CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

Após a Volta de Jesus

    Alfredo entrou silenciosamente no templo e parou próximo a mesinha que ficava na frente do altar. Era uma manhã de sol e podia sentir-se o frescor das flores que o vento trazia e até o regurgitar de alguns pássaros. Olhou para o púlpito e lembrou-se de quantas vezes pregara ali. Quantas vezes ouvira sermões que falavam desse acontecimento. Jesus voltará! Essas palavras ecoavam em seus ouvidos. Agora sabia que era muito tarde. Sim! Jesus havia voltado e ele não estava preparado. Deixou que uma lágrima escorresse de seus olhos. Uma dor profunda no coração. Lembrou que ao acordar olhou para o lado e não viu a esposa. Sua fiel companheira de longas datas. Assustou-se e correu até o quarto das crianças. Não podia ser isso que tinha acontecido, pensava enquanto corria até o quarto. Nenhuma das suas duas crianças estavam em suas camas. Aconteceu! Deixou-se cair ajoelhado no chão do quarto. Oh! Senhor! Tenha misericórdia de mim! Exclamou, mesmo sabendo que já era muito tarde para arrependimento.
    Ainda olhava para o púlpito vazio e lembrava da confiança em que o Pastor Samuel depositara em suas mãos. Era o vice pastor daquela congregação que prezava pela palavra de Deus. Mas, sabia que não tinha sido fiel e agora pagava caro por sua falha. Jesus havia voltado, levado a sua igreja e ele ficara.
    - Pastor Alfredo!?!
    Olhou para a entrada lateral do templo e viu a jovem que entrava desesperada.
    - O senhor ficou também?
    Ele olhou para a jovem. Era, com certeza a jovem mais bonita daquela congregação. Quantas vezes tinha pensado nisso. Era destacada no conjunto onde cantava, pregava e cooperava no atendimento, cantina e outras atividades que precisasse. Admirava que ela tivesse ficado também.
    - Camila!
    Foi o que conseguiu dizer.
    Ficaram em silêncio por alguns minutos. Olhavam para o púlpito e para a nave do templo agora só com os bancos vazios.
    - Sua esposa foi arrebatada? – Camila quebrou o silêncio.
    Acenou positivamente com a cabeça.
    - Seus filhos?
    Confirmou com outro aceno de cabeça.
    - Por que o senhor ficou?
    Olhou para ela com um olhar diferente do convencional e, antes de responder viu que chegava outro irmão da igreja.
    - Vocês ficaram também?
    Alfredo e Camila olharam para ele. Irmão Paulo era diácono e porteiro na congregação. De corpo atlético, era militar e servia como porteiro, segurança e tinha outras atividades. Era muito popular.
    - Você ficou porquê? – Indagou o vice pastor já imaginando a razão. Algumas vezes tinha ouvido reclamações do homem ali diante dele de agressão física contra a esposa e os filhos. Era um bruto em casa, como ouvira algumas vezes no auxílio ao Pastor da congregação.
    - E vocês? – Paulo se esquivou – ficaram porquê?
    Houve um breve silêncio entre eles enquanto um olhava para o outro. Na imaginação queriam saber o motivo de não terem subido no arrebatamento. Foram interrompidos pelos gritos escandalosos de outra irmã que chegou correndo na igreja.
    - Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Exclamava em lágrimas.
    - Calma irmã Sandra – Disse o vice pastor – agora não adianta mais lamentar. Agora é tarde para isso.
    - Mas, Pastor! – Exclamou – Por que ficamos? Por que eu fiquei? Sempre fui fiel na igreja, cooperava em todos os cultos, orava mais do que quase todas as irmãs do Círculo de Oração.
    - E fofocava mais do que tudo! – Camila deixou escapar e a mulher ficou rubra de raiva na hora.
    - Ah é, engraçadinha! – Retrucou – e você, santinha, porque não subiu? Deve que porque tinha rolos com homens por ai, ou porque já não é mais virgem né?
    Os três olharam para a jovem. Camila ficou em silêncio. Sentou-se no banco e se preparava para responder quando os olhares de todos pairou sobre a mulher que acabara de chegar. O semblante de todos mudaram.
    Michele era um mulher jovem, dedicada na obra. Era esposa de um dos obreiros e era regente dos jovens daquela congregação. Tinha uma voz que se destacava dentre os demais e quando cantava fazia o coração de todos os presentes serem impactados.
