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O gosto amargo da vitória
O soldado com sangue nas mãos,
atônito, admira a vitória conseguida,
com gosto de derrota amargada.
Triste fim de quem sucumbe,
ante o campo de batalha,
jorra sangue feito pele,
dissecada por navalha.
Sobre o odor das carcaças,
esvaindo-se segue a vida,
gota a gota, em sua desgraça,
mapeando suas feridas.
Duro jugo sua herança,
mais pesada que uma Cruz,
rompe o fim da esperança,
finda o brilho já sem luz.
Com a falência do inimigo,
na matança vê o troféu,
vendo a morte como abrigo,
e a ira como um véu.
E as mãos dilaceradas,
regem a morte em agonia,
e entre corpos mutilados,
sobem lamentos em harmonia.
Quem saiu da guerra ileso,
deixou lá também um pedaço,
vendo a dor e todo peso,
das mortes por todo espaço.
Patriota é teu filho,
que combate em campo aberto,
não aquele que ordena,
sem ao menos estar por perto.
Não fui eu quem fez a guerra,
mas aceito esse suplício,
dou a vida por minha terra,
e meu sangue em sacrifício.
O soldado com sangue nas mãos,
atônito, admira a vitória conseguida,
com gosto de derrota amargada.
Poema pertencente ao livro "As Borboletas não choram" que será lançado em dezembro próximo. Obra registrada na fundação biblioteca nacional.
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Comentários
Re: Que a tantas almas corrompeu, lançando-as na mais plena escu
Que a tantas almas corrompeu,
lançando-as na mais plena escuridão,
e agora, prostrado sobre os próprios joelhos,
implora com veemência seu perdão.
Toda Guerra, tem mais perdas do que Vitórias!
md
Re: O gosto amargo da vitória
Cleber,
Texto forte, bem escrito sobre o terror de se estar numa guerra! Tomara um dia isto possa ser somente poesia!
"Sobre o odor das carcaças,
esvaindo-se segue a vida,
gota a gota, em sua desgraça,
mapeando suas feridas. "
Parabéns!