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O fantasma da velha escola - 15

-Eu quero saber o que aconteceu! Quem são vocês e por que a Lilith está tão...abalada?
-Querida, como ela está?
-Esgotada e assustada. Tive de dar um calmante a ela.
-Escute, querida, melhor você se sentar, porque o que vou contar parece impossível.
-Certo mas, quem são vocês e por que os vidros da casa quebraram assim?
-Vou explicar tudo.
Marcão e Alfredinho ouviram o pai de Lilith contar tudo, desde as visões da filha até o ritual. Quando ele terminou, a mulher falou:
-C-como?! Mas isso não é possível! Jônatas, essa história é totalmente absurda!
-Não, querida, não é. Tudo isso tem acontecido com nossa filha desde os quatro anos.
A mulher cobriu o rosto com as mãos, chorando.
-E nós sempre nos perguntamos qual o problema com a Lilith! Não entendíamos o porquê dela gritar durante a noite ou se esconder debaixo da cama com a lanterna acesa e perguntamos ao terapeuta infantil o que podia ser! Ele falou que podia ser medo do escuro e que era normal na idade dela! Vocês deviam ver como é para os pais verem que a filha deles não consegue se enturmar! Achávamos que fosse inadequação e sentimento de rejeição por achar que os pais de verdade não a quiseram!
O pai continuou:
-Tentamos sempre fazer com que a Lilith veja que a amamos como se fosse nossa filha de verdade e não entendíamos o que havia com ela. Eu pensava que fosse depressão e me preocupei quando ela começou a se vestir só de preto. Mas o terapeuta disse que era fase e nos aconselhou a não proibir. Recentemente, estávamos com medo de que ela estivesse com anorexia nervosa, não querida?
Os pais de Lilith falavam mais para si mesmos, não dando atenção a Marcão e Alfredinho, que estavam embaraçados.
A mãe secou os olhos e olhou para eles com raiva:
-Seus dois idiotas! Vejam o que fizeram! Eu nem quero imaginar o que podia ter acontecido com a minha filha!
-Senhora, nós...começou Marcão.
-Cale-se, rapaz! Você tem sorte de não ser meu filho, senão eu lhe daria uma surra!cortou o pai de Lilith.
Os pais de Marcão vieram e perguntaram:
-O que aconteceu?
O pai de Lilith se apresentou e pediu que sentassem.
-Não querem tomar algo?perguntou a mãe de Lilith.
-Não, obrigada.respondeu a mãe de Marcão.
A mãe de Marcão olhou para os vidros quebrados espalhados pela sala, sem entender o que acontecera e de que forma seu filho, cuja cabeça estava baixa, poderia estar envolvido.
Devagar, o pai de Lilith começou a contar tudo ao casal surpreso e incrédulo. A mãe olhou para Marcão incrédula e aflita:
-Marcos, meu filho, é verdade?
Marcão continuou de cabeça baixa, sem coragem de olhar para seus pais, que escutavam a história horrorizados. O pai dele protestou:
-Eu não acredito que vocês fizeram tamanha burrice! Crescem para quê? Fale alguma coisa, Marcos, fale!
Marcão não falou, e o pai de Lilith disse a Alfredinho:
-Fale da visita que minha filha fez à sua casa, rapaz.
Envergonhado, Alfredinho falou da visita e da conversa que tivera com Marcão.
-Isso não é possível! a mãe de Marcão ainda não queria acreditar.
Ouviram a campainha. Era a mãe de Alfredinho, que também se assustou com os vidros quebrados. A mulher se adiantou:
-Tenho certeza de que meu filho não fez nada de errado. Foi um engano.
Os pais de Lilith e Marcão a puseram a par de tudo, mas ela não quis acreditar.
-Não, meu filho Alfredo é um rapaz maduro. Jamais se envolveria com isso. E que história é essa de ver gente morta? Isso é impossível!Alfredo não é de fazer isso!
O pai de Marcão falou:
-Eu não consigo acreditar que tudo isso aconteceu.
Marcão resolveu falar:
-Mas é tudo verdade, pai. Veja o ritual!deu um papel ao pai, que o leu de olhos arregalados.
Curioso, o pai de Lilith pegou o papel e, após lê-lo, vociferou:
-O médium que participa do ritual põe sua vida em risco?! A Lilith sabia disso, rapaz?
Envergonhados, os rapazes balançaram negativamente as cabeças.
-Meu Deus, Marcos! Veja tudo que aconteceu! Vocês foram a um lugar abandonado de noite, deixaram o José Afonso ali, não contaram a ninguém e ainda fizeram essa porcaria de ritual! Fale alguma coisa, Marcos! O José Afonso era seu amigo e você fez isso! E ainda fez essa menina correr perigo!
A mãe de Alfredinho se revoltou:
-Meu filho é um bom menino, não tem culpa de nada! A culpa - olhou para Marcão - foi sua e do seu amigo. Estavam cheios de más intenções! Meu Alfredinho foi uma vítima em toda essa história. E também posso dizer que foi culpa dessa menina!
-O quê?!os pais de Lilith se enraiveceram.
-Eu já vi sua filha muitas vezes enquanto pegava ou deixava meu filho na escola e ele me falou que a chamavam de doida! Aliás, qualquer um vê que ela não tem o juízo certo! E que pessoa em seu juízo certo ficaria falando de fantasmas para assombrar os outros como ela fez? Assombrou o meu filho!
-Senhora, está na minha casa!gritou o pai de Lilith.
-Sou mãe e vou defender meu filho! Ele me falava muito que esse rapaz - encarou Marcão- e o rapaz morto zombavam dele, chamando-o de nerd! Tinham inveja, isso sim, porque meu filho é o primeiro da turma e eles eram péssimos alunos!
-Senhora - o pai de Marcão tentou pôr panos quentes - todos erraram nessa história. Meu filho errou, o José Afonso errou e o seu errou! Se meu filho fazia bullying com o seu, peço desculpas por isso, mas não use isso para diminuir a responsabilidade do seu filho.
-Pois eu vou embora daqui!Alfredinho, vamos para casa!
Assim que Alfredinho e a mãe se foram, o pai de Marcão perguntou ao de Lilith:
-Contamos aos pais do José Afonso?
-Não, melhor que não saibam. Apenas sofreriam mais.
-Bem, quero que me passe a conta do prejuízo. Quero pagar.observou os cacos de vidro.
-Eu só quero que seu filho não chegue mais perto da minha filha.
-É uma exigência justa.Bem, nós vamos embora. Marcos, levante-se.Vamos.
Sempre de cabeça baixa, Marcão foi embora com os pais.
Vendo os vidros quebrados, os pais de Lilith concordaram em recolhê-los. De todos os problemas com que teriam de lidar, aquele era sem dúvida o menos grave.
-Precisamos pensar em como ajudar a Lilith, Jônatas.
-Antes de tudo, mostremos a ela qeu não está sozinha e que nós a apoiaremos sempre.
Passaram pelo quarto de Lilith. Ela dormia.

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domingo, agosto 30, 2015 - 11:36

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