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Dias de Azar XV

- Sabes quem é? Como se chama?
- Antes não soubesse. Conheço-a, aliás ela dividiu casa comigo e eu conheço-a bem até. – Marisa queria contar, mas não sabia como:
- É bonita? Estuda o quê? – a curiosidade de Mariana, fazia Marisa sentir-se obrigada a contar tudo, ou seja, não conseguiria fazer com que Mariana percebesse que a namorada de Renato era ela.
- É uma miúda normal. Era da minha turma... – Mariana estava em pulgas, notava-se isso na sua postura:
- Fala-me sobre ela… - Marisa começa a estranhar tanto interesse por parte de Mariana:
- Porque estás tão interessada em saber tanto sobre ela? – Mariana, fraquejava, não pensara que Marisa fosse suspeitar de tantas perguntas. No fundo não era só curiosidade, Mariana escondia qualquer coisa por detrás de tanto interesse:
- Por nada! Apenas curiosidade! – Marisa sorriu:
- Podes falar comigo, não conto nada a ninguém, aliás só estou aqui com o Renato, porque é a única pessoa que conheço realmente bem aqui. – a fila não se mexia, ao longe, onde a comida era servida, um rapaz baixinho e gordinho reclamava aos berros a falta de diversidade alimentar. Marisa olha para lá, apoiando-se em Renato. Marisa teria 1.70 metros, comenta com Renato:
- Falta de diversidade? – Marisa sentia-se equivocada com aquele rapaz, como poderia ele afirmar aquilo? Existiam 4 variedades de comida:
- Não ligues! É sempre assim, queixa-se de tudo e acaba sempre por ir repetir… - Marisa ria-se, era inevitável. Mariana apercebera que poderia continuar a conversa que mantinha anteriormente com Marisa:
- Esquece as minhas perguntas… - Marisa não a deixa terminar:
- Não queres falar aqui, é isso?
- É, está muita gente aqui, não quero que meio mundo saiba. – Marisa agarra-a pelo braço:
- Vamos só à casa de banho, voltamos já. – os rapazes garantiram que se a fila andasse para frente as avisariam.
Chegam à casa de banho, após andarem pelo meio de centenas de pessoas. Apesar de ser uma faculdade muito frequentada, aquela hora todas as raparigas se encontravam na cantina a almoçar. Marisa fez questão de verificar que todos os espaços individuais da casa de banho estavam vazios:
- Acho que já podes contar! – Mariana olha-a nos olhos e começa a falar a medo:
- Bom acho que posso confiar em ti! Guardas este segredo? – Marisa encontrava-se extremamente curiosa, mas ao mesmo tempo sentia-se igualmente com medo, qual seria o segredo? Envolveria Renato? Marisa senta-se ao lado de Mariana na bancada ao lado do lavatório:
- Será o nosso segredo, prometo-te!
Entretanto na cantina, o rapaz que tanto berrava, continuava o seu maravilhoso espectáculo, nem mesmo a extrema calma dos empregados que serviam a comida, conseguia faze-lo desistir das suas estúpidas queixas. Renato e os restantes colegas assistiam surpreendidos aquele triste espectáculo. Será que ele não percebia que estava a ser ouvido por todos e quem estava a ficar mal visto era ele? Renato encosta-se à parede, estava fresca, ou contrário da temperatura ambiente daquela cantina:
- Este gajo deve ter ficado sem um parafuso, só pode! – David ria-se imenso, aliás todos eles não conseguiam controlar a enorme vontade de rir que aquela situação provocava.
Mariana começava a sentir-se nervosa, era como se naquele dia o maior segredo da sua vida tivesse que ser revelado:
- Eu… - Marisa começava a sentir-se também nervosa e algo impaciente:
- Não tenhas medo de falar, só cá estamos as duas e além disso estás a enervar-te sem necessidade. Quanto mais rápido falares, mais rápido te vês livre desse peso que sentes por não contares a ninguém.
- Não é isso… tenho medo que tudo isto seja apenas da minha cabeça… - Marisa começava a sentir os nervos à flor da pele com tantos rodeios:
- Fala de uma vez miúda! – sorri. Não queria que o seu nervosismo se notasse no seu tom de voz.
- Desculpa, isto é complicado.
- Suponho que sim…
- Bom deixemo-nos de rodeios… eu amo o Renato! – o céu caíra aos pés de Marisa. Pensara nessa hipótese quando Mariana revelou tanta curiosidade quanto à namorada de Renato, mas não a quis pensar nisso:
- Não dizes nada Marisa? – Marisa engolia em seco, sentiria medo de perder Renato? Nem ela própria sabia o que sentia naquele momento:
- Digo somente estou surpreendida. Não sei se posso dar a minha opinião, mas sinto que devo dá-la. – Mariana questiona Marisa:
- O que faço? - Marisa fazia a mesma pergunta a si própria.
- Acho que devias falar com ele! Só ele te poderá ajudar. Queres a minha opinião? – Mariana mexe a cabeça como dizendo que sim:
- Não leves a mal, mas conhecendo o Renato como conheço, não tenhas muitas esperanças, ele gosta realmente da namorada, e os últimos 8 meses uniram-nos ainda mais. – Mariana começa então a sentir as lágrimas correrem-lhe pelo rosto abaixo, queria perguntar a Marisa o que se passara nos últimos 8 meses, mas Marisa poderia remeter-se ao silêncio:
- O que se passou nos últimos 8 meses? – Marisa olha para o chão, aos poucos vinham-lhe à cabeça todas as imagens de todo o pesadelo que vivera:
- Desculpa só ele te poderá responder a isso, são assuntos pessoais dele, e não quero quebrar a promessa que lhe fiz. – Mariana olhava-a atentamente, as lágrimas iam deslizando pela sua face. Nunca Marisa tinha visto aquela miúda assim, aliás custava-lhe saber toda a verdade e não contar.
