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Historia de uma flor amarela e de um poeta


I - O dia começava a abrir no firmamento. A noite tinha-se retirado cansada, abrindo a boca, e o Sol de cara lavada e sorriso fresco, começava a romper por entre algumas nuvens que o tentavam, para uma brincadeira ao esconde-esconde que o Sol não estava muito disposto nesse dia. Cá em baixo, o jardim começava a levantar-se. Os cisnes penteavam impávidos, as suas penas, enquanto os pardais saltavam já de galho em galho, alegre e barulhentos, chilreando bons dias para cá e para lá, como se fossem donos de tudo.
Mais abaixo, nos canteiros, as margaridas e os girassóis abriam-se ligeiros, emprestando aos meninos que iam aparecendo, umas faces mais rosadas, e às avós que os olhavam e lhes seguravam as imprudências, uma paz mais cor de Primavera, que lhes ficava tão bem por baixo dos chapéus de palhinha com fitas de seda.
De súbito todo o jardim se alvoroçou. As magnólias e os malmequeres, juntaram-se com o medo, as rosas que se tinham distraído com um par de namorados, tiraram o seu ar de Cupido, e até os pardais subiram aos galhos mais altos, ficando prontos a sair dali. Tinha chegado o Rufino. A galinha Zefa, chamou quase em pranto os pintos, pois sabia o que tinha acontecido a dois deles, por não ter acreditado nas histórias que tinham contado do petiz.
Rufino chegara. Na mão, uma bela bola de plástico vermelha e azul, e à cintura a fisga, a mesma que aleijara um belo rouxinol, que desde aí, nunca mais viera cantar ao jardim, onde durante tantos dias, Geninha, a mais linda cotovia da cidade o esperava e o ouvia encantada, apaixonada daqueles trinados.
Claro que todos os meninos e avós, que se sentavam nos bancos do jardim não percebiam toda a correria e aflição dos habitantes do jardim. Uma vez, Mestre Mocho que percebia muito de leis, propôs fazer queixa no tribunal, mas tanto o ganso Gilberto, como a Lóló tinham sido corridos de lá à vassourada por um senhor de fato preto, que se indignou com a sua presença na sala. Não, ninguém os percebia, e assim até já tinham pensado em fazer greve, para mostrar como estavam zangados, mas nem assim dera resultado.
Com todo este alvoroço, ninguém tinha dado pela chegada de uma personagem nova ao jardim, mãos atrás das costas, uma pasta, não igual àquelas que alguns carregavam à hora do meio-dia, quando o Sol está bem alto iluminando tudo, mas diferente, cheia de papel branquinho e com dois lápis bem aguçados.
Mirando tudo, olhando cada flor, cada galho, cada bichinho, como se só ele existisse, e depois sentou-se no ultimo banco do jardim, defronte da flor mais pobre do jardim, que por sorte ainda ali estava, esperando que o jardineiro, ou mesmo a gata Lóló a espezinhasse. Estranho este homem.
Ele sentou-se, mas antes ainda, tirou o chapéu a saudar a flor amarela, encostada a grande árvore que fazia a sombra agradável àquele banco.
- Bom dia minha flor.
- Vivo, que bom ter chegado, é novo aqui?
- Cheguei hoje, chamam-me poeta e vim ver o jardim, mas reparo que está tudo muito aflito, que há?
- Nem queira saber, chegou o Rufino, e quando ele chega, acaba-se a paz neste jardim.
Desculpa florzinha, mas parece que para nos entendermos melhor é bom nos tratarmos por tu, e que eu saiba o teu nome. Ou não queres confiança?
- De modo nenhum poeta, sinto-me muito honrada com a tua amizade. Eu chamo-me flor amarela, nunca me chamaram outra coisa, só se quiseres inventar outro nome, queres?
- Até que não é mal visto, ora deixa-me pensar. O Poeta levantou-se, coçou a orelha, olhou a flor que de pétalas espantadas o olhava, e de repente disse:
- Que tal,... Olhos de Sol?
