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PIANO DA ALMA

Gostava de ser
como as palavras,
elas falam por si próprias
ao beijarem-me com o silêncio
de cada letra afeita com os meus sentidos.

Tal como uma letra só, sou mera fonética.

Descrevo-me
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó sem estética.

Sou nota solta,
sozinha sobre o piano da alma
com virgulas mal usadas.

Sou elmo de pontos finais
esquecidos na ponta do lápis.

Busco vogais da vida
alfabetizadas no lugar ritmo dos meus desejos.

Momentos iletrados
atrofiam cadernos de emoções lidas,
idas na desfolhada do tempo.

Cada dia
é uma esquina traquina,
cada semana é uma aresta polida,
cada mês é uma lição aprendida,
apreendida pelo giz do pensamento.

Lento algarismo
me risca e rabisca cada faísca
dos anos passados.

Cada poema
é um namoro de consoantes
onde encontro as sílabas certas
na incerteza de me ser.

Escrevo
o prazer por prazer,
a dor por sofrer para sofrer,
o amor para amar por amar.

E quando não escrevo
é a mim que escrevo nas linhas do ar
que para mais nada me serve senão para respirar.

Para que quero eu o ar se não voo?

Só o chão me é fiel,
só ele não me abandona e quando caio,
é ele o primeiro a amparar-me.

O chão é o meu lugar.

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terça-feira, julho 6, 2010 - 15:46

Poesia :

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Henrique

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