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Há um vão à minha espera

Há no céu um arco sem flecha, flácida premissa a espera,
Falácia do engano o desejo, como se fosse um falso abraço,
Me trocassem p'lo baço o coração vencido, dormente
E a sensação de ter me perdido pra sempre, preenchido a ar,

A cruz é sólida, sofro amargo de boca, constante o ruído,
Como quem ergue um muro e a terra estremece, sobe
E eu murmuro às sombras que me escurecem, pergunto.
Pronúncio mal avindo num vazio vizinho vão de astros,

Há um véu cor de noite pra onde quer que olhe,
E um horizonte estéril de pontos em cruz pra'onde,
Minha viagem será feita pondo de parte distância
Ou o tempo, tamanho não é constante, é suposto

Completar-me do real não o oposto, perfeito o amor
Do próximo, não a perfeição do amor-perfeito, mediático,
Genérico e paisagem lunar, chamo-lhe consciência
Figurativa a duas dimensões, antes do passo seguinte

E depois de dois dedos de conversa em que me rendo
Ao silêncio, falando apenas com os meus dois botões,
Sem obter resposta, afinal é obvio, em tod'o caso
Desminto o privilégio de ter sempre razão, divago,

O réu nem sempre é culpado, o cérebro queixa-se
Que sou fraco mas pessimismo não é pecado da mente,
È só meu e totalmente eu,- quão pobre é a realidade
E o sonho injusto, quanto à morte não deveria ter vivido,

Há um véu na minha frente, é o Agosto das minhas
Acções, nem lembro de ter uma alma no meu interior
Rosto e a sensação de que vivia í preso em paz,
Sossego, s'pectador assíduo dum filme demais visto.

Há um vão à minha espera, visível só quando tomamos
Consciência dele, a sensibilidade é uma bênção para
A cegueira pura, eu sou dos que sentem sem ver,
Embora veja também com o sentir do pensamento.

Joel Matos ( 24 Junho 2021)

http://joel-matos.blogspot.com
https://namastibet.wordpress.com
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quinta-feira, junho 24, 2021 - 15:49

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