- É bonito, mas é difícil de dizer, não achas?
- Que seja, mas para coisas com menos beleza, já vi palavras muito mais difíceis.
- Umh! Também acho, disse a flor, corando. O que lhe valeu é que ninguém nota isso nas flores.
- Pois minha estimada Olhos de Sol, vamos agora ao mais grave do assunto. Quem é o Rufino?
- Olha, tem menos dois palmos de caule que tu.
- De quê?!!!
- A flor olhou-o entristecido e perguntou: - Não me digas que não me consegues entender?
- Sinceramente essa do caule, não.
- Pois é, ou nós falamos a linguagem de vocês...
- Ah sim! Agora te entendo, perdoa a minha ignorância.
- Ainda bem que entendeste sem eu te explicar tudo. É que nós também não percebemos tanta coisa vossa, e ninguém nos explica...
- Por exemplo? Atalhou o Poeta;
- A vossa palavra poluição, nós sempre lhe chamaram egoísmo, morte.
- Como era bom que nós, os homens te entendêssemos, talvez estivéssemos todos muito melhor. Pois minha princesa, conta comigo para trazer à razão o Rufino.
- A qual razão?
- À vossa, evidentemente.
- Bonita conversa, resmungou uma voz grave e pesada por detrás do Poeta.
- Quem falou? Ficaste rouca, Olhos de Sol?
- Oh! Oh! Oh! Sorriu gravemente a mesma voz; não, não é a tua amiga, sou eu o Carvalho grande. Nem deste por mim, que sou vinte vezes maior que tu?
- Peço desculpa, disse respeitosamente a flor, não tive tempo de te apresentar o nosso avô.
- Muito prazer, disse embaraçado o Poeta. Afinal este jardim não é tão pequeno como eu pensava, tem o Mundo cá dentro.
- Essa agora não percebi, disseram em coro as plantas.
- Bem sorriu o poeta, o que eu quis dizer...
- O que quiseste dizer, foi que a poesia é viva aqui, não é? - Grasnou o Gilberto que corria para ali.
-Muito bem, disse o poeta, que inteligência, como te chamas?
-Gilberto, pato bravo, manso de coração.
-Tens coração?
-Não me chamo Rufino, respondeu indignado.
-Que sensibilidade, todos vós estais assim cientes do que sois?
-Temos tarefas definidas, sabes? Aqui no jardim, contribuímos uns para os outros, sem precisar de outro governo que o Sol e a Chuva, a Noite e o Dia, às estações do ano. O que queremos é a felicidade do mundo, porque é assim que aprendemos a ser felizes. Felizmente ninguém quer ser Rufino entre nós, porque só tem valor o que cada um dá, e nenhum, o que se faz em prejuízo dos outros.
-Bravo, aplaudiu o Carvalho, belo discurso esse, saído das tuas penas, de dentro delas.
-Mas enquanto estamos nós aqui muito palradores, estão as nossas amigas aflitas do outro lado, olhem como a bola as estraga. E o pardalinho a fugir.
-O poeta que tinha estado com muita atenção à conversa, levantou-se e disse:
-Eu vou tratar de pôr aquele na ordem.
-Como vais fazer?
-Assim não queremos, disseram todos.
-Talvez, uma estalada?
-Idiota, disse o Gilberto. Nós não queremos que o trates mal, como ele nos faz.
Nós queremos o Rufino nosso amigo.
-Então?
-Então, dizemos nós. És tu poeta...
-Digam lá então?
-O que queremos é que vires toda a energia e alegria do Rufino a favor do Mundo, que lhes digas que nós também temos coração.
- Como estou longe da minha poesia, murmurou para si o poeta, com um olhar tão triste que comoveu toda aquela vida que ali se encontrava.
- Se te encontras tão triste, é porque agora te dás conta da tua pobreza, disse o Carvalho, mas olha - continuou - nunca é tarde para começar. Repara que às vezes, é depois de uma flor secar, que crescem outras ainda mais bonitas, e afinal a poesia é um sonho que pode não ser tão real como nós queremos. No entanto é verdade a poesia, ou não estás a falar com a gente?
