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A porta

O olhar esbugalhado
De menina obediente
Colado ao orifício
Da fechadura,
Espreita,
Permanece,
Contrafeita
Do lado de cá da porta
Do lado de cá do mundo.
Admira extasiada,
Os meninos
Que brincam,
Que sorriem
Que saltam,
Alegremente,
Despreocupadamente,
Lá fora
Na festa.
Porque é que o pai
Não a deixara ir?
Que mal haverá?
Que pecado se cometerá?
Para lá da porta?
Como será a vida?
Como será o mundo?
Não compreende
Porque a não deixam
Brincar,
Sonhar,
Pular,
Enfim, respirar!
Não compreenderão
Que a estão a sufocar?
Aquela porta
Sempre fechada
Aquela redoma
Com o ar viciado
Da pressão
Da super protecção
Asfxia-a!
Toadas as noites,
Antes de adormecer
Pede ao “Portinhas”,
O seu amigo,
Bichinho da madeira
“Trinca um pouco mais!”
E ele continua,
Noite após noite,
Sem parar,
A mordiscar,
Aquela porta,
Qual muro de Berlim.
E, um dia,
Ao acordar,
O pequeno orifício
Tinha-se transformado
Num buraco enorme.
“É para mim?”
Não queria acreditar.
Finalmente!
Poderia olhar
Tudo à vontade.
Mexer na terra,
Sujar as mãos,
Respirar fundo!
Vaguear por aqui,
Saltar acolá.
Correr, correr
Até se cansar
Sem se preocupar,
Por transpirar,
Por tropeçar.
Finalmente!
Poderia chapinhar nas poças,
Rir, chorar, gritar
Saborear
O gostinho da liberdade…
“Já é tarde!”
A mãe,
Novamente a porta!
Acordara
Esfregou os olhos.
Voltara o pesadelo!
Restava-lhe sonhar
Com o outro lado da porta
Com o outro lado do mundo.

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domingo, março 14, 2010 - 17:49

Ministério da Poesia :

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claudinabrito

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