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Nós Das Raízes

Dedico este livro


À minha bisavó materna MARIA DA ENCARNAÇÃO


À minha avó materna ADÍLIA DOS ANJOS


À minha mãe MARIA DA CONCEIÇÃO


Os três Nós das Raízes da minha vida.


Há um tempo cravado na memória
Que tem a ferros os nós das raízes
É feito de falas de dizeres de história
Tem tonalidades nuances matizes
Ergue-se do chão em forma de terra
Ergue-se à solidão do vale cercado pela serra
Ergue-se de sonho esperança fortuna
Tem o corpo feito do dia e a alma prenhe pela lua soturna
Há um tempo de verdes prados hortas e cercanias
Aldeias de ruas escuras molhadas sombrias
Searas malhadas cheias de gentes
Campos de batatas cobertos de sementes
No inferno dos Verões o milho os feijões pedindo água
O tempo do Inverno gélido a ferros castigado pela mágoa
Há um tempo pendendo no tronco desse tempo feito escravo
Tem as mãos libertas de nós soltos desatados
Há um tempo morrendo no tempo sem apelo nem agravo
À solta de manhãs despertas para dias consagrados
Na sombra de noites de memória guardando em sonho ilusão
Curvado à sua glória pelo peso da emoção
Há um tempo que clama a meiguice do passado
É chão de palavra é chama de sentidos
Terra de vento lavrada pela mão do arado
Feita força da vitória dos vencidos
Daqueles que cometeram a graça do pecado
Há um tempo de nós que me prende às raízes desta terra sem nome ausente
Que me conta de tudo o que tu me dizes sem querer
Que mata de palavras felizes toda a fome de viver
Que traz pela mão o absurdo de aí tanto querer morrer
Apanha-me no caminho trémula ao andar dormente
Há um tempo de tudo de nós de todos de troncos de raízes
Caminhar dolente afiado cortante e agudo
Tempo de vidas de toda a gente feliz e infelizes
Indiferente
A tudo
...

anabarbarasantoantonio

...//...

PERDIDA

Procuro na alma
O que não encontro
Inóspita saudade
De alguém
E de tudo

Sou lua que gravita á sua volta
Montanha onde me escondo
Da mentira e da verdade
Do medo também
Da ansiedade
Sentir absurdo
Que se solta
Da alma
E não volta
Ninguém
Me quer

No cosmos onde me fui perder
Sou revolta de estrelas e de astros
Navego em vela solta até morrer
Sem trelas e sem mastros
Mil firmamentos da vida já venci
Sem guarda nem escolta
Mas já me perdi

Procura na alma
Perdida
O teu chamamento
A vida
Tão distante e sombria
O pensamento
O dia
Viajante que no negro do sonho se perdeu
A alma oca vazia
Em minhas mãos se desvaneceu
De alegria
Aconteceu
Um dia

 

CESTA DE SONHOS


Os meus sonhos
Vou trazer-tos pela mão
Colhi-os há pouco
No caminho

Enchi a minha cesta de sonhos bem maduros
Colhidos da árvore do destino
Quentes e adocicados como sol de verão
Sãos e tão puros
Desfazendo-se em razão
Como esse estio louco
Que rasga a alvorada
Tão sozinho
Queimando
Como fogo
Em brasa

Provei um desses sonhos sabia a mel
Escorreu a polpa e o sumo
Nos meus lábios acres e de fel
O bafo leitoso de sonho e de fumo
Foi transformado em papel

Os meus sonhos
Vou trazer-tos pela mão
E ao abri-los
Deixarei escorrer em grão
Vou senti-las
Poesia
Solidão do meio-dia
Em minhas mãos
Pegajosas e meladas
Mãos melodia
Quentes adocicadas
Vou deixar na tua mão
As minhas gestas bem guardadas
Dar-tas do fundo do meu coração
Onde estavam aprisionadas

 

