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O gosto amargo da vitória

O soldado com sangue nas mãos,
atônito, admira a vitória conseguida,
com gosto de derrota amargada.

Triste fim de quem sucumbe,
ante o campo de batalha,
jorra sangue feito pele,
dissecada por navalha.

Sobre o odor das carcaças,
esvaindo-se segue a vida,
gota a gota, em sua desgraça,
mapeando suas feridas.

Duro jugo sua herança,
mais pesada que uma Cruz,
rompe o fim da esperança,
finda o brilho já sem luz.

Com a falência do inimigo,
na matança vê o troféu,
vendo a morte como abrigo,
e a ira como um véu.

E as mãos dilaceradas,
regem a morte em agonia,
e entre corpos mutilados,
sobem lamentos em harmonia.

Quem saiu da guerra ileso,
deixou lá também um pedaço,
vendo a dor e todo peso,
das mortes por todo espaço.

Patriota é teu filho,
que combate em campo aberto, 
não aquele que ordena,
sem ao menos estar por perto.

Não fui eu quem fez a guerra,
mas aceito esse suplício,
dou a vida por minha terra,
e meu sangue em sacrifício.

O soldado com sangue nas mãos,
atônito, admira a vitória conseguida,
com gosto de derrota amargada.

Poema pertencente ao livro "As Borboletas não choram" que será lançado em dezembro próximo. Obra registrada na fundação biblioteca nacional.

Submited by

quinta-feira, outubro 15, 2009 - 09:36

Poesia :

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CleberPaschoal

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Comentários

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Re: Que a tantas almas corrompeu, lançando-as na mais plena escu

Que a tantas almas corrompeu,
lançando-as na mais plena escuridão,
e agora, prostrado sobre os próprios joelhos,
implora com veemência seu perdão.
Toda Guerra, tem mais perdas do que Vitórias!

md

imagem de FlaviaAssaife

Re: O gosto amargo da vitória

Cleber,

Texto forte, bem escrito sobre o terror de se estar numa guerra! Tomara um dia isto possa ser somente poesia!

"Sobre o odor das carcaças,
esvaindo-se segue a vida,
gota a gota, em sua desgraça,
mapeando suas feridas. "

Parabéns!

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