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Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela
O Entrevistado do mês é um espaço onde se pretende dar a conhecer e serve como prémio aos que, no entender dos administradores desta comunidade, melhor encarnam o espírito WAF. Os critérios da entrevista são de mérito. Não de vendas, de cliques, de Tops, de número de participações ou da procura do melhor poeta do mundo(tal coisa não existe).

Tal Espaço pretende dar a conhecer um pouco mais da pessoa por trás do avatar.

Não se procura nada mais do que a opinião livre de cada um dos entrevistados. A mesma deve ter o respeito de todos nós.

O Fábio, suponho eu, já escreve há bastante tempo e inclusive tem 8 livros publicados, os quais passo a enumerar:
-Sobrevivendo com o Câncer
-Deusas e Deuses Hindus,
-Versos e Reversos,
-Personagens e Lugares Bíblicos
-Lilian em Versos,
-Adaptação de "Os Lusíadas" para o Português Atual
-Crônicos Contos Poéticos
-Filosofia
É um apaixonado por Historia, mitologia e pelos caminhos da metafísica não é?
Fale-nos um pouco destas paixões, que através dos seus escritos, partilha conosco aqui na WAF.

Sim. De fato. Desde a mais tenra idade que heroínas e heróis mitológicos habitam meus Mundos. Na escola, aos Mitos acresci o fascínio pelos Homens que se destacaram de alguma forma e junto com essas biografias surgiram os primeiros “por quês?” filosóficos. Passei a buscar respostas para as mais variadas afirmações e/ou negações. Se antes eu já era um leitor compulsivo, tal compulsão virou idiossincrasia e os saberes que se foram acumulando (por força da “Teoria dos Vasos Comunicantes?”) foram deixando o necessário, passando o excedente a ser parte da matéria que uso para construir meus livros e outros textos. Como nasci em uma família constantemente ameaçada com a falência financeira total, o aprendizado da miséria, completou o material necessário para a construção citada. Meu primeiro livro “Sobrevivendo com o Câncer” é um exemplo dessa formação, pois ao receber o diagnóstico de ser canceroso, busquei em bibliotecas virtuais e físicas, livros sobre o assunto, já queria conhecer melhor o inimigo que deveria combater; mas tudo que achei foram livros escritos por médicos para serem lidos por outros médicos. Não era o que eu necessitava. Eu queria entender como era o progresso da doença, quais dores eu sofreria, até que ponto seria mutilado, como e de que forma iria morrer etc. São, aliás, dúvidas de quase todos que iniciam essa jornada e foi então que fiz um diário e, dele, um livro, na esperança que auxiliasse aos que, como eu entram nesse verdadeiro labirinto de Astérion. Hoje o livro está na sua 7ª edição, é totalmente gratuito e já chegou aos EUA, aos países da América do Sul e até em parte do Oriente, mais precisamente no Japão. Planejo nova edição para o ano que vem, abordando inclusive a desesperança que nos acarretou as promessas não cumpridas pelos entusiastas do Genoma Humano. Os outros livros seguem uma regra básica: quebrar o hermetismo da linguagem em que são ou foram escritos, permitindo assim que o cidadão comum e de pouca cultura (principalmente em meu país onde ainda existem tantos bolsões de pobreza matéria e intelectual) possa desfrutar de manjares como “Os Lusíadas”, sem a necessidade de percorrer, por exemplo, a história de Portugal e as da Mitologia. Idem com os demais. Sempre tendo o cuidado de fugir das tolas fórmulas que são encontradas em alguns Livros de Auto-Ajuda. A boa aceitação do público, Inês, além de me afagar a vaidade - devo confessar, provaram-me estar na trilha certa: todos nós buscamos conhecer em mais profundidade os assuntos, que embora interfiram em nossos cotidianos, são recobertos por tola simbologia e mistérios sem sentidos. Normalmente frutos de vaidades de Classes, Corporações ou Indivíduos que julgam que um linguajar empolado, pernóstico, o diferenciará positivamente dos demais.

Como tomou conhecimento da nossa comunidade? Já é membro desde Maio de 2009, qual o balanço que faz deste tempo aqui connosco?