Mariana pressentia que Marisa lhe escondia qualquer coisa, só assim haveria explicação para expressão fácil que Marisa tinha:
- Achas que tenho hipóteses com ele? – Marisa olha-a nos olhos era obvio que a sua cabeça dizia que Mariana nunca teria hipóteses, mas o seu coração doce nunca lhe permitiria magoar ninguém:
- Só saberás isso quando falares com ele, só ele te poderá responder a isso. – estava a terminar a frase quando o seu telemóvel toca, tira-o do bolso, atende. Do outro lado Renato percebe que algo se passa de errado, o tom de voz de Marisa dizia-lhe que devia preocupar-se:
- A fila já andou bastante para a frente. Despachem-se, senão não comem hoje. Até já… - Marisa salta para o chão:
- Não vale a pena teres medo. Lava a cara e recompõe-te, porque se fores para lá com essa cara, eles não param de te perguntar coisas. – no fundo Marisa só queria proteger um pouco Mariana.
- Obrigada por me ouvires! E desculpa tantas perguntas sobre o assunto, mas sentia mesmo de necessidade de falar com alguém que o conheça bem. – Marisa pega na sua mala, naquele dia pesada devido à quantidade de fotocópias que transportava. Marisa lembra-se subitamente:
- Espera lá: tu não namoras? – Mariana desvia o olhar do lavatório, nunca esperava aquela pergunta, aliás não tinha reparado que enquanto conversavam na cantina, Marisa observara que esta estava de mão dada com Pedro. Tal como Mariana, também Pedro estudara no mesmo colégio que Marisa:
- Sim, com o Pedro! Porquê? – Marisa começava a estranhar toda aquela história, aliás Marisa nunca compreendera as raparigas que namoram com uma pessoa gostando de outra. Algumas vezes falava com Renato sobre o assunto, este tinha a mesma opinião:
- Por nada! Porque não acabas com ele? – Mariana olhava-a perplexamente:
- Não o quero magoar, para além disso nem sei como dizer-lhe.
- Estás a magoa-lo indirectamente, mais vale seres sincera com ele do que andares a engana-lo e dar-lhe falsas esperanças. – Mariana preparava-se para a ultima pergunta antes de abandonarem a casa de banho:
- Achas que devo faze-lo? – Marisa olha para ela, como pensando na pergunta ridícula que Mariana lhe colocara. Era obvio que devia faze-lo:
- Claro que sim! Ele provavelmente já reparou que sentes um carinho especial pelo Renato…- entra uma rapariga na casa de banho, olha-as como se, se perguntando porque se tinham calado no exacto momento que esta entrara no WC.
Caminharam em direcção à cantina calmamente. Quando lá chegam não vêm nenhum dos rapazes que as acompanhavam. Marisa avista poucos metros à frente Leonor, corre em direcção a ela, toca-lhe ao de leve no braço:
- Leonor, viste o Renato? – Leonor e André olham ao mesmo tempo. leonor pensa um pouco, poucos segundos depois, responde:
- Vi querida!
- Onde? Eu fui ao WC e deixei-o aqui com os colegas… - André intromete-se:
- Está ali à frente, queres que vá lá contigo? – André para além de bastante alto, era bastante simpático. Sempre que possível ajudava toda a gente, era isso que encantava Leonor. Conheciam-se apenas desde o inicio do ano lectivo, mas já eram considerados pelos colegas de curso, o melhor casal que alguma vez conheceram:
- Se não te importares de ir comigo lá, agradecia-te imenso. – André olhou para Leonor, sorriu:
- Não te importas que vá com ela, nonor? – era carinhosamente assim que André tratava Leonor:
- Não, vai lá! – André largar a mão de Leonor. Caminharam rapidamente até eles, quando lá chegam:
- Obrigada André! – André sorriu, voltou para o seu lugar. David começa na brincadeira:
- As meninas demoraram tanto! O quê que a casa de banho tinha de especial para demorarem tanto? – Marisa sorriu. Sentia pela primeira vez que David começava a habituar-se à ideia dela ser casada com Renato. Mariana olhava intensamente para Renato, quando este olha, os olhos de Mariana desviam-se:
- O que disseste Davs? – David era assim conhecido entre os amigos e colegas:
- Estava a perguntar o quê que a casa de banho teria de interessante para terem demorado tanto tempo! – Mariana manda-lhe uma sapatada no ombro, este sorri:
- Estava só a brincar Marianinha! – Mariana sorri. Aquele sorriso não era tão puro como o de à 1 hora atrás, naquele momento pensava como iria falar com Renato.
A fila ia andando rapidamente para grande alívio de Marisa. Quando chegam finalmente à altura de escolher o que queriam comer, Renato quase comete um erro:
- O que vais comer am… - Marisa toca-lhe no braço. Marisa tinha esse vício, não pretendia divulgar o seu segredo e muito menos magoar Mariana.

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terça-feira, agosto 17, 2010 - 11:19

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lau_almeida

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Comentários

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Re: Dias de Azar XV

Fui a correr ler o anterior ( que já não me recordava bem 9 e cá estou fresquinho a analisar mais um bom capitulo.
O diálogo continua fluido, as personagens não sofrem alterações drásticas e o fio da historia permanece seguro.
Parabens.

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tem que ser...:) Obrigada:D

tem que ser...:)

Obrigada:D

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