    - Eu brinquei – disse ao se aproximar – eu não acreditava que isso pudesse acontecer. Não cria nessa coisa de volta de Jesus.
    Olhou para Camila, Paulo, Sandra e depois parou o olhar em Alfredo. O coração dele quase parou.     - Você sabe porque ficamos, né?
    Paulo, Sandra e Camila olharam estarrecidos para os dois! Alfredo deixou escapar uma lágrima.
    - O que acontecia entre vocês? – Indagou Sandra.
    - Foi por isso que você ficou – disse Alfredo virando-se para Sandra – por causa de um pecado da carne que você nunca abandonou. Por causa de suas fofocas você provocava inimizades, porfias e emulações entre os irmãos. Essa mania de fofocar, de levar e trazer intrigas e disseminar fake news. Você era a campeã aqui na igreja. Por isso você ficou.
    - Tá bom, engraçadinho – respondeu Sandra esbravejando – e você? Se fosse tão santo não estaria aqui. O que você fazia de errado? Você era o vice pastor, então deve ter feito alguma coisa bem grave.
     - Sim – confessou o vice pastor – todos nós que aqui estamos fizemos algo de errado, senão não estaríamos aqui.
    - Eu sei porque fiquei – disse Camila com os olhos cheios de lágrimas – eu era invejosa!
    - Invejosa? – Exclamou Paulo – como você poderia ser invejosa? Você é a jovem mais bonita e destacada aqui da igreja. Eu achava que as outras meninas é que tinham inveja de você.
    - Pois, é – disse ela – mas não é assim. – fez uma pausa e continuou – eu sentia inveja de quase tudo. Deus sabe o quanto sofria com isso. Dentro do meu coração eu guardava coisas e imaginava coisas terríveis. Eu alimentava isso. Me arrumava e me enfeitava porque queria chamar a atenção. Queria provocar os olhares sobre mim. Mas, ao mesmo tempo eu invejava as outras pessoas. Por que fulana conheceu sicrano e ele não olhou para mim? Era o que me perguntava sempre. Foi por isso que fiquei.
    - Tá bom – Disse Paulo – vou confessar também. Fiquei por que sempre fui um babaca violento. O meu pecado sempre foi a ira. Eu descontava todas as minhas raivas na minha esposa e nos meus filhos. Bati nela várias vezes. Algumas até deixei marcas que ela escondia e, se alguém visse, dizia que tinha caído ou sofrido um acidente. Graças a Deus ela foi salva e meus filhos também.
    - E você pastor? – Sandra olhou furiosamente para ele – não vai nos contar o que o fez ficar de fora do arrebatamento? O senhor que pregava quase todos os cultos, que parecia ter uma vida exemplar. O que aconteceu?
    Alfredo respirou fundo, mas, antes de falar foi interrompido por Michele.
    - Ele ficou por causa de mim!
    Todos olharam para ela com muita curiosidade. Michele continuou.
    - Na verdade, ficou por causa dele, quero dizer. Por causa de sua impureza sexual. Sua infidelidade. E eu também fiquei por causa disso. Ele me seduziu e tínhamos um caso escondido.
   - Minha nossa! – Exclamou Sandra – eu sabia!
   - Sabia coisa nenhuma – ralhou Paulo olhando para Sandra – se soubesse toda igreja saberia porque você não perdia tempo em fofocar. Cale-se!
    Houve um breve silêncio. Os cinco olharam para o púlpito e depois para a nave do templo. Os bancos vazios. Lembraram dos cultos avivados naquela congregação. Não iriam mais ouvir as crianças cantando, os adolescentes, os jovens que cantavam com tanta emoção, o Círculo de Oração com seus hinos espirituais. Não ouviriam mais os sermões e mensagens de poder que tocavam os corações de todos que ali frequentavam. Tudo isso era passado. Nenhum deles se atentaram para a volta iminente de Jesus e ficaram.
    - Agora não adianta lamentar – Disse Alfredo – apenas nos prepararmos para enfrentarmos o Anticristo e a aniquilação deste mundo. Perdemos o tempo da graça oferecido por Jesus e agora resta-nos darmos o nosso sangue se quisermos alcançar uma salvação. Agora é só choro e lamentação. Nossos irmãos e irmãs que foram fiéis a Cristo estão agora no Tribunal de Cristo e nas Bodas do Cordeiro. Nós, estamos na Grande Tribulação!
    Todos curvaram a cabeça e deixaram as lágrimas rolarem de seus rostos.

