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O suicida

Comecei a caminhar lentamente
Em direção ao destino traçado em minha mente.
A dor e o desespero de dias intermináveis já não eram suportáveis.
Enquanto rolava pela cama e o sono teimava em não aparecer
Milhares de pensamentos perturbavam minha mente.
Vozes gritavam em meus ouvidos:
- Para que continuar vivendo? Sua vida é um fracasso. Você não é nada!
Uma angústia terrível tomava conta de mim.
Não fazia sentido continuar vivendo.
Ninguém ia sentir minha falta mesmo.
Esse era o pensamento mais comum naqueles dias.
Então imaginei em minha mente como seria.
Do alto da ponte pularia sobre as pedras
Com certeza, não era possível sobreviver àquela queda.
Seria antes do nascer do sol.
Quando as pessoas se dessem conta eu já não estaria neste mundo
E nada mais importava.
Quem sabe um pescador encontraria meu corpo esfacelado nas pedras
Ou alguém fazendo caminhada de manhã
Pararia no parapeito da ponte e avistaria o corpo estendido nas rochas.
A notícia se espalharia rapidamente.
Alguns ficariam admirados:
- Mas ele parecia tão feliz! Era um cara alegre e sempre sorria para todos!
Sim. Mas no fundo do peito amargava uma dor terrível.
Outros afirmariam:
- Nunca pensei que ele fosse capaz de uma coisa dessas.
Na minha angústia noturna todos esses pensamentos eram reais.
A imagem do corpo frio em um caixão cercado de pessoas com olhares de admiração e desprezo.
- Como assim? Tirar a própria vida!
Levantei-me por volta das quatro horas
A lua estava clara e nem precisei acender as luzes da varanda.
Não ia deixar bilhete nenhum. Ninguém entenderia mesmo.
Então que continuasse sendo um mistério porque fiz aquilo.
Passos decididos agora. Coração batendo a mil por hora.
Adeus vida ingrata!
Lágrimas de tristeza por não dar conta de suportar essa aflição!
Sou mesmo um covarde?
Antes de me decidir pular da ponte pensei na forca.
Não! Não me imaginava pendurado em uma árvore qualquer.
Seria uma cena horrível.
Veneno? Sei lá, me parecia muito trágico.
E que tipo de veneno seria eficaz para uma morte rápida.
Não!
Entrar na frente de um veículo em movimento?
Colocaria a vida de inocentes em perigo.
O melhor de todos seria mesmo pular daquela ponte.
Quem sabe até achariam motivos para pensar que alguém poderia ter me empurrado.
Ou que teria caído por acidente.
Pelo menos daria trabalho para a perícia.
Pensamentos mais malucos!
Antes de abrir o portão ouço o barulho de uma pessoa chegando de bicicleta.
Ouço alguém chamando meu nome.
Estranho.
Abro o portão e vejo um colega de trabalho.
Às quatro horas da manhã?
- Você está bem? – Perguntou-me. – O que ia fazer?
Fiquei sem palavras. Disse que estava bem.
Dei a desculpa de que estava sem sono e que iria fazer uma caminhada matinal.
- Não é seu costume. – Ponderou.
Chamei-o para entrar. Fiz café e ele ficou conversando comigo na varanda de casa até as 9 horas.
O que não me esqueço dessa conversa:
- Acordei por volta das três horas da madrugada – disse ele - e uma voz me disse: o Odair não está bem. Então resolvi vim ver o que está acontecendo.
Eu insisti que estava bem e que aquilo era coisa da cabeça dele.
Quando ele foi embora eu entrei em casa.
Era um sábado.
Chorei o dia todo.
Arrependimento. Tristeza. Gratidão. Reflexão.
Passado mais de onze anos desse fatídico dia posso ver um divisor de águas.
Poderia ter sido um ponto final na minha vida.
Mas, graças a Deus, foi uma vírgula. Uma pequena vírgula.
Se não tivesse tido a intervenção daquele anjo naquele dia quantas coisas boas não teriam acontecido?
Mais de 1000 poemas escritos; 56 contos; dois romances em andamento.
06 livros publicados.
Milhares de alunos.
Dezenas de escolas.
Quantas histórias vividas! Quantas alegrias!
E por que revelo essa história tão íntima aqui?
Porque pode ser que alguém esteja nesta mesma situação neste momento.
Pode ser que alguém esteja pensando tudo que um dia eu pensei.
Mas, digo a você. Vale a pena viver.
Não dê um ponto final na sua vida. Que seja apenas uma vírgula.
Tristezas, angústias e decepções sempre vão existir.
Mas, apegue-se ao conselho máximo do salmista:
- O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Supere esse momento ruim e escreva novos capítulos na sua história!

Poema: Odair José, Poeta Cacerense
Obs. Fatos reais que aconteceram comigo em 2008 quando morava em Nova Xavantina.

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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segunda-feira, setembro 16, 2019 - 23:48

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