- Sim, sim - disse Olhos de Sol - tu és bom. Vamos é agora é resolver o que está mal, porque me cheira que amanhã vou abrir mais felizes as minhas pétalas.
- Totalmente de acordo - rosnou doce a Lóló - amanhã vai ser muito melhor, talvez até agora aceite casar com o Xavier, o gato que mora ali em frente.
- Peneiras, grasnou o Gilberto, peneiras, e afastou-se dando ao rabinho, vaidoso de tão branco que era.
- Não lhe liguem, disse o Carvalho, agora és tu Poeta.
- Fale avô, que quer que eu faça?
- Bem, nada como o mestre Mocho para te explicar. Vou mandar alguém chamá-lo.
Naquele instante passou a borboleta Conchinha, muito apressada para o almoço, e enquanto se afastava ia dizendo:
- Eu acordo-o, ainda me sobra um minutinho se eu for mais a direito.
- Obrigado querida - disse Olhos de Sol.
O Poeta sentou-se de novo. Pegou no papel e na caneta. Depois olhou para o jardim todo, sorriu à flor amarela, e começou a escrever:


Encontrei num pedaço de mundo
riqueza tão grandiosa
que se chama Natureza
perfeição harmoniosa.

A Flor que tinha aprendido a ler nos bocados de papéis que voavam pelo jardim, espreitou de soslaio aquela quadra, e disse-lhe:
- Desculpa, mas achas essa quadra gira?
- E tu, minha flor malandrinha, tinhas de espreitar o que estou a fazer?
- Não, mas como ouvi dizer que para os amigos não há segredos...
-Bem, eu também acho, mas a verdade é que ainda estava a trabalhar nisto.
- Ora, eu quando faço as coisas, tenho de fazer logo à primeira, e bem.
- Pois - comentou o Carvalho - é nisso que os homens são felizes. Têm dois poderes dados por Deus: - serem livres de modificar as coisas, e inteligência para saber usar esse poder.
- Então olha que o usam muito mal - comentou o mocho que entretanto chegara.
- Tens razão, professor - disse o corvo André que tinha vindo com ele.
- Bem, afinal porque é que me acordaram?
- Queria que conhecesses o poeta, ele está disposto a transformar o Rufino.
- Ainda bem. Mas digo-te, não é fácil. No entanto estou cá a pensar que poderemos confiar em ti. O problema do Rufino é falta de poesia. Achas que lhe podes dar da tua?
- Claro, a que for preciso.
- Mas tem de ser ele a aceitar - disse gravemente o mestre Mocho, e acrescentou
- Ele não sabe falar connosco, tens de ensiná-lo.
- Bem, vou pôr-me a caminho, até breve.

 

II - O POETA E O RUFINO
Rufino lá estava, olhos muito azuis, cabelo solto cor de avelã, faces afogueadas da correria. Saltava por tudo o que era sítio, com a bola ora nas mãos, ora nos pés, não dando importância onde ela fosse cair, se na cabeça da avó que se enganava a contar as malhas, se no cesto que vinha da praça. Rufino queria era saltar. De repente parou. Olhava muito interessado para o cimo de uma árvore, depois agachou-se, e pé ante pé correu para debaixo dela, retirando do bolso uma fisga. Um pouco mais, e lá iria outro passarinho.
O Poeta chegou perto dele, mas não se lhe dirigiu de imediato. Parou, pôs as mãos atrás das costas - como era seu hábito - e olhou profundamente para o miúdo. Era lindo o rapaz, e no entanto aos olhos daquelas flores, era o diabo em pessoa.
- Que pena não nos entendermos todos... Murmurou o poeta, olhos rasos de água. Ele olhou para o jardim, para os miúdos e depois pôs-se a pensar: Aquele rapazinho tão perfeito e cheio de energia de um lado; Uma Natureza que não fala uma língua, mas diz tanta coisa que nós precisávamos de entender, do outro
- Tenho de o fazer entender aquilo que Olhos de Sol me disse - disse o poeta, emocionado.