VOO DA PALAVRA

Voa voa voa palavra

Para o chão solto das palavras
Onde liberdades poéticas debicam grãos de letras
Espalhadas pelo pátio dos afectos
Grandes pequenas de cores e pretas
Voa voa voa palavra de bico e de penas
Insuspeita de asas leves e serenas
Pousada sobre os verdes abetos
Na floresta dos sonhos e dos medos
Quantos mais segredos guardarás de mim
Florindo sagrados
No chão proibido desse secreto jardim
Entretanto perdido
Nos espaços achados
Quantos mais voos rasgados
Vais tu viver
Voa voa voa palavra
Para o ninho seguro dos livros
Onde te vais esconder
Atrás dos meus olhos crivos
Invade o linho a pedra o pergaminho o papiro a madeira
Cresce viçosa como a erva a rosa o rosmaninho o lírio ou a cidreira
Ergue-te da terra cheirando a húmido sossego
Carregada de vermes pontuando de negro
Um trilho de palavras no leito branco coalhado e azedo
Dessa amalgama de pensamentos e de mágoas vividas
Voa voa voa palavra
Para os olhos de tudo de ti e dos outros
Palavras paridas
Em bocas de loucos
Convence de sentimentos e vidas
O surdo o mudo o cego
Enfim aquele que aos poucos
Eu renego
Vai aprender que as palavras se soltam da alma em frenesim
Como pássaros sem asas dando luz ao ego
Fogo que incendeia brasas que brilham na escuridão
Palavra que eu deixo morrer e nego
Por toda essa solidão
Sem fim

A LOBA

Sou a loba que ouviste ao luar

Descendo a clareira mansamente
Uivando triste
Perdidamente
A soluçar
Da montanha desce e traz a luz
Que há-de iluminar de medo
Quem a ouve
Dentro de portas guarda-se em segredo o uivo dela
De avó para mãe de pai para filho
Como uma herança
Também já eu soube
Um dia uma noite toda a minha vida
Pequenina memória da minha infância
Ficar guardando a noite gelada vencida
Os seus passos marcados sobre a neve fria
Atrás da mortiça janela
Bailado de luz velada e sombria
Ouvindo o choro dela parece uma criança
Ouvindo o grito maior ao sentir-se encurralada
E os homens fazendo a espera
Como archotes iluminando a escuridão enluarada
No ventre pulsando a vida que há-de nascer na Primavera
Um dia
Sou a loba que desce ao vale
Pelo caminho da clareira enevoada
Com fome de palavras
Procurando sustento espalhando o mal
Arrastando as minhas mágoas
Alento que faz dela tão desgraçada
Temente feroz animal
A loba que desce ao curral
Por estar esfomeada

NEGA-ME

Nega-me a firmeza do teu ser
A esse mastro me prendi
E no meu regaço acolhi
A força do teu viver
Nega-me o carinho o abraço
O toque fugidio das tuas mãos
Em nós que ato e desfaço
Deixando escorrer amor em finos grãos
Nega-me de beijos e de aconchegos
Invade-me de dor de receios e de medos
Fica longe de mim
Nega-me as tuas palavras de amor
Leva-me o riso e deixa-me a dor
Levando a minha vida até ao fim
Nega-me a tua luz que me alumia
Aos meus olhos a chorar
De mágoa a transbordar
Nesse farol que me vigia
Nega-me o chão que me vingou
Presa às raízes da loucura
Nega o teu corpo junto ao meu
Aquilo que fui e o que sou
Chão de mágoas e de amargura
Carne da carne igual ao teu
Onde ando firme e insegura
Pela mão dada do doce Orpheu

LAGO DE ÁGUA


No leito de vime entrelaçado
Molda-se azul corpo em riso de gaivotas
Pelo sol sombreado
Espelham as águas quentes paradas
À sombra secreta das horas mortas
Afundam-se em revolta no lago azul
Brancos corpos de finas penas molhadas
Verdes gritos se agitam de amarelo sol no perfumado jardim
De rosados roseirais craveiros negros e pérolas açucenas
E à luz das trevas do sossego afogueado de carmim
Levantam voo às dezenas
Voos rasantes levam ao bico água
Cansada claridade numa pétala cintilante
Que caiem como orvalho sobre folhas vazado
Deixando o lago nu de silencio vencido brilhante
De calor revoltado
Recolhem-se purificadas
Ao redor do espelho líquido
Sangrado
E volta a sentir-se o frenesim esvoaçante
Das gaivotas matando a sede nas águas clareadas
Agitando o lago com o seu voo estonteante
Consagradas aos céus
Pelos homens e por Deus

A CORUJA

Solitária coruja pia tristemente
Guarda o seu ninho no negro telhado
Pia amargurada um choro de gente
Como um menino dum colo roubado

Levaram-lhe os filhos sem explicação
Que dor é ouvir seu triste gemer
Quando a noite desce fria solidão
Que estranho é seu canto parece morrer

Vazios seus olhos brilham noite escura
Sobre o telhado que não quer deixar
Pia desgraçada sua desventura
Pede os seus filhos que vieram roubar

Pia abandonada inerte como um farol
Morre de fome e sede de boa vontade
Ao vento ao frio à chuva e ao sol
Pia tristemente de dor e de saudade

Já ninguém a vê sobre o alto telhado
Todos a procuram com o mesmo olhar
Mas juram ouvir seu pio cansado
Decerto morreu de tanto chorar