Através doutro Web Site de Literatura onde mantenho uma coluna. Lá, vi o anúncio do WAF e a oportunidade de concorrer ao premio de “Ministro da Cultura” fez-me adentrar ao elenco. Logo no primeiro comentário que recebi – de Keyla Patricia, salvo engano – percebi que mais que um Site de Literatos, o Waf é como se fosse uma grande família, onde todas as tendências se acomodam e convivem em perfeita harmonia. É, sinceramente, aqui que eu encontro minhas âncoras e minhas colunas que me amparam nos piores dias da enfermidade.

Dizem que : “Filho de peixe sabe nadar” o Fábio é pai da nossa querida Cecília Iacona, também ela poeta-membro da WAF, como se sente a assistir ao percurso dela e a saber que ambos partilham a paixão das letras?

Inês permita-me fazer um esclarecimento: A Cecília, infelizmente, não é minha fila biológica. Conhecemo-nos aqui mesmo, no WAF, e tacitamente unimos dois desejos: o meu de ter uma filha como ela e, penso, o dela de ter um pai. E como em tais casos a biologia é de somenos, o fato é que a amo como amo meu filho biológico, o Thyago. Ambos me ofertam tantas coisas boas, bonitas, dignas e generosas que me sinto um privilegiado por ser chamado de Pai, por dois anjos.

O Fábio escreve muitos poemas dedicados ao feminino, acha que o poeta é um perseguidor do amor impossível? Fale-nos dessa demanda.

Sempre vivi intensamente, tanto nos aspectos políticos, literários e boêmios. Em cada qual pude observar a mulher em sua plenitude e sempre soube que amá-las é um desdobramento natural. Vivi tórridas paixões, avassaladores amores ardentes e a calma dos amores seguros. De tudo que vi, ouvi e senti, muito me ficou e são esses resquícios que fazem a matéria prima do Canto às Musas que sempre tenho. Tu me perguntas se acho que o Poeta busca o “amor impossível”, mas falando por mim, digo que não. Busca apenas a primeira parte da expressão. Busca o amor, que possa ser conjugado em todos os tempos e modos.

O que representa para si a escrita?

Minha extensão. Talvez minha única verdade.

Fale um pouco sobre o seu projeto "Dicionário Sintético" que tem vindo a partilhar.

O dicionário de Filosofia partiu de um fato curioso. Estando internado na semi-UTI, o senhor que estava na cama ao lado recebia com regularidade a visita de uma senhora, que suponho fosse sua esposa. Ao fim de cada visita, ela o abençoava invocando as graças do “Santo Japonês Gordinho”. Não foi difícil supor que ela se referia a Buda e desse fato singular surgiu a observação do quão longe está o Pensar Filosófico das pessoas comuns. Já em casa, escuto meu filho usar o jargão de sua Universidade (Unicamp, onde cursa Antropologia, Sociologia e Ciências Políticas) rotineiramente. Ligando, pois, esses dois fatos, conclui que seria necessário adequar os Conceitos Filosóficos a uma linguagem coloquial, atual e facilmente compreensível pelo (a) leitor (a) comum; ou seja, aquele (a) que de tão assoberbado pelos compromissos diários não tem tempo para se ocupar do que lhe é mais importante: ele mesmo. Do argumento parti para a pesquisa e para a redação e hoje a obra está finalizada. Será um compêndio dividido em dois volumes, com duzentos e sete “Sistemas Filosóficos” explicados minuciosamente e de tal forma que possam ser compreendidos em pouco tempo. Claro que é uma mera condensação e que não substituirá nunca a leitura completa dos Grandes Mestres, mas se a obra já tiver dado o impulso inicial a tais estudos estarei realizado. A licença de publicação será da Ed. Seven System International e o lançamento, espera-se, acontecerá antes do final de Setembro corrente.

