Pela calada da noite

Pela calada da noite…

Pela calada da noite,
um anjo me veio vigiar.
Em sono repousado,
não o ouvi chegar.
Um leve, leve sussurro,
elevou-me a outro lugar.
Nas suas asas prateadas,
passei a viajar,
dando voltas a um mundo,
adormecido e algo sossegado,
em lugares de paz absoluta.
Acordado e sobressaltado,
em lugares de assanhado conflito.

Adivinhei nos silêncios,
quotidianos turbulentos.
Adultos preocupados,
crianças, desnudas
e atrozes sofrimentos.
Os risos, apalpei-os, disfarçados,
em bocas famintas de tudo.
Os choros, ouvi-os, sufocados,
em olhos ausentes de futuro.

Aqueles destinos paradisíacos,
com os quais tanto sonhava,
já os não sentia apetecidos.
Meu corpo, fétido,
de cheiros de lugares queimados
de carinho e ódios exultados.

Tanto, mas tanto arrepio!
De calor e de frio!
Supliquei ao meu anjo
o regresso, rápido,
ao meu leito,agora, vazio.

Em sono vivi pesadelos.
Em sonho projecto mudanças,
De dia, quedo-me pensativa.
À noite, sinto-me perdida!
Tão só, tão passiva.
Tão consciente, nestas andanças!
Que é feito dos heróis e heroínas,
outrora eloquentes das suas façanhas?

Descansam em tumbas desconhecidas.
Despertem, almas sucumbidas!
Renasçam das apagadas cinzas
e tragam um novo mundo
a estas almas, esperançadas!

OF 08-04-11

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Jueves, Abril 28, 2011 - 00:21

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Odete Ferreira

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Pela calada da noite

Lindo e maavilhoso poema, onde destaco a estrofe final!

Descansam em tumbas desconhecidas.
Despertem, almas sucumbidas!
Renasçam das apagadas cinzas
e tragam um novo mundo
a estas almas, esperançadas!

Meus parabéns,

MarneDulinski

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Pela calada da noite

Obg, Marne por sua leitura e comentário.

Bjinho :)

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