A Cimitarra
Suplicando ser investida:
avançar, pura e cortante
e talhar, insanamente
a linha berrante
duma carne incandescente,
de, metal, desprotegida;
Ceifar-lhe em densos sulcos
e se lhe haver embebida
do sepulcro;
Regozijar o exangue ardente...
e espraiar das vísceras pampas,
o sangue, per se tanto encovar...
E na cor que se renovar;
brilhar a champa,
em carmins raios de sol!
Farfalhar, tornando escol
quem em anos tantos, lhe empunha
e com esmero lhe acabrunha...
Duelar com a fronte,
doutra luzida em guarda-mão;
ser brilhosa, soltar-se em clarão
quando aos trapes e fagulhas!
Despontada ao horizonte,
refletir-se no pombo, que fita e arrulha
um purpúreo pranto de revolta;
Se embotar, posta de volta
relembrar, já embainhada
que investida puramente,
perfurando, faiscando n’outra espada;
viu-se em carne desalmada,
viu-se brilho de rubim!...
encovilando e, foscamente,
maculando seu talim!...
Osvaldo Fernandes
Submited by
Poesia :
- Inicie sesión para enviar comentarios
- 1587 reads
Add comment
other contents of Nyrleon
| Tema | Título | Respuestas | Lecturas |
Último envío |
Idioma | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Poesia/Soneto | Pro Inferno | 3 | 1.225 | 01/07/2010 - 13:49 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Universo Incomum | 3 | 822 | 01/07/2010 - 03:22 | Portuguese | |
| Poesia/General | Ao eu-lírico | 2 | 1.029 | 01/04/2010 - 19:20 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Trovões Internos | 3 | 1.180 | 01/04/2010 - 12:52 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | À Musa de Ouro | 4 | 1.146 | 01/03/2010 - 08:01 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | O Não-dito | 3 | 920 | 01/03/2010 - 04:20 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Cartas de Amor | 6 | 1.331 | 01/02/2010 - 17:15 | Portuguese | |
| Poesia/General | A Amante | 5 | 950 | 01/02/2010 - 17:06 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Juiz Certeza | 3 | 1.027 | 01/02/2010 - 04:29 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Animal Sentimental | 2 | 994 | 12/31/2009 - 22:55 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Estar Fora de Mim | 5 | 784 | 12/31/2009 - 19:27 | Portuguese | |
| Poesia/Desilusión | Autocida | 3 | 1.450 | 12/31/2009 - 16:25 | Portuguese | |
| Poesia/Desilusión | Amor de Desilusão | 3 | 1.223 | 12/31/2009 - 13:24 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Quem o Amor? | 3 | 959 | 12/31/2009 - 07:20 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Foi-se | 2 | 1.257 | 12/28/2009 - 16:14 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Verdes no Verde | 2 | 1.553 | 12/28/2009 - 15:55 | Portuguese | |
| Poesia/General | Ultimogênito | 3 | 909 | 12/28/2009 - 15:03 | Portuguese | |
| Poesia/Meditación | Quero o Natal | 3 | 1.219 | 12/25/2009 - 15:56 | Portuguese | |
| Poesia/General | Embora de Mim | 3 | 1.165 | 12/25/2009 - 13:58 | Portuguese | |
| Poesia/General | Desbravador | 4 | 1.222 | 12/25/2009 - 13:54 | Portuguese | |
| Prosas/Otros | Na Floresta Interior | 2 | 1.253 | 12/24/2009 - 20:19 | Portuguese | |
| Poesia/Soneto | Escrevendo o Amor | 8 | 1.311 | 12/24/2009 - 19:44 | Portuguese | |
| Poesia/General | Cansaço | 5 | 1.508 | 12/24/2009 - 19:42 | Portuguese | |
| Poesia/Intervención | O Preço da Liberdade | 3 | 1.115 | 12/23/2009 - 22:24 | Portuguese | |
| Poesia/Dedicada | Ao Bola | 4 | 1.580 | 12/23/2009 - 02:56 | Portuguese |






Comentarios
Re: A Cimitarra
LINDO SEU POEMA, QUE DISSERTA SOBRE A TEMÍVEL ESPADA TURCA, COM SEU FORMATO LARGO E CURVO, TAMBÉM CHAMADA DE SABRE! (também usada pelos Árabes e Persas)
Meus parabéns,
Marne
Re: A Cimitarra
Num breve bruxuleio...
..alguns versos:
"Suplicando ser investida:
avançar, pura e cortante
e talhar, insanamente
a linha berrante
duma carne incandescente,
de, metal, desprotegida;"
Quem se permite, sem metal...
...incandesce;
sofre e fenece;
e machuca.
Mas me permito...
...e as espadas se tocam...
...faiscando...
...e logo então...
...brilhando o sangue que lhes é tirado.
O sangue que nos era pra pulsar...
...e se esvai em brilhos: exangue.
Talvez o talim seja o que no coração guardo.
Talvez... nem mais haja coração.
Talvez... só reste talvez.
----------------------
Há muito mais nuns versos...
..do que eles nos podem proferir.
----------------------
Beijos!
Beijos!
A todos que leram!
Re: A Cimitarra
Ah! Nize!
E eu amo os seus devaneios.
A sua sensibilidade é tremenda.
Mais parece apenas o poema...
...mas é como uma fresta na escuridão...
...que deixo aberto a quem, com olhos poéticos, possa enxergar.
Este aí... é simples... e tão, tão, tão denso!
Há muito mais em um verso do que o próprio pode exprimir.
Lendo suas palavras.. só tenho a escrever coisas que me são de belíssimas energias. E assim o farei! Prometo!
Um grande beijo! E obrigado, sempre, pela leitura e lealdade! Nossa!
Que gostoso isso!
=***
Bjs bjs bjs bjs!
Re: A Cimitarra
Cimitarra = ( scimitar em inglês, saif em árabe, shamshir no Irã, kiliij na Turquia, pulwar no Afeganistão, talwar ou tulwar na Índia e Paquistão)
uma espada de lâmina curva mais larga na extremidade
livre, com gume convexo, utilizada por certos povos
orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos.
Meu querido, que espada mortal, cortante, que foi
embainhada no talim da pequena talim.
Que agonia da amada que lançou feitiços de lutas
e guerras...
espero que não tenha, eu sido por demais talim
em meu comentário.
um grande bj em seu coração de rapaz...
ps: sempre amo teus poemas, como este e tantos.