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O fantasma da velha escola - 13

Terminada a oração, Marcão molhou as mãos na água, aspergindo Lilith, Alfredinho e a si mesmo. A menina estava calma, mas Alfredinho parecia nervoso. marcão lhes disse:
-O que eu disser, vocês repetem. Agora, vamos nos dar as mãos e fechar os olhos.
-Ok.concordou Alfredinho.
Deram-se as mãos, fecharam os olhos e Marcão começou:
-Nós lhe pedimos, pobre espírito atormentado, se estiver entre nós, manifeste-se. Chamamos a você para que reencontre o caminho da paz.
Pareceu aos jovens que o ar se tornara pesado, porque sentiram muito peso nos ombros. A mão de Alfredinho tremeu e Marcão continuou:
-Manifeste-se, pobre espírito atormentado. Mostre-nos que está entre nós, pois desejamos que dê um sinal da sua presença.
De repente, as mãos de Lilith agarraram as de Marcão e Alfredinho com força e eles perceberam que se contorciam. A água na jarra se agitou e a chama da vela se intensificou. Marcão controlou o medo e bradou:
-Se está entre nós, pobre espírito, diga seu nome e o que deseja.
As mãos de Lilith soltaram as deles, que abriram os olhos, assustando-se com o que viram: os olhos dela estavam brancos como se houvessem afundado nas órbitas. Ela mexeu os lábios, falando:
-Por que me chamaram?
Os dois se assombraram. Era a voz de José Afonso! Marcão começou:

-Ó espírito errante
que entre os dois 
mundos caminha, 
pedimos que nos 
diga o seu nome.

Lilith gargalhou uma gargalhada grossa e falou:
-Vocês não sabem quem eu sou, seus dois animais? Sou aquele que vocês deixaram para trás.
-Diga-nos seu nome.insistiu Marcão.
-Não precisam que eu diga meu nome. Precisam é sentir medo!
-Pedimos que se dispa dos sentimentos de raiva ou ódio que porventura o prendam ao mundo material, pobre espírito atormentado.disseram Marcão e Alfredinho.
-Calem-se, seus dois covardes mentirosos! o rosto de Lilith se contorceu e ela levantou da cadeira, andando até Marcão, que quase fugiu, mas ficou sentado e pediu:
-Sente e nos fale o que o atormenta.
Lilith avançou até Marcão, gritando com a voz de José Afonso:
-Cale-se, Marcão! Nós éramos amigos, mas você abandonou o meu corpo ali! Você e esse outro covarde! Como pude acreditar na sua amizade, Marcão?
Alfredinho tremia de puro pavor e Lilith sorriu:
-Veja você, seu nerd covarde! No final, eu provei que estava certo a seu respeito, não? Você é mesmo um covarde!
Marcão se sentiu atingido pela culpa por ter traído José Afonso, entretanto, dominou-se e continuou:

-Pai, Senhor Supremo,
acolhe com Teu infinito
amor esta alma perdida
e tão necessitada de
Tua misericórdia.

