Atlante

Lá longe ficou
o frio da serra,
e as gorjetas
de tantos horrores.
As tantas dores
e os indevidos amores.

Agora aqui,
tanta mágoa´
e esse barco/corpo
que náufraga.
O eterno temor
do sabido tumor.

Restaram-me
alguns versos,
alguns verbos
e mais substantivos
que adjetivos,
nas coisas que
escrevi
e não li.

As coisas
de sempre:
as esperas,
a tortura
das esperas;
a demora,
o bota-fora
e a não vinda,
por Culpa do Sistema,
senhor...
Senhor!?
Senhor de quê?
Da inútil quimera
e do Pesadelo
das utopias abandonadas....

Carrossel sem fim,
de coisas assim.
As insônias sem fim,
por coisas assim.

A dor logo passa.
Creio na graça
de Iemanjá, dos Orixás
e da Santa Morfina,
por quem rezo
em surdina.

Não sei o fim
dessas latinas lendas,
perdidas nas gregas
calendas.

Poços ficou distante.
E é tão inútil
qualquer Rocinante
que eu nem vi
o mar de Atlante.
Findou o rio que
eu navegava,
mas o mar de Platão
não estava.

Perdido mar Perdido.
Como um "Si" em
sustenido,
ao longo desse
parto
invertido.

Submited by

Viernes, Mayo 6, 2011 - 01:09

Poesia :

Sin votos aún

fabiovillela

Imagen de fabiovillela
Desconectado
Título: Moderador Poesia
Last seen: Hace 9 años 30 semanas
Integró: 05/07/2009
Posts:
Points: 6158

Comentarios

Imagen de MarneDulinski

Atlante

Lindo e triste texto, gostei, porque tudo na vida tem solução, enquanto houver vida!

Minhas orações para o personagem do texto!

Um abraço,

Marne

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of fabiovillela

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Videos/Poesía As Cidades e as Guerras - A Canção de Saigon 0 19.246 11/20/2014 - 15:05 Portuguese
Videos/Poesía As Cidades e as Guerras - A Canção de Bagdá 0 22.059 11/20/2014 - 15:02 Portuguese
Videos/Poesía As Cidades e as Guerras - A Canção de Sarajevo 0 18.797 11/20/2014 - 14:58 Portuguese
Poesia/Dedicada Negra Graça Poesia 0 5.657 11/20/2014 - 14:54 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Final - O Contrato Social 0 8.075 11/19/2014 - 21:02 Portuguese
Poesia/Dedicada A Pedra de Luz 0 6.432 11/18/2014 - 15:17 Portuguese
Poesia/Amor Chegada 0 4.839 11/16/2014 - 15:33 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XIX - A Liberdade Civil 0 8.254 11/15/2014 - 22:04 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XVIII - A teoria da Vontade Geral 0 9.883 11/15/2014 - 22:01 Portuguese
Poesia/Dedicada Partidas 0 6.176 11/14/2014 - 16:13 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XVII - A transição para a Liberdade Civil 0 8.768 11/14/2014 - 15:06 Portuguese
Poesia/Amor Diferenças 0 4.020 11/13/2014 - 21:25 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XVI - A Liberdade Natural 0 6.503 11/12/2014 - 14:46 Portuguese
Poesia/Amor Tramas 0 4.059 11/11/2014 - 01:47 Portuguese
Poesia/General A mulher que anda nua 0 6.236 11/09/2014 - 16:08 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XV - Emílio e a pedagogia rousseauniana 0 12.112 11/09/2014 - 15:21 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XIV - A transição para o Estado de Civilização 0 8.444 11/08/2014 - 15:57 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XIII - O homem no "Estado de Natureza" 0 7.299 11/06/2014 - 22:00 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XII - As Artes e as Ciências 0 6.246 11/05/2014 - 19:47 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XII - A Religião 0 13.617 11/03/2014 - 14:58 Portuguese
Poesia/General Os Finados 0 4.026 11/02/2014 - 15:39 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte XI - O amor e o ódio 0 7.536 11/01/2014 - 15:35 Portuguese
Poesia/General A Canção de Bagdá 0 5.252 10/31/2014 - 15:04 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte X - As grandes linhas do Pensamento rousseauniano 0 6.667 10/30/2014 - 21:13 Portuguese
Prosas/Otros Rousseau e o Romantismo - Parte IX - A estada na Inglaterra e a desavença com Hume 0 8.583 10/29/2014 - 14:28 Portuguese