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EME

“Acordo. Visto um vestido “cai-cai” vermelho bastante justo. Começo a maquilhar-me. "Tanta produção para apenas mais um dia de escola" -penso, mas não paro o que faço. De seguida, encontro-me à beira de um lago. Não sei como vim aqui parar, não sei onde estou, mas também não me importo muito com esse detalhe. Observo a água límpida, cristalina, até mesmo apetitosa e acabo por beber um pouco dela a fim de me refrescar.
De repente, toda aquela beleza campestre começa a desabar, surgindo dois seres que me hipnotizaram assim que os vi. O homem, alto mas cheio, bem vestido, com barba desfeita, bastante pálido, o que o fazia parecer um anjo descido do céu. Já a mulher, morena, cabelos negros, olhos castanhos com uma túnica, dando-me a sensação de que tudo ficaria bem com a presença deles perto de mim.
Olho para o céu. Observo algo estranho, ou então nem tanto assim. Encontro na imensidão do azul que nos cobre, o Sol e a Lua, que parecem querer dizer-me algo, mas que por algum motivo não conseguiam. Tento falar com o casal, mas estes estão quietos, calados como se estivessem a pensar. Seria algo sério pelas caras deles. Nenhum emitia um sorriso, uma cara de aborrecimento, uma réstia de tristeza. Nada! Estavam concentrados, pareciam estar a avaliar os riscos de avançarem ou não para mim. Apercebo-me então que o par não tinha os pés assentes na terra como todos nós. Começo a respirar aceleradamente, não me conseguindo controlar. Onde estava? Será que eles eram boas pessoas? Porque é que este dia não era tão monótono e chato como todos os outros? Tinha medo de morrer sem ter feito uma serie de coisas: ainda não tivera um namorado a sério; ainda não fora para a universidade; Ainda não me havia casado. Ah, como queria a minha vida monótona de volta. Tremo por todo o lado. Percebo então que me estou a descontrolar. Por consequência destes sintomas de nervosismo, sou obrigada a deitar-me sob a terra suja, imunda para poder lutar, ou pelo menos tentar lutar pela minha vida. E claro para saber quem aqueles senhores eram.
Os senhores que pareciam anjos, aproximam-se de mim. Eu grito mas não consigo ouvir nada. Não tenho voz. Perdi a voz? Tento levantar-me, mas não resulta. Sinto como se me prendessem ao chão com linhas invisíveis e com umas mãos a tapar a minha pequena boca. O casal continua a avançar para mim. Tento sair dali. Contorço-me toda para me desprender do que me estivesse a prender. Mas não resulta! Não quero morrer, mas começo a entrar em pânico. É então que eu grito e uma luz intensa, brilhante interpela pela minha voz e por mim, fazendo com que as duas pessoas paressem o que estavam a fazer. Pelo menos, durante alguns momentos. Então, a mulher sorrindo diz-me:
-Estás pronta criança! Está na hora de assumires o teu papel. Procura as respostas que precises no elemento mais abundante do planeta a que chamas casa!
E desaparecem! Somem da minha vista. Já consigo falar normalmente, e também levantar-me. Estou calma. É então que volto a mudar de cenário. Vejo um rosto reflectido na água. Quem é? Eu não sabia. Estava a ficar mais nítido e nítido, até que..."
"Voltei a sonhar com coisas deveras estranhas" -Pensei eu.
-Beatriz! Filha, já estás atrasada. -A minha mãe, a senhora Elza Carvalho, mesmo a gritar tinha uma voz bastante suave.
-Já estou levantada! Escusas de gritar. Daqui a cinco minutos eu desço.
Todos os dias eram assim. Havia sempre uma “discussãozinha” pela manhã. Se não, não era o mesmo. Hoje, estava muito cansada, o sonho desgastara-me mais do que pensava. Mas, não tinha tempo, nem queria pensar num sonho parvo, e decidi deixar esse assunto de lado. Mas, pelo sim, pelo não decidi escrever o que a mulher me disse no sonho. Quando tivesse tempo, iria pesquisar na internet. Estava muito intrigada. Nunca gostara de ter sonhos assim. Até pareciam que eram premonitórios.
"Será que era alguém a querer mandar-me uma mensagem? Mas há telemóveis. Que coisa!" -Pensei novamente eu.