CEGA PROMESSA

Irei contigo p’la alvorada das memórias
Deixar tochas acesas nessa escuridão
Irei contigo espalhar feitos e as glórias
Que te darão vivo em prata e ouro esse brasão
Depois do sol morrer e o dia se cansar
Falarei de ti na negra noite já sem medo
E em raiva e em dor hei-de gritar
A todos quantos quiserem ouvir o meu segredo
Fui mulher às mãos de um carrasco
Tive a alma presa a um grilhão
Maltrataram os meus olhos de cansaço
Esvaíram-me o sangue do coração
Ainda húmidas as minhas lágrimas
Lavaram as mãos ensanguentadas
Com o sabão das minhas mágoas
Limparam as feridas infectadas
Mas serás tu covil de tantas desgraças
Em gemido na alma se vão aninhar
Horror e medo na masmorra abraças
No teu peito soluçando o choro a freminhar
Agora que morreste tão só e tão triste
Teu corpo abandonado lá ficou
Vou rir as lágrimas que tu riste
Deixar viver a dor que me cegou

IRMÃ SOROR SAUDADE

Irmã Soror Saudade que por certo me vigias
E tens-te nos meus olhos triste violeta
Guardas o olhar cansado de quem já não confias
Entregas a tua vida a um jogo de roleta
Esse ódio à luz ao sol à eterna claridade
Sentindo como tu essa estranha ansiedade
Que me vem da alma dura e toda ela tão secreta
Invade clareando em ânsia saudade repleta
Nos lábios negra dor e as mãos magras sempre frias

Irmã Soror Saudade das dores imensas tão sombrias
Do riso ensandecido nessa tua morada aberta
Também eu tenho medo de sentir doer as alegrias
Por onde entra dorido e a mágoa assim desperta

Irmã Soror Saudade dolente esse teu amor
Em ti a poesia fez-se meiga alvorada
Em ti esses teus versos sangram a magia da dor
Nascem belos docemente p’las mãos da madrugada

Irmã Soror Saudade dolorosa e cansada
Nessa tua fantasia que louros te prometeram
Levaram-te quase tudo e deixaram-te quase nada
Poetas te cantaram e críticas te teceram
A morte levou-te o corpo que na terra sepultaram
A tua alma em palavras nos livros ficou guardada
Roubando-te ao mar teu desejo não respeitaram
Levando-te ao Alentejo teus sonhos concederam
De mil vontades e ensejos em palavras te negaram
Rainha das mágoas tão mágoas que na tua campa cresceram

QUEM EU SOU


O tempo urge na rudeza dos sentimentos
Quem eu sou já antes fora jamais serei
Sou das searas dos matagais dos pensamentos
Onde vou jamais eu fora lá nunca irei
O tempo voa vai nas folhas que em mim vão poisar
Sou das horas nunca contadas
Dos delitos e das escolhas
Sou das horas há muito paradas
Nos relógios de nunca andar
Tenho marcas de solstícios
De Invernos muito gelados
De primaveras por florir
Tenho dias ensolarados
E nas mãos recolho bagas
Que me dão frutos envergonhados
Tenho nas veias muitos resquícios
Sangue que corre na fonte alma
Olhar da vida sempre a sorrir
Água do rio que corre calma
Voz que emudece a natureza
Tenho a certeza que olho e amo
Tanta beleza que por aí acontece
Sou do tempo que choro e clamo
Memória que em mim não desaparece
Do sentimento aí fechado
Sonho guardado
Que transparece
Das primaveras dos madrigais
Sou de um tempo procurado
Ontem hoje nunca e sempre jamais

PARTOUZE DA NATUREZA


Camélias roseiras buganvílias sardinheiras
Desfloram num cio perfumado
A terra húmida deixa escorrer
Um eterno fluxo menstrual dessas flores aventureiras
Vêm abelhas às centenas esse néctar sorver
Penetrar o cheiro desflorado
Num jardim floral a florescer
Guardado pela alameda de plátanos enturvados
Por um sol que a incensou
Num verde de folhas viçosas
E os canteiros regados
Pelo sémen da mangueira
A água brotou
Dando-lhe marradinhas gulosas
Na sua vez primeira
A raiz brotada
De sexo desejosas
Apenas desejada
Flores árvores e as ervas danosas
Escondidas no segredo
Da virgem natureza
Almas de asas
Numa vil pureza
De dor e de medo
Com corpo pernas boca olhos e excreções seminais
Deixam a flor em brasas
E num rodopio vai e vem afloram
Desfloram
Corolas estames espéculos germinais
Espalham a semente
Devoram e exploram
Um sexo perfumado que mais ninguém tem
Com gestos tão naturais
Na natureza irreal
Também
Que nenhum homem deixará de ser sempre
Em corpo e em mente
Um animal
Ziguezagueando e rodopiando
Na horizontal e na vertical
Em cada penetração mil vezes perpetrada
Real
Imaginação
Uma vagina ou uma rosa desflorada
Apenas se ensina que o amor
Pétalas desfolhadas
Dor
A mais bela sensação
De virgindades roubadas

