CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

A Espada da Liberdade

No teu braço estava a Espada da Liberdade
Que a força de um povo levantava no ar.
O peso da juventude e responsabilidade
Não pesou na maneira de pensar.

O respeito por todos é tua divisa,
Mesmo quem está do outro lado,
Ou mesmo quem depressa muda de camisa;
Todos merecem o respeito por ti dado.

Se Santarém vieste para Lisboa,
Em silêncio fizeste toda a viagem.
Na tua mente a voz da razão soa,
Dando-te o apoio e a coragem.

Vieste acabar com o Estado-A-Que-Chegámos
E com esperança avançaste sobre a capital.
Nunca foste recebido com ramos,
Mas com o ultimo fôlego ditatorial.

Ocupaste o Terreiro. Cercaste o poder.
E, na calma que se seguiu, conseguiste
Dominar os ânimos e com saber
Dominaste o terreiro e viste

Como o poder estava tão podre
Que com um simples abanão tombou.
Foi assim que o teu coração nobre
Um estado torpe e cego derrubou.

E mesmo quando o Brigadeiro dos Reis,
Coberto pela sua grande cobardia,
Tenta fazer-se valer das militares leis,
Mandando derramar sangue na via,

Tu ficaste lá de pé, como Salgueiro que és,
Mostrando que coragem é uma divisa
Que não se dá aos pontapés
A quem dela acha que merece ou precisa.

É preciso sim, nascer com ela,
Sentindo-a pulsar no nosso peito,
Fazendo da vida a nossa caravela,
Donde partimos para o futuro, com respeito.

Tu tiveste-a. Graças a ti,
Graças à razão que vos movia,
Do cobarde a ordem voltou a si
E o soldado seguiu a ordem contrária.

Com os ministros a fugir, o Terreiro
Nenhum outro interesse tinha.
Foste, pois, para o golpe derradeiro:
Cercar o quartel que o chefe continha.

Atravessando as apertadas ruas da cidade,
Ao Carmo chegaste, com os teus soldados,
Aos poucos a visão da liberdade
Se tornava real aos olhos de todos por ti comandados.

O povo chega, clamando justiça,
E a liberdade é novamente aclamada.
Viste então que a calma era precisa
Para que a revolução não fosse falhada.

Negociaste a rendição do governo.
A democracia seria reposta em Portugal
Nenhum poder deve ser eterno,
Muito menos sem o apoio do povo em geral.

Negociação e ultimato feito,
A rendição surgiu com uma condição:
O chefe devia ser tratado com respeito
E não queria entregar o poder a um capitão.

Esperou-se a chegada do general
Que, quando anunciado ao povo,
Foi aclamado em delírio geral.
A revolução tinha acabado com o Estado Novo!

O país seria diferente agora
A Espada da Liberdade estava no poder.
Era chegada a tão esperada hora
De todo o país do acontecido saber.

Não estava a tua tarefa terminada.
Tinhas de escoltar com segurança
O poder caído, a chefia tombada.
Portugal ganhou a luta pela esperança.

Soldados houve que um cravo colocaram
No cano de sua arma. Um sinal
Da revolução a que se propuseram
Fazer, não sangrando Portugal.

Mas o sangue só foi poupado
Pois tu soubeste comandar.
O teu trabalho foi recompensado
Pois o antigo estado foi ao ar.

Mas a sorte não te foi favorável
E poucos anos depois morreste,
Mas viveste uma vida louvável
E em pouco tempo muito fizeste.

Uma revolução florida foi a tua;
Portugal aos portugueses devolveste
E mesmo andando numa estranha rua,
Nunca o sentido humano perdeste.

Obrigado pois, Ó Salgueiro Maia.
Pela oferta da nossa liberdade.
Foi longo aquele teu dia,
Mas longa foi a espera da verdade.

A Espada da Liberdade no teu braço
Foi erguida alto sobre Portugal.
Foi vista no longínquo espaço,
Foi vista numa alegria sem igual


06.06.1999

Submited by

segunda-feira, abril 4, 2011 - 23:34

Poesia :

No votes yet

gaudella

imagem de gaudella
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 11 anos 49 semanas
Membro desde: 03/26/2011
Conteúdos:
Pontos: 346

Comentários

imagem de Dionísio Dinis

Uma grata homenagem a

Uma grata homenagem a Salgueiro Maia, figura incontornável da história da liberdade.Os meus aplausos.

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of gaudella

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Amor Sweet angel. Sweet angel, with golden wings 0 1.204 01/05/2012 - 01:49 inglês
Poesia/Amor I’ve got a Rose Shaped Heart 0 1.223 01/05/2012 - 01:40 inglês
Poesia/Amor C’roa d’ouro na tua cabeça, 0 1.140 01/05/2012 - 01:32 Português
Poesia/Soneto Já fui uma bala, uma ‘spada 0 1.122 06/04/2011 - 00:42 Português
Poesia/Soneto Eu tenho um calhau como coração 0 1.296 06/04/2011 - 00:40 Português
Poesia/Erótico Eroticus II – Iniciação 2 1.754 05/15/2011 - 22:16 Português
Prosas/Fábula The Tiger And The Monkey 0 2.865 05/13/2011 - 16:26 inglês
Poesia/Geral Adeus Campeão (A Ayrton Senna) 1 1.452 05/01/2011 - 12:37 Português
Poesia/Soneto Sabes que podes contar comigo 1 1.354 04/28/2011 - 20:58 Português
Poesia/Soneto Sábado à Noite 1 1.379 04/21/2011 - 15:24 Português
Poesia/Geral Goldwasser (incomplete) 0 1.755 04/14/2011 - 13:21 inglês
Poesia/Erótico Eroticus I – O Banho 0 1.371 04/11/2011 - 16:40 Português
Poesia/Erótico Eroticus III – Sonhos de Cabedal 0 1.471 04/11/2011 - 16:36 Português
Poesia/Geral Aos senhores da guerra 1 1.262 04/09/2011 - 22:29 Português
Poesia/Geral Vida Incógnita 0 1.126 04/09/2011 - 14:23 Português
Poesia/Amor Ad Aeternum… Of dark and Bright… 1 2.168 04/08/2011 - 23:06 inglês
Poesia/Geral A Espada da Liberdade 1 1.340 04/06/2011 - 14:52 Português
Poesia/Geral Twelve grapes 0 1.889 04/05/2011 - 02:43 inglês
Poesia/Fantasia The Sword, The Eagle and The Dragon 1 1.877 04/03/2011 - 04:14 inglês
Poesia/Soneto Deixem que vos conte a ‘stória 2 1.523 03/31/2011 - 17:18 Português
Poesia/Soneto Já não tenho palavras p’ra te dizer 2 1.257 03/31/2011 - 03:13 Português
Poesia/Soneto Co’o rosto dum anjo celeste 1 1.234 03/29/2011 - 20:55 Português
Poesia/Amor Sempre. Sempre estarei aqui, por ti. 1 1.341 03/29/2011 - 20:43 Português
Poesia/Geral Contrabandista 1 1.364 03/29/2011 - 20:40 Português
Poesia/Soneto Ópio dos poetas 1 1.722 03/29/2011 - 20:32 Português