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Sempre em frente
Sempre em frente, dizem,
Como se o tempo fosse um corredor estreito
E nós, sombras com pressa,
Procurando uma porta que não sabemos nomear.
Não há tempo a perder, repetem,
Como se o atraso fosse um crime
E cada suspiro um débito não pago.
Mas o relógio é um carcereiro paciente:
Não grita, não empurra, apenas observa
Enquanto nos diminuímos no próprio passo.
O passado acena na última curva,
Pedindo testemunhas para o que já não importa.
É tentador olhar por cima do ombro,
Mas quem devolve os olhos ao que morreu
Entrega ao destino as mãos amarradas.
O futuro, por sua vez, prefere o segredo.
Mostra pistas, abre fendas, oferece um rumor.
Sua promessa é um clarão distante
Que não ilumina o chão, mas orienta o impulso.
E seguimos, então,
Não por coragem, mas por falta de alternativa,
Pois a estagnação é mais cruel que o risco
E o tempo não negocia com os hesitantes.
Sempre em frente, mesmo quando dói,
Mesmo quando o caminho se estreita
E o pensamento tropeça na própria dúvida.
Avançamos porque ficar seria admitir derrota,
E porque o chão também se move sob os indecisos.
O que chamamos de pressa
É apenas a tentativa de acompanhar o inevitável.
O que chamamos de destino
É o nome que damos às escolhas que já fizemos
Quando pensamos que ainda estávamos escolhendo.
E o que chamamos de vida,
Isso sim é urgente,
Não porque acaba,
Mas porque não espera.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
https://odairpoetacacerense.blogspot.com/2026/01/sempre-em-frente.html
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