DOU-TE AS MINHAS LÁGRIMAS

Dou-te as minhas lágrimas
Nas tuas mãos
Docemente
Frágil
Cristal
O meu choro magoado
Cristalizado
Transparente
Amargo
Sal
Usa-o como um pisa-papéis
Segurando as notas da tua alma
Com vontade de fugir no vento
Petrificado
Sensual
Leve
Momento
Onde deixei as lágrimas corporizadas
Numa sombra de luz imaginada
Ardendo por dentro
Afogueada
Prisioneiras
Forçadas
A morrer
Para serem outra vez
O choro desencadeado
Talvez
Molhando húmidas e salgadas
Anotações de uma vida
Prestes a perecer
No fogo ateado
Água
Terra
Ar
Na fogueira das minhas lágrimas sentenciadas
Sentimentos espremidos em suor e gemidos
Escravas dos olhos barbaramente embarcadas
Nos batelões da escravatura no mar alto perdidos
Penetradas como a água que se some na terra
Evaporando-se no ar
Para ser tão só
O choro
Arrancado
À serra
Pensamentos sofridos
De lágrimas de ardor
E toda eu
Um fogo de tormentos
De amor
Abandonado às lágrimas
À dor


PESSOA

Nome maior
Aos teus pés
Império
Sobre as águas
Falsas lágrimas
Dor menor
Daqueles que te traíram
Maior não fora teu reino
Se vontades não cumpridas
Perdões pediram
Recatassem seu desejo
Em outras vidas
Lições de um beijo
Porque maior era o ensejo
Nome maior
Aos teus olhos
Alma imensa
Sobre a terra
Que os teus pés pisaram
Saudade intensa
Falsas dores
Daqueles que te quiseram
Grande de amores
País pequeno e sagrado
Fizeram de ti
E assim maltrataram
De tanta raiva e pecado
Ao abandono deixaram
Toda a terra daqui
Maior não fora o sentimento
Se em todo o sofrimento
Estivesse ao lado o criador
Maior não fora por dentro
Todo o sonho que ruiu
Tanta raiva e tanta dor incinerada
Destinada a levar a nada
Porque nome maior
Não se cumpriu

ESCURIDÃO


Li-te numa prosa remendada de infinitas finalizações
Macerei as tuas palavras na comoção das minhas lágrimas e ao ler-te
Inventei-me mulher escrita de verdades e de ilusões a ser-te
Mulher na ponta da tua esferográfica serenando as tuas sensações
Enquanto iluminava a casa escura dos teus segredos
E viajava com os meus medos
Na estrada das tuas palavras inventadas por mim
Da tua escrita que no fim
Fazia sentir-me prosa violada já que antes fora viagem
De exclamações admirações interrogações
Fora de margem
Para ser só
Três pontinhos apenas
Tinta de penas em pó
Ser tão só as tuas vozes que gritas e me acenas
Um fundo de alma tão negro e sujo
Ranço de azeite ou borras de café
De tudo que escreves eu corro e fujo
Charco estagnado onde a podridão vegetal é pó de talco molhado
Tão pensamento que balança absurdo
Num vaivém ruidoso de ondas de maré
E vai entrando na casa escura da solidão
Em que o teu olhar vidrado
É prisão de sentidos
Desilusão
São as penas
A tua certeza insegura
Os refrãos perdidos
Por ser tão só a busca incompleta
De fórmulas e de senhas
Na morna procura secreta
Destas palavras prenhas
Que habitam a casa escura sempre de porta aberta
E a prosa que inventas para me chamar mulher
Não é mais do que a tua alma transfigurada
Na anunciação divina e encarnada
De que o ser e as palavras são o infinito por assim dizer
O elo de pensamento da humanidade
Vadiando no cosmos dos sentidos
Por tanta comoção e solidão
Porque só uma mulher dá à luz e enche de claridade
Quer viver
Uma casa na escuridão
Onde moram os vivos
Até morrer