Conto: Odair José, Poeta Cacerense

Veja mais em
www.meutestemunhovivo.blogspot.com
www.odairpoetacacerense.blogspot.com

Submited by

quarta-feira, dezembro 30, 2020 - 13:02

Prosas :

No votes yet

Odairjsilva

imagem de Odairjsilva
Online
Título: Membro
Última vez online: há 48 minutos 30 segundos
Membro desde: 04/07/2009
Conteúdos:
Pontos: 15287

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of Odairjsilva

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Meditação A trágica paixão de Sansão 6 82 04/18/2024 - 20:34 Português
Poesia/Desilusão A parte fraca do coração 6 143 04/17/2024 - 00:43 Português
Poesia/Desilusão O lamento do sofrer 6 132 04/16/2024 - 11:40 Português
Poesia/Meditação O fim do mundo bate à porta 6 151 04/15/2024 - 23:38 Português
Poesia/Meditação Eu posso dizer não! 6 149 04/15/2024 - 11:29 Português
Poesia/Meditação A angústia de Caim 7 237 04/15/2024 - 00:52 Português
Poesia/Amor Não era brincadeira 6 158 04/13/2024 - 14:09 Português
Poesia/Amor Fascinante 6 564 04/10/2024 - 20:11 Português
Poesia/Amor Em cada pétala de rosa 7 374 04/10/2024 - 02:31 Português
Poesia/Meditação A Mulher Samaritana 6 905 04/08/2024 - 23:06 Português
Poesia/Intervenção Contra o racismo 6 287 04/07/2024 - 14:06 Português
Poesia/Desilusão Do amor não correspondido 6 515 04/06/2024 - 14:18 Português
Poesia/Intervenção Contra o bullying 6 461 04/05/2024 - 22:58 Português
Poesia/Amor Impossível ignorar 6 559 04/05/2024 - 02:43 Português
Poesia/Desilusão Não posso te esquecer 6 808 04/04/2024 - 02:54 Português
Poesia/Desilusão Seu prisioneiro 6 426 04/02/2024 - 11:51 Português
Poesia/Amor Um poema sem palavras 6 497 04/01/2024 - 19:33 Português
Poesia/Desilusão Quando não se pode evitar 6 442 03/30/2024 - 13:27 Português
Poesia/Pensamentos Observação 6 934 03/27/2024 - 22:12 Português
Poesia/Desilusão Agora o coração reclama 6 416 03/26/2024 - 20:13 Português
Poesia/Intervenção A insensatez da guerra 6 447 03/25/2024 - 19:49 Português
Poesia/Intervenção Senso crítico nebuloso 6 504 03/24/2024 - 13:39 Português
Poesia/Desilusão Entre as sombras da noite 6 759 03/23/2024 - 14:32 Português
Poesia/Intervenção O espelho da realidade 6 472 03/22/2024 - 13:17 Português
Poesia/Dedicado À beleza do verso 6 1.044 03/21/2024 - 20:00 Português