Vesti uma saia de ganga, bem justinha. As minhas amigas tinham razão. Eu estava diferente; o meu físico já não era mais de menininha. Mas eu continuo a achar-me nada em comparação a elas. Eu não tinha curvas, tinha pouquinhas. Não era bonita, e não gostava de me arranjar. Não tenho a culpa. Vesti também uma camisola vermelha, para combinar com os meus sapatos de salto alto em cunha mas que me conferiam um andar bastante confortável. Então, para terminar vesti uma camisa de manga curta amarela, com bastantes botões (a minha camisa preferida) que combinara com os brincos, colar, pulseiras, anéis e até relógio que usava. O cabelo deixei-o caído sobre os ombros, tendo hoje umas madeixas que chegavam a parecer azul, para quem olhasse bem.
Peguei numa maçã, o meu habitual pequeno-almoço, nas chaves do carro e saí de casa. Voltei atrás para buscar os livros e dar um beijo de "até já" à minha mãe. Tinha de conferir as coisas duas e três vezes. Esquecida? Sim, sou eu, sem dúvida. Chegava ao ponto de colocar algo na cama, para ver se não me esquecia. Depois ia fazer outras coisas e quando me lembrava da coisa em cima da cama, essa coisa já não estava lá. Apesar de conferir, havia sempre algo de que me esquecia. Esquecera-me da minha agenda. Tinha de voltar atrás. Não sobrevivia sem ela. Enquanto estava a conduzir, fiz uma curva com tamanha velocidade. Tomei esta reacção imprudentemente. E se viesse um carro na direcção contrária? E realmente vinha alguém na outra faixa. Mas o condutor que conduzia na outra faixa travou antes que algo acontecesse. Ele ficou a uns vinte metros de mim.
"Como é que ele sabia que eu iria fazer aquilo?" -Achei estranho, mas não liguei. Continuei a minha manobra e quando passei por ele, uma sensação de "Dejá-vu" assombrou o meu coração. Eu conhecia o rapaz. Era da minha idade aparentemente, mas não sabia donde é que o conhecia. Apesar de não o conseguir ver bem, ele até que se parecia com aquele reflexo que eu tentava ver melhor no meu sonho. Decidi ignorar este pressentimento e fui buscar a minha agenda.
Já no carro outra vez, que era em tons de azul, dirigi-me para a escola. Eu sei! Eu amo azul: Azul, azul-marinho, azul-turquesa, azul bebé...todos os tipos de azul. Esta cor é a perdição de qualquer pessoa da minha família. Era uma espécie de tradição que passava de geração em geração. Mas nem era preciso comentar-mos com ninguém, porque todos os que nos conheciam, sabiam que a nossa cor predominante era o azul.
Cheguei à escola, finalmente. Enquanto procurava estacionamento, encontrei o carro com o qual ia quase chocando. Mas o condutor não estava junto do carro.
"Estaciono junto dele ou não?" -Teria que ver se o meu pressentimento estava certo. Sinto então uma vozinha na minha cabeça a dizer-me constantemente para não fazer isso. Achei que fosse a voz da consciência e decidi arriscar, pela primeira vez. Nunca fui de arriscar, sempre tomei decisões após meditar muito sobre o assunto. E desta vez, apenas demorei alguns segundos a decidir algo. Este dia estava cada vez mais estranho. Sentia-me muito bem comigo mesma. Era bom fazer algo não programado. Sentia-me diferente do que os outros dias, mas era um bom diferente. Queria conhecer o rapaz que previu os meus movimentos nada elegantes que tive anteriormente ao volante. Mas algo me dizia que era melhor não. Ao sair do carro, o habitual pessoal que andava comigo, chegou-se logo a mim. A meu ver pareciam pessoas sem vida, desejando ficar com um pouco da vida dos outros que a aproveitam. Estavam sempre a cochichar sobre quem beijou quem e quem chorou por causa de quem. Segui em frente, sem dizer praticamente nada. Disse-lhes bom dia apenas para não ser considerada rude. Sabia que eles esforçavam-se bastante na nossa amizade, mas eu não queria aquele trabalho todo por minha causa. Estava incomodada com o facto de eles terem tanto trabalho por minha causa. Nunca quis preocupar ninguém, por isso guardava todos os meus problemas, pensamentos e sentimentos apenas para mim, e para mais ninguém. Continuei o meu caminho sem comentar o que as pessoas me diziam. Acho que eles me consideravam muito estranha, anormal até. Nunca tivera uma conversa longa com ninguém.