TEMPO DE PEDRA

Solidão em pedra inabitada
Vazam-se silêncios do interior de floreiras de pedra
Na terra que lá esteve onde uma cor floriu
Esperança mortal
Uma ou outra flor que foi crescendo até morrer
No vazio de um vaso que teve vida
Todo o sonho ruiu
Vaie-se enroscando o vento em espiral
Até entrá-lo todo a dentro
Mas a casa foi abandonada
Partiram-lhe as janelas
Ficou só
Solitária se ergue à chuva do tempo
A cantaria esverdeada absorve o sol quente
Em todas as horas do dia e da noite
A alma solta-se ao vento
Murmúrios e gemidos no limiar das recordações
Criaram verdete e um sombreado escuro
Em forma de corações
No silencio obscuro
A poeira delimitou o lugar dos objectos
No interior da pedra triste
Ficou só
Aquele calor suave dos sentimentos
E a voz familiar da criada
Da ama do menino
Os gritos de alegria pelas escadas de madeira
Os passos do gato desenhados a lama no tapete
Como mãos agitadas de uma meiga feiticeira
Os suspiros enredando-se pelos cantos desprotegidos
As lágrimas as dores as raivas as mágoas
E sempre na memória os sonhos vencidos
As palavras loucas as verdades tão poucas
As frases menos sinceras sentidas deveras
A dignidade revendida as promessas os gemidos
Os murmúrios da vida dando à costa dos sentidos
Tudo naquela pedra agarrou o momento de fugir
A morte foi-se entregando das suas vidas
Ilusão de um anjo a sorrir
Maltratada
Ficou só
A pedra da casa e a grande escadaria central
À beira da estrada abandonada
Ficou só
Sepulcral

POESIA DE LÁGRIMAS

Memória da minha bisavó Maria da Encarnação

Contaste-me bisavó que parida foste
E ainda assim descalça e tão pouco vestida
Teus pés tocaram o chão
E na palma da tua mão que vela pela tua vida
Deixaram a chave negra que guarda os olhos da tua mãe
Deixaste-me as tuas lágrimas com o peso das tuas dores
E o tamanho das terras que as tuas mãos amanharam
As mesmas terras que nunca foram de ninguém
Deixaste-me a imensidão dos teus olhos
Com a cor dos mares e do céu
E por dentro a tua alma com as lágrimas dos que choram
Com a escuridão de noites sem luar
Com o destino sem amores

Contaste-me bisavó de chuva de estrelas
Cobrindo o dia de tenebroso breu
Incendiando os montes de faíscas e centelhas
E o teu olhar ao falar envolvia o meu

Contaste-me bisavó de caminhos percorridos
Tão longa que foi a tua caminhada
Com os teus pés descalços frios e doridos
E os quase cem anos amargamente vividos
E ainda as tuas mãos presas à alvorada

Contaste-me bisavó que parteira foste
Vencendo a tempestade de tesoura e de linha na mão
Longe do frio da solidão
À ré do teu rumo sereno e profundo
Deixaste-me a tua vida como uma casa cheia de filhos
Meninos e meninas que tu ajudaste a virem ao mundo
Pela tua voz como a brisa mansa
Que nos deixou tanta mas tanta saudade
Do teu sorriso
Com a fluidez da água correndo debaixo do moinho
No rio que te viu nascer onde cresceste enquanto criança
O rio da tua vida penosamente sozinho
Estavas quando era preciso
No rio ingrato de todas as vontades
Que viu a tua mãe morrer
Pela força de tantas verdades

Choravas quando chegava
Choravas quando partia

Ajudaste-me a criar entre lágrimas e mimos
E nunca que a tua voz foi mais forte que o vento
Foi mais forte do que a dor que já alguma vez sentimos
Longe do teu ser e do teu sentimento
No regresso e na despedida
Deixaste-me bisavó uma braçada de sonhos em flor
E a saudade sentida

Herdei do teu ser a força destas palavras
Herdei dos teus olhos as mesmas lágrimas
Herdei do teu coração todo o amor

Os choros e as mágoas
Deixaste imensa dor

Eras a minha avó amiga
Eras a minha avó querida
Eras a minha avó das lágrimas

HINO À MATERNIDADE

Fui toda eu
A dor
O pranto
A pena
Escanzelada
Aberta ao mundo
E de repente
Tão cheia
Assim revelada
Como a feminina lua
Branca
E quente
Como a açucena
Por um segundo
Feia
Inchada
Nua
Os seios a rebentar
Todo corpo a arquear
O choro a gritar
O dique coração a transbordar
De amor
Não
A pele um lago de solidão
Onde navega uma alma
Prestes a naufragar
Sim
De tanta dor
Tanta calma
Sem razão
E a vida
Querendo nascer
Num parto
Que está para acontecer
Sublimação
Por fim
Sentida