Ficha Técnica

-Obra Marcante: Dentre tantas outras: Eneida de Virgilio; Os Lusíadas, de Camões; Madame Bovary, de Flaubert; O Crime e o Castigo, de Dostoievsky; O Mundo como Vontade e Representação, de Schopenhauer; as “Criticas” de Kant; a “República”, de Platão; o Mahabharata, autoria desconhecida; as Upanishads; a obra completa de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo, José de Saramago (sobretudo em “O Evangelho segundo Jesus”) alguns outros autores e, sobretudo, Carlos Drumonnd de Andrade.

-Fonte de Inspiração: Essa magia que se chamar de “Viver”

- Filme Preferido: Não gosto de cinema, mas destacarei: “Johnny vai à Guerra”, “O ovo da Serpente” de Bergman e alguns outros do cinema francês.

- Canção de Eleição: A Ária de “Carmina Burana”, de Carl Off ; a Ária da Bachiana nº 5, de Heitor de Villa Lobos, a da Traviata e a de Madame Butterfly. Normalmente prefiro música erudita, apenas tocada e não cantada.

- A Imagem que Valeu Mil Palavras: A foto tirada de uma garota queimada por Napalm, na guerra do Vietnã. Não só por ela, mas pela expressão de um menino que está atrás da mesma, no lado esquerdo. Seu pequeno rosto é a máscara acabada do pavor que se sente ante a ferocidade dos Homens.

- Uma palavra que te descreva: Insistente.

- O Jantar Perfeito: O que fosse compartilhado por todos.

ESTA ENTREVISTA FOI EFECTUADA POR Librisscriptaest

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Comentários

imagem de sanderscat

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Olá Fábio,

Muitos parabéns pela entrevista.
Gostei de lhe conhecer, ainda mais por nada saber de si.
Estou em dívida, mas quando tiver um tempo, vou ler alguns escritos seus.
O WAF é mesmo uma casa de amigos, apesar de eu estar meia ausente também é a minha família. E que começo a ter uma lista enorme de dívidas dos novos e dos "velhos" Wafferes.

Um beijo e continua Fábio. :-)

Catherina

imagem de RobertoEstevesdaFonseca

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Olá, Fabio.

Esta é uma justa homenagem a um escritor de um enorme talento em seu ofício, e além disso dono de uma riquíssima cultura que nos faz aprender tanto com as leituras de seus textos. Tudo isto conjugado a uma grande pessoa humana.
Parabéns!
Um grande abraço!
Roberto

imagem de SuzeteBrainer

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Eu sou uma leitora assídua dos poemas de Fábio, publicados na waf.Na minha opinião enriquece o site com a beleza e a arte literária dos seus versos.E essa bela e profunda entrevista, respalda ainda mais, o seu talento nos escritos e na vida, como vencedor de si mesmo.Compartilho com o Fábio que o maior patrimônio perene que o ser humano pode construir é o patrimônio cultural.
Quero parabenizar a Inês pela entrevista tão bem conduzida.
Um grande abraço para esse grande poeta!
:-)Suzete.

imagem de Librisscriptaest

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Para mim foi um verdadeiro privilégio ficar a conhecer melhor o nosso querido Fábio Vilela!
Um homem muito interessante com uma sabedoria deliciosa e uma simplicidade enternecedora!
As letras do Fábio enobrecem esta comunidade, a pessoa além-poeta enobrece-nos a todos pelo lado humano que nos toca e contagia!
Muito, muito obrigada Fábio pela sua tão bela e tocante partilha!
Um beijinho muito grande em si!
Inês Dunas

imagem de Henrique

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Grande e boa entrevista!!!

Fábio, alguém sempre presente nesta casa!!!

Um abraço amigo!!!

É um prazer tê-lo aqui com os seus escritos!!!

:-)

imagem de angelalugo

Re: Entrevista do mês de Setembro de 2010: Fábio Villela

Olá caro poeta Fábio

Como este espaço é importante para poder conhecer
melhor a alma de quem está a escrever com o coração
e aqui se vai conhecendo o melhor e maior conteúdo
de uma escrita o ser vivente na sua qualidade de
humano...Amei a sua entrevista e adorei te conhecer
na sua essência...Parabéns a você e ao entrevistador (a)

Beijinhos no coração

Saúde e Paz o restante vem atrás