CONCURSOS:

Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia?  Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.

 

Fuga

Quanto tempo ainda tenho
Para perder jogando meu olhar
Pela janela coletiva e percebê-lo
Freado no cinza-sujo?

Quanto de mim ainda perderei
Na multidão só e petrificada
Que se preocupa apenas em morrer bem?

Quanto ainda irá crescer
Cidades, procissões, artérias podres
E vias duras que não chega a lugar nenhum?

O relógio rege rígido o rumor rancoroso
E rupestre da ror romântica e ridícula

O nada produzido às máquinas
Enche as nada-vidas em dias de nada

Acho no chão um metal
Levo-o ao ouvido
Escuto o mar que há em mim...
Ondas quebram
Sinto a areia sob meus pés nus
Um sol eterno me faz rir
Envolto a um calor de satisfação

Passa uma garota que não me olha
Porque não tem mais olhos
Mas sinto seus olhos negros
Infinitos de ternura
Que fogem de uma espécie de burca

Sinto sua pulsação de samba
Sua seda, mesmo perdida em trapos mentirosos
Sinto-a leve

Um beijo quer escapar, sinto...
Quente seu desejo quente, sinto...

Ela passa e o homem morto no bar
Estirado sobre vidros
Sente-a também
Acho

Ela se vai...

Leio gritos nas pedras
Que estão tatuadas no chão do cotidiano
Que está tatuado no tempo agora
Que não está tatuado em lugar algum
Mas foi marcado a ferro
Em minha lembrança

Um cachorro semi-vivo rasga meus restos
Na esquina dos heróis
Jogo a ele mais um pedaço meu
Ele cheira e vai embora, não quer

Crianças semi-mortas entoam
Cantigas de roleta-russa
Já brinquei com elas assim
E perdi...
Faz tempo, só não lembro quanto

O tempo faz tempo que passa
E de tempos em tempos
Me pergunto: quanto tempo já isso?

Não me vem respostas
Porque não quero mais respostas
Elas são nada mais que a morte
E preciso da dúvida, que é vida
Que impulsiona

Sou cercado de platonismos
Que me sepultam
Em mármore grego sagrado
E mitos mais humanos
Que os próprios humanos

Entre as verdades
Idealismos e utopias doentes
Sou só fuga
Desse horizonte cinza-sujo
Que freia meu olhar
De esperança
 

Submited by

segunda-feira, março 7, 2011 - 20:53

Poesia :

No votes yet

André Alves Braga

imagem de André Alves Braga
Offline
Título: Membro
Última vez online: há 11 anos 19 semanas
Membro desde: 03/07/2011
Conteúdos:
Pontos: 811

Add comment

Se logue para poder enviar comentários

other contents of André Alves Braga

Tópico Título Respostas Views Last Postícone de ordenação Língua
Poesia/Pensamentos Dia 0 1.155 03/07/2011 - 20:35 Português
Poesia/Gótico Dia das crianças 0 704 03/07/2011 - 20:34 Português
Poesia/Pensamentos Descanso 0 755 03/07/2011 - 20:33 Português
Poesia/Pensamentos Dentição 0 842 03/07/2011 - 20:31 Português
Poesia/Amor Deixa ser 0 708 03/07/2011 - 20:31 Português
Poesia/Desilusão Coroa 0 804 03/07/2011 - 20:28 Português
Poesia/Amor Consolação 0 1.030 03/07/2011 - 20:28 Português
Poesia/Geral Concreta 0 530 03/07/2011 - 20:27 Português
Poesia/Amor Cavaco empenado 0 1.044 03/07/2011 - 20:25 Português
Poesia/Amor Cantoria 0 976 03/07/2011 - 20:24 Português
Poesia/Pensamentos Caminham 0 1.054 03/07/2011 - 20:23 Português
Poesia/Amor Caminha alma minha 0 824 03/07/2011 - 20:22 Português
Poesia/Fantasia Branco 0 672 03/07/2011 - 20:21 Português
Poesia/Amor Bombom 0 719 03/07/2011 - 20:20 Português
Poesia/Amor Bom Jesus dos perdões 0 1.428 03/07/2011 - 20:19 Português
Poesia/Erótico Boca 0 926 03/07/2011 - 20:18 Português
Poesia/Amor Besteiras 0 1.096 03/07/2011 - 20:17 Português
Poesia/Amor Beira Mar 0 944 03/07/2011 - 20:16 Português
Poesia/Amor Ausência 0 682 03/07/2011 - 20:15 Português
Poesia/Erótico Ato 0 1.286 03/07/2011 - 20:15 Português
Poesia/Meditação Atleta 0 950 03/07/2011 - 20:11 Português
Poesia/Geral Ateu 0 634 03/07/2011 - 20:10 Português
Poesia/Pensamentos Atemporal 0 948 03/07/2011 - 20:09 Português
Poesia/Geral Às favas 0 900 03/07/2011 - 20:08 Português
Poesia/Paixão Artigo 219 do Processo (In)Civil 0 806 03/07/2011 - 20:08 Português