Azul

O “Samba em Prelúdio” fez-me abrir
a mala onde guardo a vida.
Dali, tirei as boates a meia-luz,
os gins e tônicas que se azulavam
naquela quase luz.

Foram noites que ficaram em tempos que nem sei.
Em anos que não consigo achar onde guardei.
Mas observando-me agora,
vejo-me outrora.

Menino, vamos! Já são horas.
É tempo de envelhecer.
Aproveito o recordar,
e mesmo sem Descartes,
eu sei que vivi. Dúvida não há.

Foram tantos sonhos, em dourado e vermelho,
e agora, a nostalgia em cada espelho.
Sigo o fio da Parca, mas não acho o novelo
e ressinto a noite e um novo apelo.

E então eis que vislumbro, ao toque da porta,
o concreto Futuro. Quem abriu essa comporta?
Mas logo é o Futuro que vira Passado.
e percebo que só eu é que mudei de lado.

Bico fechado, velho! O que passou, passou.
Teimoso, digo que não.
O que passou é o que hoje eu sou.

Revejo as noites, os drinques azuis
e as boates a meia-luz,
De novo, escuto "O Samba em Prelúdio"
e sinto, moça do Rio, que eu já te buscava
nos azuis em que te sonhava.

Para Lilian

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Viernes, Julio 31, 2009 - 02:58

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fabiovillela

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