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Dias de Azar XVIII

Tomou a palavra:
- Tem calma Renato, ela está bem.
- Mas o que se passa Ana? – o seu coração batia rapidamente, nunca soubera controlar as emoções e naquele momento sentia-se o homem mais infeliz do Mundo. Queria a todo custo abraçar Marisa, ter a certeza que ela estava mesmo bem. Ana toma a palavra:
- O desmaio foi causado por sobredosagem de um medicamento… - Leonor que conhecera à pouco tempo Marisa, não deixa Ana terminar, perguntando:
- Mas está tudo bem com ela? – Ana sorri. Estava habituadíssima a casos semelhantes e talvez por isso decidira ser o mais frontal possível.
- Está! Por precaução ela vai passar cá esta noite. – Renato sentia-se mais aliviado, mas ao mesmo tempo o aperto que sentia no seu coração permanecia intacto.
Ana preparava-se para abandonar a sala de espera, quando os pais de Marisa chegam finalmente. Sem perder grande tempo, Maria, a mãe de Marisa pergunta:
- Como está a minha filha? – todos olham para ela. Ana e Renato sorriem e respondem ao mesmo tempo:
- Está bem dona Maria, apenas precisa de descanso e de mimos! – Maria apesar de alarmada estava mais descansada, sabia que Marisa estava em excelentes mãos.
- Obrigada novamente Ana por tudo o que tens feito pela Marisa! – O rosto de Maria enchia-se de dezenas de gotas salgadas. Toda a sua vida lutara para que as suas filhas tivessem tudo e conseguissem ser alguém na vida, no entanto o casamento de Marisa fora sem dúvida um grande choque, talvez porque Marisa nunca fora uma miúda como todas as outras da sua idade, sempre tivera maturidade suficiente para fazer as suas escolhas, ponderando todos os riscos, ao contrário da sua irmã, que sempre vivera sempre sem pensar nas consequências dos seus actos.
- Podemos vê-la? – Anne sentia-se ansiosa por ver a sua amiga.
- Sim, um de cada vez e não a podem cansar muito, ela está sedada… - Maria não a deixa terminar:
- Porquê Ana?
- Para realizarmos um dos exames tivemos que a sedar! Ela está consciente, mas é natural que ela não consiga falar muito tempo. – Anne sorriu. Não via Marisa à alguns meses, sentia imensas saudades de conversar com ela. Pediu cuidadosamente:
- Doutora? – Ana olha para ela.
- Diga por favor!
- Como a Marisa vai ficar aqui esta noite, eu posso ficar com ela? – Ana sorriu. Iria colocar em breve perguntar quem ficaria com Marisa durante a noite.
- Claro que podes! Ela precisa de companhia para esta noite, aliás, vai ser uma noite muito complicada para ela e não pretendo que ela se vá abaixo neste momento. – Anne sorriu, olhou para Mickael os seus olhos brilhavam. Ana abandonou a sala.
De repente Renato levanta-se vai para junto de Anne e Mickael, pede cuidadosamente a Anne para acompanhá-lo, lembrara-se que ainda não a havia apresentado a Leonor. Anne arrasta consigo Mickael. Quando chegam à beira de Leonor, Renato toma a palavra:
- Leonor, apresento-te a Anne. Vocês vão ser da mesma turma, a Marisa provavelmente já te falou nela, mas não posso deixar de vos apresentar. Leonor sorri para Anne:
- Prazer, sou a Leonor! – Leonor levanta-se do colo de André. Este olha para Anne e sorri.
