CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

CRÓNICA DE UMA TARDE DE CHUVA

CRÓNICA DE UMA TARDE DE CHUVA

Chuvosa desgostosa chorosa a tarde destemperava-lhe o raciocínio com a raiva contida no silêncio que a amargurava em humedecidos sentidos, disposta a acabar de vez com a sua vida virtual, magicava um suicídio pomposo, capaz de fazer soar as sirenes de alerta de todos os continentes, e como seria darem pela sua falta nos mercados tímidos asiáticos, onde as máfias que traficam chifres de rinoceronte, quais comodoros de cinzas negras, as expelem como hálitos pútridos de corpos resignados aos favores sexuais de um turismo criminoso e desumano, onde a sobrevivência impera na desordem ordenada de um caos tempestivo onde todas as lágrimas se esgrimem na afetividade temperamental de uma pornografia arrebatadora pelas fantasias do exotismo e da luxúria.
Haveria lucro rendendo na banca do crime, da droga, da prostituição, símbolo do exotismo oriental, em tempos conhecida como Sião, as plantações de arroz desfilam perante o olhar, um passeio pelo mercado flutuante de Damnoem Saduak, os sorrisos espalham-se na água impura no embalo dos remos em coordenadas suaves marcando ritmo no tempo, diante dos templos, a sagrada flor-de-lótus embeleza a alma no liberto cativeiro da peregrinação labiríntica em exotismo delirante de cenários paradisíacos, onde espíritos doirados adormecem debaixo dos chapéus em cone, pelo lema “sanuk”, “sabai”, e “saduak”, significando sê feliz, fica tranquilo, contenta-te com aquilo que a vida te oferece, alcançando o nirvana na reencarnação de todas as inquietações deixadas a esvoaçar nas asas da imaginação.
As chuvas tropicais húmidas e quentes estão agora em adormecido temperamento, uma saudação ao sentir do sol sobre a paisagem verdejante, disfruto desse vagabundear pelo passado, olhando as fotografias que imortalizam essas memórias.
Volta-me a ânsia de terminar de vez com a minha existência virtual devido a um surto de paixão acometida por estas andanças virtuais, sentindo o pesado silêncio de quem nada diz mesmo depois de toda a loucura vivida a dois, sem comprometimentos, sem promessas, sem saber bem o que se quer, mas deixando-se ir, deixando-se envolver, deixando-se entreter por uma sedução e enamoramento casual, talvez seja isso o cerne da melancolia, a carne do desgosto, a amargura crua que se entranha saudosa no silenciar das horas ausentes desse ser.
Aconteceu o que não se queria que acontecesse. O fulcro vivencial rompeu-se como casulo de teia sedutora e enrolou o fio da vida no fuso da ilusão, essa fantasia criadora de sonhos eróticos e sensuais em cenários exóticos de tesão instantâneo.
Preciso pensar como vou acabar com esta existência insólita que se apoderou da minha pele e consumiu vasto chão de sentidos, deixando-me árida de temperamento e seca na vontade.
Talvez um vídeo com um simples olhar no silêncio.
A voz a silenciar gritos mudos de inquietação e loucura em variações menores, ao som de um piano numa sala onde ecoa um coração sofrido.
Devo dizer adeus e explicar porque parto e mato de vez este perfil que me assola de tristeza a minha fragilidade e sensibilidade perdida.
Ainda procuro as palavras testamentais do meu sentir e busco em imagens do passado forças ocultas para me darem a coragem de prosseguir com este fim.
Quero um suicídio discreto mas que chegue aos pantanais e tardes pluviosas dos agricultores de emoções.
É só uma vida que gasto a dizer adeus.

musa 

Submited by

domingo, março 24, 2013 - 23:51

Prosas :

No votes yet

musarenascentista

imagem de musarenascentista
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 10 anos 50 semanas
Membro desde: 05/05/2011
Conteúdos:
Pontos: 1076

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of musarenascentista

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Amor AMOR PRIMAVERA 0 920 07/04/2011 - 14:53 Português
Poesia/Fantasia PÉRGOLA DOS ENAMORADOS 0 1.111 07/04/2011 - 14:47 Português
Poesia/Paixão PAIXÃO DO LIVRO E DA ROSA 0 934 07/04/2011 - 14:45 Português
Poesia/Tristeza CRISE EXISTENCIAL 0 950 07/04/2011 - 14:42 Português
Poesia/Fantasia IREI VER-TE 0 1.073 07/04/2011 - 14:39 Português
Poesia/Dedicado MULHER 0 1.042 07/04/2011 - 14:37 Português
Poesia/Fantasia DECLARAÇÃO DE AMOR À POESIA 0 1.055 07/04/2011 - 14:34 Português
Poesia/Paixão PAIXÃO DO POEMA E DA POESIA 0 1.344 07/04/2011 - 14:31 Português
Poesia/Fantasia POEMA DE LINHO 0 2.181 07/04/2011 - 14:23 Português
Poesia/Fantasia POESIA TÃO MULHER 0 1.402 07/04/2011 - 13:57 Português
Poesia/Desilusão AGITAÇÃO 0 1.161 07/04/2011 - 11:29 Português
Poesia/Desilusão DESALENTO 0 1.179 07/04/2011 - 11:26 Português
Poesia/Desilusão QUIETA 0 1.024 07/04/2011 - 11:19 Português
Poesia/Fantasia MAR DE MIRAGENS 0 1.439 07/02/2011 - 18:33 Português
Poesia/Dedicado AMORES-PERFEITOS (homenagem a Cecília Meireles) 0 1.258 07/02/2011 - 18:31 Português
Poesia/Erótico INCUMPRIMENTO 0 1.491 07/02/2011 - 18:26 Português
Poesia/Fantasia PEDIDO 1 714 07/01/2011 - 01:01 Português
Poesia/Desilusão HOJE ESTOU TRISTE 3 1.403 06/30/2011 - 22:31 Português
Poesia/Fantasia A MUSA E A PENA 0 1.400 06/30/2011 - 21:52 Português
Poesia/Erótico AMOR DE PELE 0 1.128 06/30/2011 - 14:26 Português
Poesia/Fantasia ANJO DE ASAS CORTADAS 0 1.918 06/30/2011 - 14:24 Português
Poesia/Desilusão PERDOA-ME VIDA III 0 933 06/30/2011 - 14:16 Português
Poesia/Desilusão PERDOA-ME VIDA II 0 1.115 06/30/2011 - 14:15 Português
Poesia/Desilusão PERDOA-ME VIDA I 0 1.065 06/30/2011 - 14:13 Português
Poesia/Fantasia FLOR DE PAPIRO 0 1.595 06/30/2011 - 14:01 Português