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Desconjuro-te!

Não posso dizer muito.
Adiante às estrelas,
Só a Lua é testemunha.
De um mistério que se esconde,
Acobertado pelas sombras,
E protegido pela noite…

Bem me lembro que já ouvi,
Alguém em lamento, dizer por aí,
“Quão solitária és,
Infausta face noturna…”

Nunca a foste!
Nunca necessitara,
De ser consolada!
Sempre serena,
Da vida acompanhada!

Pois nunca tiveste tanto,
Tanto pra ver neste mundo afora,
Nos confins obscuros…
Estarão sempre lá,
Vivazes seres soturnos.

Vê-se lá!
Até nos telhados!
Onde os gatos copulam,
Pulando de telha em telha…

Sei que deixei de pensar,
Por um tempo onde a vida corria,
E deixei de sonhar,
Pelas noites vadias.

Mas peço agora,
Brilhante véu (que nunca…
Nunca fiz questão,
De ver seu rosto!),

Traga-me de volta o alento,
Embala-me novamente,
Em seu brilho alvacento.

Deixe novamente,
Por estas noites insanas,
Que meus fatigados sonhos,
Flutuem pela brisa que leva,
Aos selênicos lares de Diana!

Vamos!
Já estou abandonado!
Então não hás de ser inulta!
Já me sinto tão sozinho,
Como se voltasses a mim,
Sua misteriosa face oculta!

Cintilante malfeitora...
Junto à noite,
E tão fria quanto.

Triste é o Sol,
Que vê, mas não entende,
Acha que é todo seu o dia…

E mais triste quem ilude,
Até mesmo com promessas de solidão!

Triste,
Amargurada…
Lua dos amantes,
Dos poetas,
Dos mendigos…

Queres que seja teu?
Meu último suspiro?!
Vai-se! Que cesse a poesia!
Tome teu rumo sereno,
E que chegue a luz do dia!!

_Pois se tanto me chamas,
Infiel amouco…
Peço para que vás parando,
Com essas tristes lamúrias,
Com este teu desencanto,
Pois irei agora responder-lhe,
Não importando qual seja,
O grau de teu espanto.

Conquanto, já te adianto,
Esta será a última vez,
Que intercedo em teu pranto.

Mas nada te direi,
Sobre essa tua angústia,
Já que disto, afirmo,
Não me cabe a culpa.

Bem me entendas tu,
Que nunca tive a intenção,
De iludir ou mal algum te fazer.

Minha triste sina neste céu,
É pura e simplesmente,
Manter as mentes aluadas,
Não assim como parece,
Também querer insinuar,
Manter dos sonhos afastados.

Direi somente algumas palavras,
Depois disso serei apenas,
Como há muito já venho sendo,
Um vago brilho sobre as casas.

E o que vou dizer-te,
Nunca disse a outro,
Nem mesmo aos doidos,
Tampouco aos doutos.

Apenas continue…
Trilhando teu caminho,
De pensamentos ressoltos.
E continue a sonhar teus sonhos,
Mesmo que a ti pareças,
Demasiadamente, loucos…
 

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sexta-feira, junho 17, 2011 - 19:26

Poesia :

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Ken Sowyer

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