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A CURVA DO RIO QUE FOI

***

à poetisa Claudia Alheli Castillo, a Claudinha,
consagro.

* * *

A CURVA DO RIO QUE FOI

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Onde o curiango faz ninhada
E a sucuri sua caçada

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Onde nasce a alvorada
E os peixes saem das locas antes
Num balé na madrugada

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Onde à sombra da noite
A chuva fina deságua
Em torrente
Sobre o barquinho
Que trouxe minha mágoa

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Onde os raios vívidos
Luminam a invernada
E os bichos acordam
Em pinotes fazem serenata

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Meio fio
Da saudade que ficou
Se a vi sumir depois da curva
E beleza de meus olhos levou

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio
Debaixo da frondosa palmeira
Bem no fundo
Pra em paz não ver mais
Teu aceno de adeus
Que na curva do rio se foi
Como onda passageira

Quando eu morrer
Quero ser enterrado
Na curva daquele rio,
Tanta vida lá presente
Vejo-me lá
Daqui da vida ausente

***

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sexta-feira, junho 22, 2012 - 22:20

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