Sentei-me na "minha" habitual mesa, a ler um novo romance, que era o best-seller nos Estados Unidos, até que tanto alarido desconcentrou-me. Decidi parar a minha leitura deveras interessante. Eu era capaz de devorar um livro no espaço de um dia. Então vi um aglomerado de adolescentes histéricas com as hormonas aos saltos, que rodeavam um rapaz.
"Ah, é apenas um rapaz" -Pensei. Que ignorante que sou. Um rapaz era dos únicos motivos para criar aquela algazarra naquela escola, assim como em todas as outras. Regressei à minha leitura recreativa. O rapaz olha intensamente para mim. Mas eu não reparo. De repente, sinto a minha cabeça a rodar, como se alguém a puxasse com a maior das delicadezas. O que se passava? Não sabia, mas deixei de retaliar contra este movimento da minha cabeça. Não conseguia parar o movimento, por isso se eu não conseguia evitar esse movimento, decidi mover a minha cabeça por mim mesma. Quando paro de rodar, olho para o rapaz que provocou tanta confusão. Julguei que ele desviasse o olhar. Mas não desviou, por isso desviei eu. Mas a tentação era maior. Voltei a olhar para ele. Aquele corpo bem definido, magro, de cabelo castanho a caminhar para o dourado; olhos de mel que me deixavam trémula. Aquele olhar que ele deitava sobre mim era tão intenso que eu tive de me agarrar à mesa para não cair. Parecia que não existia mais ninguém naquele momento. Apenas nós os dois naquele lugar onde não tinha nada, apenas duas pessoas inebriadas pelo olhar um do outro. Era uma sensação espectacular.
É então que ele começa a caminhar na minha direcção.
“Não deve ser para mim”-Pensei.
Ele sorri. De imediato percebo que era mesmo comigo que ele vinha ter. Aquele sorriso brilhante, constrangedor, hipnótico fez com que eu suspirasse, apesar de nenhuma das pessoas presentes ter reparado.
“Ainda bem!” –Surgiu na minha mente, fazendo com que eu sorrisse involuntariamente para o individuo que caminhava até mim.
Continua a andar na minha direcção. Pé ante pé, com um sorriso confiante e um olhar tão lindo, mas tão misterioso ao mesmo tempo. Apenas tive tempo de pegar no meu romance e continuar a ler, ou pelo menos fingir. Tanta vez que li a mesma frase, e continuei sem perceber onde é que ela se encaixava. Queria ver como estava. Será que estava corada que nem um tomate? Será que tinha algo escrito na testa? Mil e um pensamentos passaram pela minha cabeça. Estava tão próximo, mas tão longe. O que lhe iria dizer? O que é que ele queria de mim? Ah, nunca nada deste tipo me tinha acontecido antes.
Não aguentei e agarrando no meu livro e na minha mala abandonei a sala de convívio sem nunca olhar para trás. Fiquei à porta da sala de aula à espera que o som estridente da campainha soasse, mas parecia que estava a demorar uma eternidade. Sempre que alguém passava por mim, olhavam para mim como se me dissessem que eu era uma croma, porque estava ansiosa que as aulas e os professores chegassem para dar um pouco mais de graxa. Mas eu não me importava com isso, só queria que este dia terminasse sem mais qualquer encontro com aquele rapaz tão misterioso, mas tão atraente que chegara naquele dia. Chegou então o professor Xavier, de português, o meu professor favorito. Ele era um quarentão, mas bastante atraente. Andava sempre a sorrir-me, mas quando eu não estava a olhar, sentia-me observada, como se alguém me mantivesse debaixo de olho. Mas depois pensava que aquele meu professor não podia ser o detentor daquele olhar. Entrei apressadamente na sala ocupando imediatamente o meu lugar e segundos depois entra um rapaz, mas o problema é que não era um rapaz qualquer, era O rapaz. Não era possível!
 

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terça-feira, março 8, 2011 - 21:58

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