Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer, - meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou ao caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear, - tábua tosca, de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...

Ó minha pobre mãe!... Não te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.

Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.

Camilo Pessanha

Submited by

Jueves, Abril 9, 2009 - 22:38

Poesia Consagrada :

Sin votos aún

CamiloPessanha

Imagen de CamiloPessanha
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 15 años 10 semanas
Integró: 04/09/2009
Posts:
Points: 150

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of CamiloPessanha

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Fotos/Perfil Camilo Pessanha 0 1.227 11/23/2010 - 23:37 Portuguese
Poesia Consagrada/General Final 0 934 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Voz débil que passas 0 894 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Se andava no Jardim 0 1.180 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Singra o navio. Sob a agua clara 0 1.009 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ó meu coração torna para traz 0 1.033 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Esvelta surge! Vem das aguas, nua 0 1.069 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/Soneto Desce em folhedos tenros a collina 0 947 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/Soneto Tatuagens complicadas do meu peito 0 1.318 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Estátua 0 731 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Caminho 0 986 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Interrogação 0 900 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Viola Chinesa 0 956 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Castelo de Óbidos 0 894 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Violoncelo 0 908 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ao longe os barcos de flores 0 1.054 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Fonógrafo 0 1.062 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General II A Morte, no Pego-Dragão 0 844 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General E eis quanto resta do idílio acabado 0 1.278 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Inscrição 0 909 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Passou o Outono já, já torna o frio... 0 1.009 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho 0 971 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ao meu coração um peso de ferro 0 960 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Chorae arcadas 0 846 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Canção da Partida 0 991 11/19/2010 - 15:49 Portuguese