Assim será o juízo final

Jesus, entronado em sua glória, se acomodou sob a sombra de uma centenária oliveira e dali contemplou toda a raça humana, que se mostrava apreensiva à sua frente.

Longas ladainhas eram declinadas. Terços e rosários dedilhados pelas mãos e corações de piedosas senhoras. Homens em alinhados ternos e gravatas, mulheres bem vestidas sendo a maioria de cabelos longos; todos com suas bíblias nas mãos caminhavam entoando louvores, em direção a Jesus.
Jovens cantavam e tocavam frenéticos: soul, swing, grunge, heavy-metal, louvando o Senhor.
Muitos se acotovelavam tentando, mais e mais, se aproximar; outros se esquivavam, cobriam os rostos e se ocultavam distantes, evitando contemplá-lo.
Todos eram ordenados, vigiados e contidos pelas hostes flamejantes das potestades, dos querubins, serafins e anjos que subiam e desciam pelo portal aberto entre a terra e o céu.

Com soberana calma, com divina humildade e ostensiva majestade, Jesus, liturgicamente, estendeu a mão e colheu um dos bem-me-queres que, em abundância, vicejava junto à relva. Enquanto sentia o perfume da pequena florzinha, os querubins fizeram soar as trombetas.

O silêncio foi repentino.
Jesus chamou pelo nome, o primeiro ser vivente. Com a voz austera de um juiz, com a face terna de um pai, pediu a este que se acomodasse à sua frente. Com um leve e maroto sorriso, fixou nele o seu olhar e começou a despetalar a florinha amarela, dizendo:
- Bem me quer, mal me quer; salvo, condenado; salvo, condenado; salvo... tadinho, você, meu filho, ta´ condenado!

-Mas, Mestre, e as minhas boas ações?
Eu freqüentei a Igreja de São Judas durante 20 anos? Eu recebi todos os sacramentos. Eu coordenei pastorais, trabalhei nas festas, nos bingos... eu era amigo do Pe. Elísio, do Pe. Francisco, e do Pe. Bosco. Eu convivi com muitos pastores e respeitei a todos, eu tive muitos amigos evangélicos. Eu sei que o Mestre conhece todos estes. Ah, Meu Deus! Me ajuda!

- Filho, eu não te dei livre arbítrio? Pois, eu também tenho livre arbítrio. Se eu posso escolher, então, o que me impede de julgar desta forma: “Mal me quer, bem me quer; salvo, condenado; salvo, condenado!”

Esta atitude não caracteriza a justiça divina, e está distante até da justiça social pregada pelos profetas. Os profetas não foram otimistas quanto à sociedade a que pertenceram, e ousaram vociferar contra as abundantes falhas que os cercavam. Tornaram frágeis suas vidas, mas não se calaram. Seus oráculos, suas visões, repreensões, escarmentos, vaticínios eram baseados no amor ao próximo. E, no que se baseiam então os preceitos, os mandamentos divinos? Em que se baseia, a justiça divina? Claro que no amor maior, no amor divino. Mas, se o juízo final fosse agora, você estaria pronto para o julgamento?

“Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim. Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes (no sangue do cordeiro) para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

Você realmente se banhou no sangue que por nós foi derramado na cruz? Banhar-se no sangue é colorir com o vermelho do amor de Cristo as boas obras. Toda obra em favor do próximo é boa quando está ancorada em Cristo. Isto é diferente de agir bem, somente porque se tem boa índole. Ter ética, ter moral é obrigação. Ter amor é atributo cristão.

Então para muitos o Mestre dirá: "Vem, meu filho e recosta tua cabeça em meus ombros. Eu te conheço desde o dia em que nasceste. Eu te dei os mandamentos e os procuraste seguir. Eu te dei os sacramentos e com eles dirigiste a tua vida. Eu mandei o meu Espírito Consolador e tu o ouviste. Eu te dei minha mãe e a aceitaste.
Tens um lugar no meu reino. Entre, a casa é tua".

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Domingo, Junio 26, 2016 - 12:49

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