EDITORAS

Eu queria as Editoras Maternidades Publicas
Não Privadas
As minhas ideias têm o direito de nascer sem pagar
Ainda que muitas delas sejam abortadas
Ninguém tem o direito de as criticar
Aborto ou belo
O pensamento nasce num parto sublime
Deixa que a ideia tenha música e que rime
Num crescer ingénuo e singelo
Para depois
Já nos livreiros alegres infantários
À mercê de uma cultura julgada por altos-comissários
As minhas ideias fiquem por lá
Apenas letras
Talvez num canto da prateleira
Do lado de cá
Fazendo caretas
Fiquem por lá num jazigo de madeira
Apenas ossos
Aos que passam e os ignoram
Os livros são vossos
Não deixem que eles se transformem em pasta de papel
Quem sabe é como quem não vê
Por razão eles imploram
O que pensa vossa mercê
Deste fio de cordel
Que se desprende do pensamento
E se solta ao vento
Para ser Poesia
Talvez até haja do lado revelado
A justiça verdadeira
Sem ciúme nem heresia
E vá por aí confiante
À procura do intelecto amuado
Num canto da prateleira
Quem sabe até esteja ao meu lado
O precioso Dante
E seja este meu livro
Muito procurado

ÂMAGO DA TERRA

Sou filha da terra
Uma dama Torriense
A torre era de D. Chama
O título em nada me pertence
Nasci de olhos para a pequenina serra
Na casa amarela frente ao Monte de S. Braz
Desde menina que só conheço o amor pela natureza
O sol e a água
O chão e o verde
Em toda a sua beleza
De minha mãe
Sei do que verdadeiramente sou capaz
Aprendi que poucas coisas são necessárias
A terra o rio a luz
E o vento de passagem para dar corpo
A toda uma aragem que vem de Jesus
A todo o sossego e paz que mora em mim
De meu pai
O mais importante
Aprendi o respeito pelo chão agreste
Pelo canto duro das cigarras
Num Verão tranquilo e distante
Uma preferência pela língua falada
Quase reduzida às palavras
Vestidas de um cerimonial terrestre
Da minha infância
A lembrança onde mergulho
Trouxe o desprezo pelo luxo
A banalidade da inveja
A melodia do orgulho
Que é sempre uma degradação
A pureza que é a essência
Da dúvida e da certeza
Na minha vida
Tão incompleta e indefinida
Que é simplesmente uma paixão
Um amor pelas coisas da natureza
Na sua forma mais ardente
E ainda não adormecida
De sonho e de aço
E em toda uma solidão
Bravia e impaciente
De laços que ato e desfaço
Sou eu que transpareço
Do espelho que me revela
Por tudo o que eu não esqueço
Sou toda eu
Minha mãe meu pai e a infância
Que foi tão bela

TRANSMONTANA

Das faldas da montanha 
Desci para o mar 
Saudade estranha 
Parece ficar 
Deixei campos de olivais 
Direcções cruciais 
Deixei searas 
Belas tiaras 
Deixei vinhedos 
Guardei segredos 
Lameiros de feno 
Terras cultivadas 
Aroma veneno 
Paisagens enfeitiçadas 
Fragas 
Ribeiros 
Fontes 
Penedos 
Caminhos 
Chão 
Donde nasci 
Grata paixão 
Trouxe comigo 
Aqui senti 
Ser solidão 
Alma inteira 
Corpo rude 
Dócil abrigo 
A vida por companheira 
Tudo o que pude 
Crime e castigo 
Lodos e lamas 
Chuvas e trovoadas 
Rezas profanas 
Santificadas 
Olhar atiçado 
Em fogos humedecidos 
Sentido sagrado 
De tantos sentidos 
Em terra amanhada 
Mão na enxada 
No corpo cansado 
De tanto prazer 
De tanto viver 
De tanto sonhar 
O sonho alado 
Deixado esvoaçar 
De Trás-os-Montes 
Da natureza 
Musa das fontes 
Verso pureza 
Prosa poesia 
De saudade veste 
Corre nas veias 
Lembranças ateias 
Fogo incendeias 
Agreste 
Fantasia

Com que me enleias 

... 

NA FLOR DO TEMPO

Voltaste e eu já não te esperava
tantos que foram os dias esperando
na guarida do tempo em flor
a vida orvalhada
chorando

lágrimas desse abandono amor
por calçadas sem pedras lavadas
sobre o pó dos dias pesados
o cheiro da terra humedecido
os dias mumificados
o tempo perdido
dias passados
entristecido

olhar que esperava parado
no tempo à flor dos sentidos
por dentro um choro exasperado
de instantes comprometidos
num momento relembrado
de loucos dias vividos
...

