A Cimitarra

Suplicando ser investida:
avançar, pura e cortante
e talhar, insanamente
a linha berrante
duma carne incandescente,
de, metal, desprotegida;

Ceifar-lhe em densos sulcos
e se lhe haver embebida
do sepulcro;
Regozijar o exangue ardente...
e espraiar das vísceras pampas,
o sangue, per se tanto encovar...

E na cor que se renovar;
brilhar a champa,
em carmins raios de sol!
Farfalhar, tornando escol
quem em anos tantos, lhe empunha
e com esmero lhe acabrunha...

Duelar com a fronte,
doutra luzida em guarda-mão;
ser brilhosa, soltar-se em clarão
quando aos trapes e fagulhas!
Despontada ao horizonte,
refletir-se no pombo, que fita e arrulha
um purpúreo pranto de revolta;

Se embotar, posta de volta
relembrar, já embainhada
que investida puramente,
perfurando, faiscando n’outra espada;
viu-se em carne desalmada,
viu-se brilho de rubim!...
encovilando e, foscamente,
maculando seu talim!...

Osvaldo Fernandes

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Sábado, Enero 16, 2010 - 18:01

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Nyrleon

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Comentarios

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Re: A Cimitarra

LINDO SEU POEMA, QUE DISSERTA SOBRE A TEMÍVEL ESPADA TURCA, COM SEU FORMATO LARGO E CURVO, TAMBÉM CHAMADA DE SABRE! (também usada pelos Árabes e Persas)
Meus parabéns,
Marne

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Re: A Cimitarra

Num breve bruxuleio...
..alguns versos:

"Suplicando ser investida:
avançar, pura e cortante
e talhar, insanamente
a linha berrante
duma carne incandescente,
de, metal, desprotegida;"

Quem se permite, sem metal...
...incandesce;
sofre e fenece;
e machuca.

Mas me permito...
...e as espadas se tocam...
...faiscando...
...e logo então...
...brilhando o sangue que lhes é tirado.

O sangue que nos era pra pulsar...
...e se esvai em brilhos: exangue.
Talvez o talim seja o que no coração guardo.
Talvez... nem mais haja coração.
Talvez... só reste talvez.

----------------------
Há muito mais nuns versos...
..do que eles nos podem proferir.
----------------------
Beijos!
Beijos!
A todos que leram!

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Re: A Cimitarra

Ah! Nize!
E eu amo os seus devaneios.
A sua sensibilidade é tremenda.

Mais parece apenas o poema...
...mas é como uma fresta na escuridão...
...que deixo aberto a quem, com olhos poéticos, possa enxergar.
Este aí... é simples... e tão, tão, tão denso!
Há muito mais em um verso do que o próprio pode exprimir.

Lendo suas palavras.. só tenho a escrever coisas que me são de belíssimas energias. E assim o farei! Prometo!

Um grande beijo! E obrigado, sempre, pela leitura e lealdade! Nossa!
Que gostoso isso!
=***

Bjs bjs bjs bjs!

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Re: A Cimitarra

Cimitarra = ( scimitar em inglês, saif em árabe, shamshir no Irã, kiliij na Turquia, pulwar no Afeganistão, talwar ou tulwar na Índia e Paquistão)
uma espada de lâmina curva mais larga na extremidade
livre, com gume convexo, utilizada por certos povos
orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos.

Meu querido, que espada mortal, cortante, que foi
embainhada no talim da pequena talim.
Que agonia da amada que lançou feitiços de lutas
e guerras...

espero que não tenha, eu sido por demais talim
em meu comentário.

um grande bj em seu coração de rapaz...

ps: sempre amo teus poemas, como este e tantos.

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