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Entranhas da Contemporaneidade

A voz não cessa
E luta furiosamente
Para uivar no ouvido do mundo.

Rasgo a camisa no peito,
Ajoelho e grito
Levanto a cabeça e choro
Corto o peito tocando-o
Na plenitude do artista ao tocar suas harpas celestiais
No ouriçado dom das notas entregues ao ar,
Toco a ferida com a mesma sutileza...
São as cordas avermelhadas das hemácias.

Grua audaz da contemporaneidade
Liberte-nos desta prisão lacustre
Concreto, ferragem, elevadores...
Semblantes misturados de milhões de rostos na forma de um só rosto
Monstro voraz de várias personalidades
De gênios infindos, de mixórdia.
Quero fugir deste rosto Frankenstein.

Luzes, aço, plástico, pneus...
Amanhece entardece anoitece amanhece entardece anoitece...
Tudo é louco, tudo é hora,
É minuto, é segundo,
É ânsia, é fúria, é ódio,
Nódoa mordaz nas veias do irrequieto
Rompimento das fibras do porvir
Não quero, não quero, e me é forçado a engolir por goela abaixo a velocidade.

Asfaltos, prédios, aviões, trens, navios...
Bala, bala, bala...
Zunido, zunido, zunido...zummmmmmmmmm...
Cambaleia, cambaleia, cambaleia...
Corre, corre, corre...
Fere, fere, fere...
Ferido, ferido, ferido...
Neste ínterim surgem os monges com o capuz da modernidade
Para a celebração das bestiais criaturas da astúcia
Cabeça, susto, tiro, grito...
Dinheiro, carro, fuga...

O tempo é um cachorro feroz que fareja os rastros da culpa.
A metrópole é uma cadela no cio que não consegue fugir dos cães famintos.

Os narizes são podres,
O podre é perfume para narinas podres.
Os dias foram esquecidos
A noite foi estuprada
As semanas, os meses, os anos fugiram do medo.
Chuva, chuva, chuva...
Sol, sol, sol...
Noite, noite, noite...
Vozes, choro, medo, insegurança...
Deleite, conforto, luxo...
Tento correr, tento fugir, mas a eletricidade me espanca e me faz de refém.

Os pássaros da noite açoitam o dia
Dulia engolida pela boca do mudo
Na língua engolida pela boca do ser que optou por ser mudo.

O petróleo é um oceano no qual luto para não morrer afogado
E acabo morrendo por hipotermia.

Bares, prostituição, vício, sexo, jogo...
O vício é um remédio para quem está doente de realidade.

A larva nasceu através da morte
A morte quase morreu de dor ao parir a larva.

(Anel de fogo)

Jogo impudico, cuja sensualidade é a esperança.
Todos querem a vida na tentativa de ter riqueza, fama, saúde...

A morte é a antítese da vida
Ninguém quer a morte por temer que ela seja uma ladra da esperança.

O azar odeia a sorte
Sorte e azar lutam na arena da fortuna, mas o azar sempre joga sujo.

(Lantejoulas nos seios da perversão)

Surdez, surdez, surdez...
Fecho os olhos para não...

O desejo é o pecado que sacrifica a carne.

Olhar para ver o que não se pode ver
Escrever para mostrar o que ninguém pode saber.

A sabedoria é um ouro fácil de encontrar, porém, para tê-la é preciso dignidade.
Luta dor força raiva medo coragem dó...
Há, há, há. Haaaaaaa he, he, he heeeeeehaaaahaaa…
Tosse, tosse, tosse…
Sombra, cratera, beco, sarjeta...
Perfume pele preço.
Fantasmas celestiais dos vultos angelicais
Portas batendo, cólera, braço, soco.

Amigo inimigo íntimo
Inimigo amigo íntimo

(Pântanos de sentimentos)

O amanhã é um véu
A vida é uma prostituta promíscua

O fim é uma dama tímida

A biblioteca é um menino pobre fantasiado de satanás

O amor é um eco:
Várias vozes atiradas para o nada que retornam para os ouvidos sem dizer nada.

A contemporaneidade é uma fera atroz abortada
Nos soluços absurdos de nossas almas.

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domingo, agosto 23, 2009 - 19:54

Poesia :

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Alcantra

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Comentários

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

Audaz, rebelde, interventivo, louco...
Gostei bastante
Abraço

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

jopeman, como diria Nietzche, "é preciso muito caos e frenesi dentro de si para dar luz a uma estrela dançante".

Muito obrigado,

Alcantra

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

A sabedoria é um ouro fácil de encontrar, porém, para tê-la é preciso dignidade.

É de tirar o flolego... Mto bom ;-)

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

Tiger, tentamos fugir, mas fugimos para a captura, como num labirinto.

Obrigado mais uma vez!

Abraços,

Alcantra

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

Hora do Rusch na minha mente... nada anda, tudo , corre, calor, sofrimento, pressa, pressa muita pressa, flash do tempo passando, explodindo em cada esquina, neurônios assassinos em cópula bestial no meu sistema límbico estupram o córtex occipital com imagens de violência banal, refletidas na pupila da menina assassinada enquanto via a comtemporaniedade pintar de normmal o tudo purulento, cinza que está imersa até o pescoço... dependurada em uma estrela por um pircing no nariz....

Ufa... Adoreiiiiiiiiiiiii ler... frenético e contemporâneo...impregnante!!!!

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Re: Entranhas da Contemporaneidade

analyra, agradeço pelo comentário tão inteligente, és tão grande quanto suas palavras.

Abraços,

Alcantra

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