(Ouçam-me, pra que eu possa…)

Ouçam-me só, para que eu possa…
O que escuto possuí um nó oblíquo como o destino,
Tem vazios e interstícios complexos, ausências,
Prevalece o que puder eu fundear entre as marés,
Amor, saudade ou o que a serenidade existencial
Conseguir não explicar e o que eu escuso,
Apesar de ser segredo, debato-a comigo,
É uma Pérgula d’esguelha com roseiras,
Nem-abertas nem-fechadas, invisível
Da entrada. O que me dói tanto é oblíquo,
Quanto a esfera armilar, do lado onde tudo pende,
É abismo fundo em mar noz, donde parece,
Ninguém vem e onde nem no chão cresce avenca,
Que erre eu o rumo tanto se me dá e ainda assim
Entendo mas não estou errado quando escuto
O preciso momento em que absoluto iniquo
Do meu pensar toca o imo do que sinto,
Se calhar atento, eu escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa, nasço
Ao destino com alfaias em forma de sinetas
De mil por mil alternáveis movimentos de ir e de vir,
A minha vida cresceu enviusada e em nó,
Ouçam-me só pra que eu possa ouvir
Quem cala e passa, que me diga onde pára
Meu destino, longe amonte e me foge ocioso,
Sem amarra nem mar pra parar,
Onde há-de ele me ir sonhar,
Onde há-de ele me vir sonhar,
(Ouçam-me só, pra que eu possa…)
Jorge Santos (12/2014)
Submited by
Ministério da Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 10389 reads
Add comment
other contents of Joel
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/General | Sal Marinho, lágrimas de mar. | 23 | 1.619 | 12/11/2025 - 22:11 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | O sonho de Platão ou a justificação do mundo | 20 | 2.349 | 12/11/2025 - 22:11 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Horror Vacui | 34 | 1.606 | 12/11/2025 - 22:09 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Dramatis Personae | 20 | 1.901 | 12/11/2025 - 22:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Adiado “sine die” | 20 | 3.186 | 12/11/2025 - 22:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | “Umano, Troppo umano” | 21 | 1.207 | 12/11/2025 - 22:07 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Durmo onde um rio corre | 20 | 1.648 | 12/11/2025 - 22:06 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Deito-me ao comprido | 33 | 2.929 | 12/11/2025 - 22:05 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Me dói tudo isso | 16 | 2.004 | 12/11/2025 - 22:04 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | “Ave atque vale” | 31 | 3.106 | 12/11/2025 - 22:03 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Da interpretação ao sonho | 23 | 3.107 | 12/11/2025 - 22:02 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Meu, sou eu | 18 | 2.118 | 12/11/2025 - 22:01 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Todo eu sou qualquer coisa | 29 | 2.525 | 12/11/2025 - 22:00 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Atrai-me o medo | 18 | 2.002 | 12/11/2025 - 21:59 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Esperança perdida. | 16 | 1.113 | 12/11/2025 - 21:59 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Parece que me dividi | 14 | 1.604 | 12/11/2025 - 21:58 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Do exílio não se regressa | 13 | 1.612 | 12/11/2025 - 21:57 | Portuguese | |
| Poesia/General | Não fosse eu poesia, | 16 | 2.853 | 10/29/2025 - 19:41 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Ricardo Reis | 61 | 5.996 | 10/28/2025 - 19:16 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Notas de um velho nojento | 29 | 7.465 | 04/01/2025 - 10:16 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Insha’Allah | 44 | 5.196 | 04/01/2025 - 10:03 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | São como nossas as lágrimas | 10 | 4.992 | 04/01/2025 - 10:02 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Recordo a papel de seda | 19 | 3.366 | 04/01/2025 - 10:00 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Duvido do que sei, | 10 | 2.951 | 04/01/2025 - 09:58 | Portuguese | |
| Poesia/General | Entreguei-me a quem eu era | 10 | 3.126 | 04/01/2025 - 09:56 | Portuguese |






Comentarios
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa
escuto a analogia dos
escuto a analogia dos erros
Repetidos noutra e noutras dimensões, ironia
Do órgão nativo e sem tempo que dói sem doer,
Mas seduz-me o espreitar pelas frinchas do mundo,
E o enrolar das ondas vela-me aquando a bonança,
Reina e o temporal amaina e me amansa