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Em Directo...

Dia a Dia
Forças-te a erguer pela manhã do sono cronometrado
Consciente de estar recrutado para mais uma vigília, há muito planeada.
Vestes o uniforme social e engoles o “rancho” matinal
E logo te encontras de volta ao caminho já tão fustigadamente trilhado.

A fé na estabilidade das instituições dá-te coragem,
O desejo da realização pessoal dá-te esperança.
Mantêm-te iludido com lisonjas ao teu esforço imprescindível.
Definem-te como único e adivinham-te um futuro promissor.

Permites que escolham a praxe dos teus dias,
Que te ensinem maneiras e conveniências.
Admites exigências de comportamentos e etiquetas,
Mesmo que inibam os teus fulgores, instintos e paixões!...

Convertido, tu assimilas, assimilas... mas enjoas e vomitas.
Resta-te tomar a profilaxia adequada: bagaço ou aspirina... ambos!
E por momentos, num real acordar, afugentas os tormentos do stress,
Soltas os “cães da guerra” e praguejas contra o fantasma do dia seguinte:

“Como me enganam quando dizem que sou livre,
sabendo eu que pertence a outros a minha liberdade;
Como me escondem a verdade, quando me pedem opinião,
Sabendo eu que é de outros a minha decisão.”

E, quando de volta ao sono, és desperto pela dúvida
De quem és e da tua importância no mundo dos homens,
Descobres, uma vez mais, que não passas de uma engrenagem da máquina
Susceptível de ser maquiavelicamente substituído pela manutenção!

Afinal o teu ego perdera-se dissolvido no Eu colectivo,
Agrilhoado pelas fobias com que a pátria te amordaça.
Rendido à função que te determinaram,
Afogas-te nos pressupostos das regras da moral e da lei da nação.

Num último fôlego insurges-te contra o relógio com que te controlam:
Apelas à vontade própria e encontras a submissão;
Procuras refúgio nos teus ideias e encontras a propaganda do Estado.
Desejas largar tudo, mas estás dependente do vício social!

É tarde, o combate perde-se na fraqueza da insurreição.
Já não há lugar desconhecido para onde fugir.
Assim como não encontras outros desalinhados que engrossem o teu exército.
Fica-te apenas a escuridão, a alma vazia e a cama...
... e retomas o caminho do sono
porque é já a hora estabelecida...
Valha-nos o sonho!

XXX : V : MCMXCVII

Andarilhus “(º0º)”
II : V : MMVIII

Lírica: Peste&Sida: Ao Trabalho!

Submited by

sexta-feira, maio 2, 2008 - 22:18

Poesia :

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Andarilhus

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Comentários

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Re: Em Directo...

As emoções são a realidade da escrita!

:-)

imagem de MariaSousa

Re: Em Directo...

Até podem aprisionar o Ego... às vezes consigo libertar-me dele :-)

Mas não podem aprisionar a alma nem o sonho... neles somos livres... até selvagens...

Bjs

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