MENINA POESIA

Saltou da cama
cabelo desgrenhado
olhar ensonado
pé descalço
riso de mimo
feliz

julguei vê-la a correr
mas não condiz
pareceu-me ver

menina poesia
pedindo meu colo
estranha fantasia
que desconsolo
a noite deixa o dia
ser amanhecer

ainda a vejo a correr
para o meu pensamento
fazendo-me crer
nesse sentimento

sabem... esta manhã... dei colo à poesia...
...

A TARDE SENTADA

Estive a tarde sentada esperando a poesia
Em lanços de escadas sobre a terra e o mar
Ali naquela praia granjeada de nostalgia
Onde tantas vezes já lá descansei o olhar

A tarde sentada na escadaria sobre a areia
Praia da Granja portal da poetisa maresia
Esperei sentada menina do mar que granjeia
Meus pensamentos em ondas soltas de poesia

E das escadas a tarde sentada sobre o mar
Parecia que imensa folha de papel salgado
Se espraiava diante dos olhos a lacrimejar
Onde o poema se escrevia choro emocionado

Fico ali sentada esperando quem vai chegar
Talvez uma gaivota com novas de poetas idos
À espera que os meus olhos se encham de mar

A tarde sentada comigo vendo o sol partir
Um brilho de prata um fio de ouro sentidos
Ah… poetisa lembrando deste tanto sentir

PAIXÃO DO POEMA E DA POESIA

Por essa poesia que transborda em ti
Essa poesia que não consegue conter
Derramada poesia que eu não perdi
Mesmo que choro continue a escorrer

Em lágrimas de mulher poesia divina
Sejam todos os sentidos pranto suave
Seja essa poesia tão chorosa feminina
De asas soltas em versos de liberdade

Se poesia é feminina paixão mulher
Mas o poema o macho que a copula
A abelha sussurrando o malmequer
Que assim de verso e rima confabula

E no jardim das flores suave no dizer
Viril nas rimas do verso copulado
Na mestria do néctar colhido prazer

Vai poesia em poesia tesão nas entrelinhas
O ritmo em pranto choro do poema poetado
Incontidas as lágrimas da alma pelas linhas

Tocam-se as palavras no papel… dá-se a fusão
Nasce entrelinhas o poema a poesia da paixão

CAÇADORA DE MIM

Caçadora de mim
Temerária musa sedução
Lábios de cetim
Boca de tesão
Teu sonho desmedido
Leva nas rédeas soltas
A presa de olhar perdido
Predador às voltas
Em busca de sentido
Caçando meus sonhos
De arco e flecha
Os meus demónios
Na fenda brecha
Se soltam fluidos
Se acenda a mexa
Uivando gemidos
Na densa floresta
Clareira ilusão
Sombreia em segredo
Caçadora sedução
Com olhar de medo
Em flashes magia
Na folhagem insegura
Fazemos poesia
Em meiga loucura
Em doce orgia
E fantasia
...

TEIMOSIA

Não sei porque teimo em viver
Se a morte tanto me chama
Não sei porque hei-de querer
Quem não mais me ama

Quero sim afinal
A morte e a vida
E assim dividida
Quase divinal
Me sinto sentida
Sou desigual

Entre a morte e a vida está o pranto
Das lágrimas tombadas o mar da solidão
A sorte perdida na voz e no canto
Desta alma sentida de amor e paixão

Quanto choro por dentro de mim rasgado
Do que sinto em teimosia assim chorada
Sou um corpo em pranto abandonado
A uma sorte cativa aprisionada

Melancolia sentada em meu vazio
Nos olhos marés de muitos mares
Um azul cinzento amargurado e frio
Azul das chamas que ardem nos altares

E esta voz firme em meus pilares
Numa tristeza quase encanto
Tocando todos os limiares
Do choro triste leve pranto

Essa amargura que não me sai do peito
Que vida e morte travam dentro de mim
Chão de teimosia em que eu me deito
E em palavras de poesia espero o fim

PAIXÃO DO LIVRO E DA ROSA

Paixão da rosa e do livro
.. o livro e a rosa enamoraram-se... num abraço mais efusivo as páginas do livro prenderam as pétalas da rosa... guardando cada uma no seio das palavras escritas... e arrumadas as pétalas eternizadas nas folhas desarrumadas de pensamentos... por amor do livro à rosa essas páginas perfumadas guardam ainda hoje doces pecados em sentimentos... num beijo aromatizado de rosas presas num livro...