- Le plaisir est pour moi, mon nom est Anne! – André levanta-se, dirigia-se à pequena máquina de café presente na sala, quando Anne o interpela:
- Como te chamas? – André volta para trás, responde-lhe:
- André e sou também da tua turma! – Mickael que se havia sentado, levanta-se sabia perfeitamente que o facto de Anne estar à pouco tempo em Portugal, inibia-a muitas vezes de comunicar, já que esta pouco falava português:
- Peço desculpa pela Anne! – sorri. Era de realçar que Mickael era altíssimo, e bastante bonito, tinha um sorriso deslumbrante e uma simpatia fora do normal:
- Oh não há problema, eu acho que ainda consigo comunicar com ela! – Anne sorri, percebera tudo o que Leonor acabava de dizer:
- Il est pire que mon père! –Leonor sorria, frequentara o curso de línguas antes de entrar para engenharia informática, mas desistira porque não se adaptava ao ambiente e ao inglês, mas o francês não era grande problema:
- Bienvenue au club mon cher, parce que Andrew est la même! – André ria-se como uma criança, sabia perfeitamente que a sua protecção agradava a Leonor.
O telemóvel de Maria começa a tocar, tira-o da mala enorme que a acompanhava:
- É a Marina! Deve estar preocupadíssima com a irmã! – atende rapidamente, fala um pouco em inglês, mas quando Marina a questiona sobre o que acontecera, Maria diz-lhe:
- You have to speak to Renato, he does know what happened exactly. – todos os presentes, olhavam Maria de lado, tinha um inglês perfeito. Maria passa o telefone a Renato, este fala com Marina durante mais de 15 minutos, acalmou-a:
- Está descansada, qualquer coisa eu ligo-te! – Marina desliga a chamada. Renato dá o telemóvel a Maria, esta guarda-o. Aos poucos o burburinho da sala terminava, quase todos se haviam sentado. Apenas Renato, Anne e Mickael permaneciam de pé, falavam animadamente, aliás, o sorriso na face de ambos dizia que aquela conversa era interessante.
O silêncio da sala foi interrompido pela entrada inesperada de Mariana. Por momentos os olhos de todos os presentes na sala concentraram-se na figura magra, Leonor que era a pessoa mais próxima da porta envidraçada estava incrédula, levanta-se rapidamente, aproxima-se de Renato. Quase em surdina diz-lhe:
- Vamos ter problemas… - Renato de forma ingénua pergunta:
- Porquê? – Leonor sorri, tremia por todo o lado. Os nervos sempre a fizeram ter reacções corporais estranhas e repentinas. Renato olhava à sua volta, mas não avistava ninguém novo. De repente um toque nas suas costas chama-o atenção, Renato vira-se repentinamente: - Tu? O quê que fazes aqui? – Anne que entretanto se sentara, levanta-se num gesto agressivo e repentino, perguntando:
- Qui est cette fille, Renato? - Mariana olha-a de soslaio, agressivamente diz :
- Só me faltava uma gaja que tem a mania que fala francês ! – Mickael que se encontrava na outra ponta da sala ao telemóvel apercebe-se da situação. Desliga a cha-mada e aproxima-se :
- Miúda, quem é que tem a mania que fala francês ? – Mariana começa-se a rir num tom de gozo. Renato intromete-se :
- Oh Micka, não te preocupes que esta senhora está já a sair daqui !
- Tu é que mandas ? – perguntou Mariana.
- Nem que tenhas que ir arrastada Mariana, mas vais sair daqui ! Quero-te bem longe de mim e sobretudo da Marisa. – Mariana tentava a todo custo entender porquê que Marisa era tão importante para Renato, apesar do seu grande esforço mental não conseguia chegar a qualquer conclusão. O seu pensamento foi interrompido por Anne :
- Sweetie, tem cuidado como falas de mim ! – Mariana solta uma gargalhada, chamando atenção da empregada da secretária, que em voz alta a chama atenção.
