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O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

(Páscoa Feliz a todos)

Imagino-me por aí
Fermentação do pão através de uma simples oração
Fecundando os céus
Louvando aos Deuses a tua passagem negra e triste
Acendendo a sagrada obliquidade
E invertendo o brilho da esfera que a circunda

Encontro-me por aqui
Consumida por mil cores que me desfloraram
Enquanto miragem pura e simples na continuidade de um mundo que já não é meu

[i](Imaginei-me sempre nos braços teus… caídos
Em jeito de me alcançar breve
Muito breve foi a minha passagem)[/i]

Tão breve, que me suspendi na atmosfera, livre de qualquer movimento circunspecto

Mas tu, leve por tão leve seres
Não me viste sob a perplexidade do teu olhar difuso
Ameaçador de um tempo nosso
Que me deixei cair de bruços… Simulacro de imagens outras
Esperando em vão que me ouvisses num choro quente, calmo
Li-qui-di-fi-can-do a carne e oxidando as correntes
Que me cunhavam o peito quando te via passar por entre os meus braços
E a morrer nas longínquas paragens

Serei outra
Serei eu
Serei tudo o que quiseres, num abraço solto
Daqueles muito teus que me serviram de ponte até à outra margem
Onde fiquei a morar no eterno que me tem desde que o mundo se foi

E porque ter-te um momento no tempo que passou, é:
Tão quente
Tão forte
Tão teu
Tão meu
Tão nosso
Que me vejo ir por não querer ficar nesse teu mundo que me abandonou

Dormentes, enlaçamos casualmente as mãos até ao fim que nos aclamou:
Firmes na leveza de um mesmo tempo circunscrito
Miserável de predicados meus

[i](Saí de cima de mim
Fixei-me em ti por me sentir tão frágil
Tão levemente assinalável no teu colo)[/i]

E assim…
Deixei de ser menos eu
Menos tu
Menos nós
Num tempo que se anulou e não distinguiu os movimentos cinzelados pelo medo
Demarcando para sempre um tempo incerto, longe de um todo memorável
E a terra foi revisitada de calor, de frio de gestos num movimento circular
E de tudo o que o amor inventou, para nosso bem maior

Foi a extensão de um momento inexacto que nos aproximou
E se quebrou

Submited by

quinta-feira, abril 1, 2010 - 17:51

Poesia :

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ÔNIX

imagem de ÔNIX
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Comentários

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Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos Para Todos

Os meus agradecimemtos a todos os que leram e comentaram

beijos

imagem de Henrique

Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

Que me deixei cair de bruços… Simulacro de imagens outras
Esperando em vão que me ouvisses num choro quente, calmo
Li-qui-di-fi-can-do a carne e oxidando as correntes
Que me cunhavam o peito quando te via passar por entre os meus braços
E a morrer nas longínquas paragens...

Simplesmente genial!!!

Bela passagem poética!!!

:-)

imagem de jopeman

Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

extraordinário

felizmente a qualidade de um poeta não se mede pela quantidade de comentários. Adoro-te desde a primeira linha à última que me deixes ler.

bjo enorme

imagem de Librisscriptaest

Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

"Imagino-me por aí
Fermentação do pão através de uma simples oração
Fecundando os céus"

Eu tenho a certeza q a presença de uma alma como a tua só pode ser um presente dos céus! Porque qd te leio sinto-me, sem duvida, mais perto do etéreo!
Beijinho em ti minha querida Onix!
Uma páscoa à altura da doçura dos teus sonhos!

imagem de NelsondePaula

Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

Maravilhoso texto, repleto de emoção.

imagem de LilaMarques

Re: O Tudo e o Nada em Movimentos Circunspectos

Ônix, minha querida,

Este teu escrito é de uma beleza ímpar! Faz-me caminhar por entre esferas de luz que se fazem presentes para além da luz física a qual somos capazes de ver! Viajo em luzes que sinto e fortalecem meu peito. É lindo. Só posso dizer-te que o que sinto ao lê-lo é lindo.

Um beijo deste lado do mar e tão próximo desta luz.

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