Estores

Estou frustrado. Decepcionado. Chateado. Furibundo. Raios…

Se existe alguma coisa que me deixa assim é querer fazer algo (que julgava conseguir fazer) e não conseguir. Hoje, tinha a incumbência de arranjar um maldito estore que, já havia alguns dias, se tinha soltado do lugar onde supostamente devia estar preso.

Pus mãos à obra com muita vontade e confiança. Mas desde cedo percebi que os astros não estavam comigo a ajudar-me nesta empreitada. Antes de conseguir chegar ao que ali me tinha levado, o estore decidiu pura e simplesmente descarrilar saindo da calha onde devia “correr”. Para os voltar a colocar foi o “cabo dos trabalhos”. Suei as “estopinhas do Algarve” e houve uma altura em que me apeteceu desistir.

Foi duro e sujo, tamanha a quantidade de pó que se foi alojando, não só na indumentária como, no próprio corpo. Depois de concluída (com muito custo, diga-se) essa tarefa herculeana, a mola do enrolador (se for enrolador o nome dado aquele estúpido dispositivo que está preso à parede e onde “corre” a fita que faz subir e descer o estore) decidiu dar “ares da sua graça” e sem qualquer aviso prévio (e sem razão aparente – pelo menos ao meu entendimento) soltou-se do sítio onde devia estar presa.

Bolas. Já era muita falta de sorte. “Que mal fiz eu a Deus para merecer isto?!” – Perguntava aos meus, já muito empoeirados, botões. E para voltar a coloca-la?! É o “voltas”... Dei voltas e voltas e o “raios parta” da mola permanecia teimosamente solta, sem funcionar. “Desisto. Não quero, nem vou tão pouco mexer mais nisto. Estou farto.” – Pensei alto, acompanhando este discurso de um bom vernáculo português (que aqui não me pareceu bem reproduzir – pois tenho uma imagem a preservar).

Como resultado desta inaptidão técnica o estore acabou por ficar ainda pior do que estava. Isso vai obrigar-me a chamar um técnico competente para o arranjar. “Ele que se amanhe. Não quero saber.”. Há dias assim. Detesto estores. Que coisa tão “mal parida” que quando se estraga (o que devia ser proibido ou, então, ter garantia de, pelo menos, 30 anos) não tem um arranjo fácil.

Hoje, enquanto estragava ainda mais aquele estore, pensei que não me teria feito nada mal ter passado, pelo menos, 1 ano no Instituto Superior Técnico. Sempre teria valido para alguma coisa... para mais que não fosse, a perceber de molas…

Luís Alturas, 10 de Dezembro de 2011
 

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Sábado, Diciembre 17, 2011 - 00:05

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