Venho assolado p'lo vento Sul

Sinto de repente tão pouco,
Sumiu-se a poção do falar,
Mãos mil atadas por visco,
Desobrigam-me de acção,

Mas contínuo vazio, se luto por me soltar,
Opto por me deixar
Prender, se não me bato,
“Foi –se tod’acção, se-calhar“

Pudesse fazer-me eu sentir nos versos.
Muito mais são, que louco
Porquanto sinto de repente tão pouco,
A não ser ideias - a sós

Com que tempero o pensamento.
Vejo vistas, telas em que só eu me iludo,
Venho em tornados que sopram muito vento
Mas sinto a maior solidão do mundo

Em redor de mim… todo- faça o que faça-
Sinto-me de repente tão pouco,
Que até as mãos me convencem,
De que estou de facto, ficando louco,

Mas, o que de mim, vier alguém a ler,
Será o contacto efémero
Que mais perto hás-de ter,
Do fundo e puro sentir d’outro,

Sim, porque eu sinto tão pouco,
Que nem a'spada fria m'atravessando,
Nem a agonia dum povo, nem o corpo,
Que m’arde, nem a tarde, nem o cedo

Emprestam sentido, ao meu sentir,
Tão pouco o sol qu’m’invade, desperto;
Mas dormindo, sei sempre, sempre d’ond vir,
Pois venho assolado p’lo vento mudo e tanto…tanto...

Joel Matos (01/2013)
http://namastibetpoems.blogspot.com

Submited by

Miércoles, Noviembre 13, 2013 - 13:22

Poesia :

Sin votos aún

Joel

Imagen de Joel
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 1 día 10 horas
Integró: 12/20/2009
Posts:
Points: 43915

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Joel

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/General Sal Marinho, lágrimas de mar. 23 1.723 12/11/2025 - 22:11 Portuguese
Ministério da Poesia/General O sonho de Platão ou a justificação do mundo 20 2.711 12/11/2025 - 22:11 Portuguese
Ministério da Poesia/General Horror Vacui 34 1.704 12/11/2025 - 22:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Dramatis Personae 20 1.924 12/11/2025 - 22:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Adiado “sine die” 20 3.371 12/11/2025 - 22:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General “Umano, Troppo umano” 21 1.300 12/11/2025 - 22:07 Portuguese
Ministério da Poesia/General Durmo onde um rio corre 20 1.776 12/11/2025 - 22:06 Portuguese
Ministério da Poesia/General Deito-me ao comprido 33 3.229 12/11/2025 - 22:05 Portuguese
Ministério da Poesia/General Me dói tudo isso 16 2.085 12/11/2025 - 22:04 Portuguese
Ministério da Poesia/General “Ave atque vale” 31 3.331 12/11/2025 - 22:03 Portuguese
Ministério da Poesia/General Da interpretação ao sonho 23 3.453 12/11/2025 - 22:02 Portuguese
Ministério da Poesia/General Meu, sou eu 18 2.427 12/11/2025 - 22:01 Portuguese
Ministério da Poesia/General Todo eu sou qualquer coisa 29 2.769 12/11/2025 - 22:00 Portuguese
Ministério da Poesia/General Atrai-me o medo 18 2.171 12/11/2025 - 21:59 Portuguese
Ministério da Poesia/General Esperança perdida. 16 1.147 12/11/2025 - 21:59 Portuguese
Ministério da Poesia/General Parece que me dividi 14 1.671 12/11/2025 - 21:58 Portuguese
Ministério da Poesia/General Do exílio não se regressa 13 1.768 12/11/2025 - 21:57 Portuguese
Poesia/General Não fosse eu poesia, 16 3.214 10/29/2025 - 19:41 Portuguese
Ministério da Poesia/General Ricardo Reis 61 6.024 10/28/2025 - 19:16 Portuguese
Ministério da Poesia/General Notas de um velho nojento 29 7.506 04/01/2025 - 10:16 Portuguese
Ministério da Poesia/General Insha’Allah 44 5.523 04/01/2025 - 10:03 Portuguese
Ministério da Poesia/General São como nossas as lágrimas 10 5.025 04/01/2025 - 10:02 Portuguese
Ministério da Poesia/General Recordo a papel de seda 19 3.505 04/01/2025 - 10:00 Portuguese
Ministério da Poesia/General Duvido do que sei, 10 2.960 04/01/2025 - 09:58 Portuguese
Poesia/General Entreguei-me a quem eu era 10 3.265 04/01/2025 - 09:56 Portuguese