CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Noite no campo de ti.
Deitar-me-ei em teu solo por apenas mais um dia, pois me cravam as rosetas de tua pele seca, desidratada e febril. Não posso adormecer em teus sonhos e sentir-me refeita ao amanhecer, pois teus espinhos ficam-me incessantemente e mesmo quando não estão, as pústulas que ficaram das perfurações anteriores vertem o sal de minha alma criando crostas azedas em minha costas nuas. Sou um ser em chagas, cuja saliva esgota-se a cada arranhão de teu solo. Não consigo mais sobreviver nesta sépsis de pelos nús que revoltos grudam-se às lembranças do que um dia foi um chão de alabastro alvo e liso.
Hoje sou o resultado da lepra que carrego, juntando os pedaços que doei pelo caminho, mas como carne espúria, foram queimados na fogueira das vaidades. Então cauterizo-me com as incandescentes brasas dos desejos que queimam minhas mãos burras, que querem agarrá-las sem proteção. Essa sou eu, um coração envolto em uma epiderme em chagas, queimando em ardente febre que consome as horas e os desalinhos de um ser que não se pertence, sem chão para deitar-se, nem catre para esgotar-se até a hora da morte. Por isso permaneço sobre este capim selvagem em que me deito e finco-me com as rosetas de teu chão. Mas mesmo assim, é melhor que estar morta e apenas, apenas a lembrança longínqua de pele exposta ao confortável sol primaveril na enseada do teu mar, onde deitávamos e éramos perfeitos e intocáveis, me conforta, a lembrança de nossos frutos que nasceram fortes a guisa do chão árido de nossas almas, me fazem ainda querer respirar.
Por isso ainda acredito em mais um dia e, mesmo agônica, deito-me à espera de um mágico remédio que cure minhas chagas ao amanhecer.
Há de se saber o destino da vida? Muito menos o caminho da morte. Estamos à deriva deste vendaval que varre os campos sem piedade.
Submited by
Poesia :
- Se logue para poder enviar comentários
- 1792 leituras
Add comment
other contents of analyra
Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post![]() |
Língua | |
---|---|---|---|---|---|---|
Poesia/Aforismo | HUMANO NÓ | 6 | 1.329 | 03/10/2010 - 15:12 | Português | |
Poesia/Aforismo | Como seria... | 10 | 1.566 | 03/10/2010 - 14:36 | Português | |
Poesia/Tristeza | Será... | 5 | 1.536 | 03/10/2010 - 14:29 | Português | |
Poesia/Aforismo | Amor Completo | 4 | 1.738 | 03/10/2010 - 14:21 | Português | |
Poesia/Dedicado | O amor | 9 | 1.263 | 03/10/2010 - 14:13 | Português | |
Poesia/Aforismo | Monografia | 3 | 1.913 | 03/10/2010 - 14:09 | Português | |
Poesia/Fantasia | Janela para rua lúdica. | 6 | 956 | 03/10/2010 - 04:05 | Português | |
Poesia/Tristeza | Dizimação emocional | 5 | 1.230 | 03/09/2010 - 22:22 | Português | |
Poesia/Dedicado | Verdade | 8 | 1.802 | 03/09/2010 - 19:15 | Português | |
Poesia/Amor | Tudo posso. | 4 | 2.580 | 03/09/2010 - 16:49 | Português | |
Poesia/Aforismo | Sabedoria. | 1 | 1.971 | 03/09/2010 - 16:34 | Português | |
Poesia/Aforismo | surto maníaco delirante | 2 | 1.357 | 03/09/2010 - 02:48 | Português | |
Poesia/Dedicado | A mulher de olhos de noite e o homem olhos de sol da manhã | 2 | 1.745 | 03/09/2010 - 02:38 | Português | |
Poesia/Aforismo | Filhos da flor | 3 | 1.557 | 03/09/2010 - 02:05 | Português | |
Poesia/Desilusão | Mundo de aquário. | 1 | 1.775 | 03/09/2010 - 02:05 | Português | |
Poesia/Tristeza | Nada restou | 6 | 1.427 | 03/08/2010 - 22:48 | Português | |
Poesia/Geral | Sonetinhos de mim... | 1 | 1.650 | 03/08/2010 - 19:30 | Português | |
Poesia/Desilusão | Dor do destempero. | 1 | 1.969 | 03/08/2010 - 18:11 | Português | |
Poesia/Aforismo | Oração a "anima mundi" | 1 | 1.629 | 03/08/2010 - 18:08 | Português | |
Poesia/Aforismo | cansaço | 1 | 1.614 | 03/07/2010 - 04:03 | Português | |
Poesia/Paixão | Carência | 3 | 987 | 03/06/2010 - 21:02 | Português | |
Poesia/Desilusão | À flor da pele | 12 | 1.768 | 03/06/2010 - 04:04 | Português | |
Poesia/Meditação | Inferno (desafio poético) | 6 | 1.670 | 03/03/2010 - 23:08 | Português | |
Poesia/Intervenção | Inferno dos poetas( Duo Ana Lyra e Inês Dunas) | 13 | 2.202 | 03/03/2010 - 17:11 | Português | |
Poesia/Meditação | Alma ao espelho | 8 | 1.584 | 03/03/2010 - 13:38 | Português |
Comentários
Re: Noite no campo de ti.
Tão triste que chega a doer-nos,
tão belo que me deixa sem palavras.
Gosto muito também de te ler neste registo.
Um beijo, Ana e... força!!!
Vóny Ferreira
Re: Noite no campo de ti.
"Por isso ainda acredito em mais um dia e, mesmo agônica, deito-me à espera de um mágico remédio que cure minhas chagas ao amanhecer."
Em teu texto, uma imensa dor e uma sempre esperança, força que nos permite continuar!
Um beijo, amiga, no aguardo deste mágico remédio!
Lila.
Re: Noite no campo de ti.
Um capitulo sugestivo, numa prosa intimista e alucinante na forma e na acção.
Sempre fantástico te ler!
Essa sou eu, um coração envolto em uma epiderme em chagas, queimando em ardente febre que consome as horas e os desalinhos de um ser que não se pertence, sem chão para deitar-se