slogans
Que perfuram a mente já doente pelas redes sociais.
A violência nem precisa ser mais dublada
Tudo é fabricado e segue os padrões internacionais
Apenas um discurso
As promessas que sempre fazemos a nós mesmos
E nunca temos coragem em cumpri-las
Porque a vida segue o eterno círculo infinito
Quem se importa com um homem triste?
Ou com as máculas de mentes juvenis?
Lá no fundo do abismo eles gritam:
Pule! Pule!
Estamos ansiosos para recebê-lo aqui também
O calor do verão me sufoca
Os olhos já começam a se fechar
Altas horas e agora o sono chegou
Deixarei de pensar e estarei aberto aos pesadelos
Tento falar com Deus,
Mas as horas de visitas já se foram
E devo acordar as cinco da manhã!
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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