Tenho por dentro algo em desalinho
Um sentido imensamente profundo
Que me faz corar e andar em desatino
Às voltas comigo mesma como se eu fosse o mundo

Um pé de rosa cravado no meu peito um doce espinho
A mais preciosa de todas as rosas do jardim da alma
Onde se perdem os sentimentos em busca de um caminho
Que nada neste mundo sossega ou acalma
Chamam a isso paixão…

Como eu queria sentir-me apaixonada
Ter dentro do peito alma imensa
E viver assim desassossegada
Uma paixão viva intensa

Como eu queria sentir
Essa estranha loucura
Esses pequenos nadas
Esse jardim a florir
De rosas desabrochadas
Meiga bravura
Do peito

Invadido por esse arrebatador efeito
Usurpador de todos os sentidos
Presente quando acordo e quando me deito
E desse jeito tomando de mim rumos perdidos

Quando por fim se aninha no leito
De todas as vontades domadas
Por esse sentimento arrasador
A que por bem chamam amor
E até rima rosa livro e flor

DA TERRA AO MAR

Há no horizonte visões etéreas
Incandescendo meu corpo dentro de ti
Um quase crepúsculo anoitecido
De claridades brilhantes efémeras
Que já alguma vez senti
Onde se põe o meu sentido
Da terra ao mar…

Há onde sempre se pode ficar
Fincado numa ponta de chão
Em sombreada solidão
À beira-mar duma praia empalidecida
Sentado na areia a contemplar
Como se esvai um dia de vida
E ver o sol a naufragar pra lá do horizonte
Da terra ao mar…

Há em mim um sossego sem dono
Quase tatuado em minha fronte
Clamaria onde eu deponho
… da terra ao mar… faço uma ponte
E de versos componho…
Até ao pôr-do-sol…
....

PÉRGOLA DOS ENAMORADOS

Sob a luz sombreada do teu olhar
Debaixo da pérgola anoitecida
Clareia o amor a cintilar
Numa sombra desvanecida
Nos lábios a brilhar
Uma lua
Branca

E sob a sua névoa manta de sossego luz
Toda eu me envolvo nessas arquitraves
Fundindo nesse teu ser que me já seduz
Dou todo meu corpo olhar beijos suaves

E os meus braços estendem-se trepadeiras
Sobem pelos teus ombros deixando raízes
Abrem-se de folhas soltas namoradeiras
Entrelaçando-se em nós de ramos felizes

Caminhamos pela pérgola mãos dadas
Em cumplicidade meiga enamorados
Imaginando céu de rosas perfumadas
Cobrindo-nos aos dois os apaixonados


INDICE


• 1 - NÓS DAS RAÍZES
• 2 - PERDIDA
• 3 - CESTA DE SONHOS
• 4 - VOO DA PALAVRA
• 5 - A LOBA
• 6 - NEGA-ME
• 7 - LAGO DE ÁGUA
• 8 - A CORUJA
• 9 - CEGA PROMESSA
• 10 - IRMÃ SOROR SAUDADE
• 11 - QUEM EU SOU
• 12 - PARTOUZE DA NATUREZA
• 13 - DOU-TE AS MINHAS LÁGRIMAS
• 14 - PESSOA
• 15 - ESCURIDÃO
• 16 - TEMPO DE PEDRA
• 17 - POESIA DE LÁGRIMAS
• 18 - MATERNIDADE
• 19 - EDITORAS
• 20 - ÂMAGO DA TERRA

. 21 - TRANSMONTANA

. 22 - NA FLOR DO TEMPO

. 23 - MENINA POESIA

. 24 - A TARDE SENTADA

. 25 - PAIXÃO DO POEMA E DA POESIA

. 26 - CAÇADORA DE MIM

. 27 - TEIMOSIA

. 28 - PAIXÃO DO LIVRO E DA ROSA

. 29 - DA TERRA AO MAR

. 30 - PÉRGOLA DOS ENAMORADOS

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quinta-feira, maio 5, 2011 - 21:32

Poesia :

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musarenascentista

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Comentários

imagem de MarneDulinski

Nós Das Raízes

Lindos poemas, li alguns e gostei muito, prometo dentro do possível ler mais outra hora!

Gostei muito, meus parabéns e muito sucesso!

Nosso abraço,

Marne

imagem de musarenascentista

Agradecimento

Grata em poesia

 

Deixo link do blog da poesia que mais me encanta

 

http://musarenascentista.blogspot.com/

 

http://muraldosescritores.ning.com/profiles/blogs/os-meus-teus-olhos-azuis

 

Parabéns pela poesia

 

ana barbara

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