A Autobiografia

 Nasci numa floresta da Germânia. Minha mãe se escondeu entre os arbustos enquanto meu pai e outros da tribo lutavam contra uma centúria. Cresci livre nos campos e tornei-me caçador e comerciante de peles. Aos treze segui viagem para o leste e passei um tempo trabalhando nos campos franceses. Dali, me alistei como soldado e acompanhei Napoleão Bonaparte em sua conquista. Cansei-me da guerra e tornei-me poeta e escritor. Conheci Rimbaud e com ele passava horas imerso em provocações regadas a absinto. Depois, encontrei Baudelaire que me ensinou a beber. Durante anos vaguei pela Europa visitando cidades e vilarejos com nomes tão diferentes que não poderia, mesmo se quisesse, lembrar os nomes de todos eles.

    Então, num dia ensolarado, passando pela terras baixas, chamou-me a atenção a visão de um homem franzino que usava um imenso chapéu de palha. Sentado em um banquinho, pintava em uma tela num transe. Aproximei-me e fiquei observando a arte se fazer presente naquelas cores, no amarelo predominante, naquela paisagem aonde os girassóis tomavam toda a cena.

    Dali fui para a Espanha. Em um bar, conheci Garcia Lorca e trocamos ideias sobre a cultura em geral. Decidi continuar minha viagem, comprei uma passagem para a América. Percorri o Mississipi até chegar as plantações de algodão. Um dia, caminhando por uma estrada quase deserta, cheguei a uma encruzilhada aonde encontrei um jovem negro sentado em uma mala, dedilhando seu violão. Seu nome era Robert Johnson e ele aguardava um comerciante ou coisa parecida, pois me falou que precisava fazer uma troca.

    Alistei-me como voluntário e fui lutar no Vietnã. Passei lá dois longos anos até que descobri o zen budismo. Rumei para o Japão aonde morei por oito anos. Num cargueiro, cheguei na ilha de Cuba aonde fui interrogado e depois enviado para conhecer um medico argentino que era encarregado do local. O chamavam de "Che". Conversamos durante muito tempo sobre política, economia e filosofia. E, quando o assunto chegou nesse ponto, fui apresentado a Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir. Me despedi daquele grupo e viajei para a Inglaterra. Meu navio aportou em Hamburgo. Acompanhei uns amigos marinheiros até um lugar chamado Kaiserkeller aonde um quarteto se apresentava. Achei estranho o nome do grupo "The Beatles". Mas, enfim, até que tocavam direitinho.

    Retornei à América deixando para trás um casal de amigos Astrid e Stu aos quais havia prometido escrever sempre que possível. cabei não enviando uma carta sequer e, tempos depois, soube que Stu havia falecido. O que me entristeceu tanto quanto ao meu amigo John Winston Lennon que também era próximo dele.

    Viajei de motocicleta por três anos. Meus diários foram roubados em algum quarto de hotel. Então, são escassas as memórias daquele período. Chegando no Uruguai, dei meia volta e parei no Rio Grande do Sul aonde resolvi me registrar no dia 9 de outubro d 1970. Pensei que aquela era uma boa data para se iniciar uma história, uma nova vida. Uma vida, enfim...

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Jueves, Noviembre 28, 2013 - 10:22

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Daniel Kobra

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parte da trilogia "redenção" na qual constam as músicas: "Praiana", "Essa cançao" e "Teatro do Destino".

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A Autobiografia

Uma autobiografia e tanto. Sábio conhecimento de tantos lugares possíveis e imaginários.
Abraços

http://oacendedordecoracoes.blogspot.com.br

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Obrigado!

Obrigado, minha querida Debora!

Apenas estive brincando com as infinitas possibilidades da escrita! ;)

Bjs!

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