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"ÉS COMO A FIGUEIRA ESTÉRIL!"

I

Em noite de lua plena
vieram segredar-me as falenas:
"Tersa voltou!" "Tersa voltou!"
E os pés desobedientes
seguiram o coração!

De repente voltaram-me as asas,
a aura dos sonhos,
a lira de prata
e a pena dos versos.

Os ecos das montanhas
sussurraram abismados:
aonde andava Ácquila?
Porque agora voltou ?

O Sol brilhou surpreso,
arregalando os olhos
de tão estupefato,
por rever o velho amigo.

As estrelas espiaram
das janelas de seus quartos,
e o boato do retorno
desconheceu os anos - luz...

De repente fez-se silêncio:
de expectativa, de espera,
de torcida,de bons votos,
de esperança...

E o topo do velho carvalho
como palco de ópera intensa,
ao redor de si concentrava
o Universo de seres e astros.

II

ACQUILA: Sentado no velho carvalho,
eu toco minha Lira de outrora,
dizei-me, perfeita Senhora,
O Lírio do vento ainda vive?

TERSA: Indagas por versos de outrora,
mil versos vividos, gravados.
Só eu os conheço porque
os trago no meu coração
com dor, com tristeza e desgosto.

São, nada mais do que versos.
Canção para distrair,
choramingo pueril,
pílula dourada!

ÁCQUILA: Se são fantasias meus versos,
canção, choramingo pueril;
porque os guardaste consigo
desde aquele maldito Abril?

TERSA: Pra dizer-te em um último verso,
que a mim nenhum fruto trouxeste,
és estéril tal qual a figueira
que, podendo, nenhum fruto dá.

Descobrindo o véu,disse isso,
puro véu de uma primeira lã;
e me olhou com os seus sóis de outono,
tão austera que desconheci
quem outrora eu amara primeiro!

Me caíram a aura e as asas,
minha Lira se desafinou,
minha pena levou-me o vento
e meu rosto, de réu, se tornou!

Outra vez me fitaram seus olhos,
'nunca mais', 'nunca mais' - me disseram;
e os meus ombros, curvados, pesaram;
com o jugo que agora carrego!

Como aquele que encerra a cena,
no escuro, deixando o palco,
recolheu os seus raios, bom Hélio,
na cortina de rápido eclipse,
me poupando o vexame Astral.

Quando a Lua voltou a olhar-me,
a Senhora já tinha ido embora.
O silêncio, outrora de espera,
meneou a cabeça e partiu!

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quarta-feira, dezembro 21, 2011 - 02:54

Poesia :

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Chico Costa

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Comentários

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Não pude ficar em

Não pude ficar em silêncio.

Levanto-me e aplaudo, em pé, na 1ª fila.

Um abraço Chico Costa.

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