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Em Viagem

Em Viagem

Ia o vapôr singrando velozmente
O verde mar antígo e caprixoso,
Á rude voz do capitão Contente, -
Um rubro homem do mar silencioso.

Demandava a Madeira, - a ilha bella,
A patria excelsa e celebre do vinho,
A viagem foi curta; e no caminho
Intentei relações com Arabella.

Arabella era a lyrica ingleza,
Loura, pallida e fragil como um vime,
Que traz sempre a sua alma meiga presa
D'algum amor profundo, mas sublime.

O londrino, o Antony d'esses amores,
Era um rubro e excentrico burguez,
Mais amigo do bife que das flores,
- A extravagancia de chapeu inglez,

Seu olhar dubio, incerto e traiçoeiro
Tinha visões de sangue derramado
Em toda a parte; ao todo um ex-banqueiro,
- Um calvo, velho amigo do Peccado!

Nunca o olhar fitava em sitio certo; -
Vogava ás vezes só no tombadilho,
Com um comprido e merencorio filho,
E ninguem viu-lhe um riso franco e aberto.

Punha, ás vezes, no mar o olhar sombrio;
E ao vento, a fita branca do chapeu
Dir-se-hia a vella triste d'um navio
De naufragos, n'um lugubre escarceu!

- Mas comtudo, a ingleza, a triste amante
Com seus longos e louros caracoes,
Fitava ás vezes no azul distante,
Seus olhos divinaes como dous soes.

E, mau grado andar languida, doente,
Ser branca, loura, e fragil como um vime...
- Um sabio lêra-lhe a attracção ardente
Pelas virís fascinações do crime.

António Gomes Leal

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quarta-feira, abril 1, 2009 - 02:53

Poesia Consagrada :

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