- A menina podia baixar o tom de voz ? – Mariana olha-a com ar de gozo:
- Peço desculpa, mas esta menina é que me tratou mal! – Renato agarra-a por um braço, afastando-se de pequeno grupo de pessoas presentes na sala, sussurrou-lhe:
- Desaparece-me da frente, antes que eu me passe e te magoe a sério! – Mariana sorri, doía-lhe o braço, aliás, com a força com Renato a agarrou o mais provável seria ter os dedos marcados. Sem levantar muito a voz, Mariana diz a Renato:
- Larga-me por favor! Eu saio, mas por favor explica-me porquê que a Marisa é tão importante na tua vida! – Renato olha-a nos olhos, sorri. Talvez não soubesse muito bem o que dizer, mas o nome Marisa despertou-lhe um brilho extraordinário nos olhos.
- Um dia Mariana saberás! Neste momento quero-te daqui para fora e o mais rápido possível, estamos todos muitíssimo nervosos e sem paciência para os teus histe-rismos. – apesar de contrariada, Mariana dirigiu-se à porta, abriu-a e saiu, batendo for-temente a porta. Atrás de si, saiu André e Leonor, já que estes se queriam certificar que Mariana não voltava, quando esta os avista, bate fortemente a porta do seu Renaut Megane, modelo desportivo. Quando esta se preparava para arrancar, abre o vidro, aproveitando a situação Leonor grita:
- Boa viagem! – Mariana através do espelho retrovisor apercebe-se que a sua presença não era de todo desejada. O carro arranca rapidamente, Leonor e André voltam para dentro do departamento. Anne e Renato permaneciam lado a lado de braços cruza-dos, a conversa de outrora continuava.
Ana entra novamente na sala de espera, na sua mão, 3 folhas de papel, comple-tamente preenchidas e com uma cruz para uma assinatura, dirige-se a Anne:
- Importaste de assinar este papel? – Anne sorri:
- Non, il vous suffit de me chercher un stylo? – Ana sorri, nunca gostara muito de falar francês, na verdade pouco entendia de francês :
- Claro ! – dirige-se à secretária pede educadamente à funcionária. Ana chama Anne, esta assina cuidadosamente os papéis. . Mickael levanta-se, dirige-se a Ana:
- Posso trata-la por tu? – Mickael era muito prático, não gostava de ser tratado por você, portanto também não conseguia tratar ninguém por você. Ana não perde tempo a responder:
- Sim, até se torna melhor para mim. Sou a Ana, prazer e tu?
- Mickael, muito prazer em conhecer-te. – sorriu. Falava com as mãos nos bolsos de trás:
- A Anne precisa de uma tomada para ligar o portátil porque prometeu aos pais que falava com eles mal chegasse cá. – Ana estava confusa, porquê que Anne não pedia ela própria?
- Eu arranjo. Qualquer coisa que ela precise, é só pedir-me, ando sempre pelo corredor. – Mickael começa a rir, era obvio que Ana ainda não tinha percebido que Anne não falava português:
- O problema é mesmo esse, a Anne não fala português, apenas francês. – Ana entrava em desespero, iria ser complicado comunicar com ela, apesar de provavelmente não se conseguir desenvencilhar sozinha com o francês disse:
- Não há problema. Nós entendemo-nos. – sorriu para Anne. Esta não entendera quase nada do que Ana acabara de dizer:
- Mickael ce que dit le médecin? – Mickael olha para ela, sorri:
- Il a dit qu'il vous comprend. – Anne sorri. Olha para Ana:
- J'espère que quelqu'un qui refuse de me parler! – habitualmente quase ninguém lhe falava, já que esta pouco ou nada falava de português. Os pais estavam emigrados à mais de 30 anos na França. Raramente falavam português em casa e isso atrasou bastante Anne:
- Renato ajuda-me, como é que se diz: eu não deixo de falar com as pessoas só porque elas não falam português. – Mickael percebera que o francês não era o forte de Ana. Renato sorri e toma a palavra:
- Oh Ana não me digas que não percebes francês… - Ana não o deixa terminar:
- Deixa de ser engraçadinho. Sabes perfeitamente que estudei em Londres, portanto o inglês é mais a minha área.
 

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sábado, fevereiro 12, 2011 - 01:58

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