Lilith avançou contra Marcão, apertando-lhe a garganta. Ele lutou, mas a força dela era imensa. Alfredinho tentou ajudá-lo mas Lilith o esmurrou, fazendo-o cair no chão. A voz de José Afonso saiu cheia de ódio:
-Seus dois merdas inúteis! Pensam que podem manipular o mundo espiritual conforme sua vontade? Vocês são dois imbecis, mexendo com forças desconhecidas! Eu vou acabar com vocês! E vou levá-los para a velha escola, onde ficarão comigo e a menina! Ela quer companhia!
Marcão, mal conseguindo respirar, pediu:
-José Afonso, por favor, perdoe-me. Eu não devia ter fugido. Eu sei que fui covarde.
Alfredinho também pediu:
-Perdoe-me, José Afonso.
A resposta foi uma gargalhada amarga.
-Eu precisei morrer para saber quem são vocês, não é? Se a Lilith, cujo corpo estou ocupando, não houvesse feito a ligação anônima, meu corpo teria apodrecido ali e meus pais nunca saberiam o que tinha acontecido comigo! Vocês seguiriam vivendo suas vidas, seus dois ratos!
Estranhamente, uma força pareceu puxar as mãos de Lilith da garganta de Marcão e a voz que saiu foi a dela:
-P-pare, José Afonso, por favor! V-você está indo longe demais!
Marcão e Alfredinho ficaram paralisados de puro pavor. Lágrimas desciam dos olhos de Lilith, que suplicou:
-Saia de dentro de mim, José Afonso!
Então, Lilith se contorceu, dando um rugido animalesco que petrificou os dois rapazes. Quando ela abriu a boca, a voz era a de José Afonso:
-Cale a boca! Você viu o que eles fizeram comigo, Lilith! Eles vão ficar sem punição?
Lilith se dobrou sobre si mesma, gemeu e rugiu e pediu com voz chorosa:
-E eu, José Afonso? Que eu tenho a ver? Eu ajudei você, não ajudei? Acabar com eles vai mudar algo?
Alfredinho foi se esconder atrás de um sofá, tentando não ceder ao medo que o sufocava.Marcão, sentado no chão, não ousava se mexer.
A voz de José Afonso ecoou, alta e soturna:
-Eu estou morto e estes desgraçados estão vivos! Vão seguir suas vidas enquanto eu nunca realizarei meus sonhos? Deixaram-me para trás e nem quiseram saber se eu estava vivo! Eu queria que sentissem o que eu senti: abandono, solidão e todas as minhas esperanças destruídas!
O corpo de Lilith se contorceu de novo e ela gemeu dolorosamente, falando com sua própria voz:
-José Afonso, liberte-me de sua raiva! E pense nisso: quem foi responsável por sua morte? Foi a menina! E por quê? Porque ela não suporta ver os outros vivos enquanto ela está morta! Mas quem teve culpa da morte dela? Ninguém! Ela caiu sozinha! José Afonso, pare com essa vingança irracional! Quer ser como a menina?
A voz de José Afonso soou conformada:
-Está bem, não vou matá-los aqui. Mas Marcão, saiba que eu não considero mais você alguém que se possa chamar um amigo! Alfredinho, você é um bosta covarde! Vivam as suas vidas sabendo que não valem nada!
Lilith se ajoelhou e gritou, desabando como um saco vazio. Marcão e Alfredinho foram se aproximando mas recuaram ao vê-la levantar e gargalhar, fitando-os com um olhar maligno.
-Lilith?! É você?perguntou Marcão.
Uma voz infantil respondeu:
-Não, eu não sou a Lilith. Sou a menina que caiu da escada. Querem brincar comigo?
-Ahh!gritou Alfredinho.
-Cale a boca, seu frouxo!gritou Marcão.
-O que vamos fazer? A menina veio aqui!
-Venham brincar comigo.
Marcão encarou Lilith, aterrorizado. Que faria? O ritual não dera certo, como ele pudera ver.
-Vá embora, seu fantasma! Não queremos brincar com você! Você matou o José Afonso!
A vozinha respondeu chorosa:
-Eu estava sozinha, por isso convidei seu amigo para brincar comigo, mas ele não quer. Ele diz que acabei com a vida dele! Mas eu morri, todos me esqueceram!
-O que você quer, fantasminha egoísta? Que todo mundo morra porque você está morta? Não! A vida segue! Quer que tudo pare por você estar morta?revoltou-se Marcão.
Lágrimas desceram dos olhos de Lilith que, parecendo fazer um esforço descomunal, bradou:
-Saia de dentro de mim! Saiaaaa!
Logo depois, os lábios de Lilith deram uma gargalhada aguda e perversa e a vozinha falou:
-Está bem, Lilith, vou sair de dentro de você. Lembra quando você passou em frente à velha escola e eu lhe chamei para brincar comigo? Você não quis, não foi? Pois vou fazer você sofrer um pouquinho antes.
Então, Lilith gritou a plenos pulmões:
-Saiaaaaaaaaaaaaaaa!!!
Petrificados, Marcão e Alfredinho se perguntaram se o que viram era real: Lilith ajoelhada, de olhos arregalados e lacrimejantes, berrando como uma possuída enquanto os vidros se quebravam.
-Q-que e-está acontecendo? As janelas, os objetos de vidro...
Ao final, Lilith caiu no chão, desmaiada. Marcão e Alfredinho mal respiravam.

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terça-feira, agosto 25, 2015 - 20:28

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