O Poeta dirigiu-se devagar ao Rufino. Quando mais uma vez chutava a bola, nem de propósito... Foi ter de encontro aos pés do poeta. Ele pegou na bola com as duas mãos, e bateu-a de encontro ao chão várias vezes.
- Passa, passa, dá cá!
O poeta calado, ouvia-o sem lhe prestar atenção.
- Eh pá! A bola é minha - gritava já o Rufino.
- Eu sei
- Então porque é que não m'a dás - gritava o Rufino, chamando a atenção de quem passava.
- Porque quero falar contigo.
- Comigo? Eu não o conheço. É polícia?
- Não, sou poeta.
- Ah! O que é ser poeta?
- É... ser poeta, amar as coisas boas e belas.
- Então eu também sou poeta, disse sorrindo o Rufino, e explicou - eu gosto de tudo o que é bom.
- Não me parece. Tenho de te explicar o que é amar uma coisa. Tu não sabes, pois não?
- Sei sim senhor.
- Então como é?
- Como gosto da minha mamã, por exemplo.
- Muito bem, que rapaz esperto. Afinal parecia que tudo se iria resolver em bem.
- Vá. Agora dá-me a bola, quero ir jogar.
- Rufino, os poetas são bem-educados.
- Mas quem lhe disse o meu nome?
- Foi a flor amarela lá de baixo.
- Quem?
- A flor amarela, chama-se Olhos de Sol, nunca falaste com ela?
- Com uma flor?
- Decididamente, és poeta ou não?
- Sei lá, estás a baralhar-me e a gozar comigo. Vá, dá-me a bola...
- Pois é. Tu não podes ser poeta.
- Porquê, só os crescidos é que podem ser? - Interessou-se de novo o miúdo.
- Não, podias ser já, mas para isso tens de amar as coisas bonitas, assim como fazes com a tua mãe.
- Mas eu gosto das coisas boas...
- Olha lá - sorriu o poeta - gostas deste jardim?
- Se gosto, venho para cá todos os dias. Quando chove fico tão triste.
- E já reparaste que quando há sol, e tu vens para cá, fica tanta gente triste?
- Como?...
- O jardim fica triste. Depois o poeta calou-se. Ficou a olhar o Rufino com muito amor, quase com as palavras na boca para um poema. Lembrou-se da conversa com aquela Natureza viva. Tudo era mais fácil se se dava amor a tudo o que se fazia. Como ele teria agido mal contra aquela criança, se aquele jardim não lhe falasse.
- Ouve lá senhor, tu falas com as flores?
- Falo, disse o poeta admirado com a pergunta, entendendo-a.
- O que é que elas te disseram de mim?
- Que tu as aleijas, não as respeitas e julgas que podes fazer o que queres.
- Mentira, gritou o Rufino.
- Rufino, pensa bem - disse o poeta meigamente - não vale a pena mentir.
- Eu não lhes faço mal, a bola é que salta para cima delas.
- E os pássaros que matas?
- Esses são para o lanche.
- Não tens coração, eles também gostam de viver, de lanchar, e ainda por cima não precisas desses lanches.
- Olha bem para mim, Rufino. Se eu que sou maior que tu, te quisesse lanchar?
- Rufino deu um salto para trás e disse: - Mas eu sou... uma pessoa
- E eles são pássaros e flores - atalhou o poeta.
- Até podes ter razão, mas nunca tinha pensado nisso.
Rufino continuava intrigadíssimo com a história do poeta. Como se poderia falar com as pessoas? Flores... Então perguntou outra vez?
- Poeta, eu posso falar com as flores? Ouvi-las?
- A verdade, é que cada um pode falar com elas, assim como quando gostamos de alguém e não é preciso falar, para entendermos o que nos querem dizer, basta um olhar, um sorriso. O que é importante é o que cada ser tem para nos dizer.
- Eu, se tu quisesses, ia falar com eles...
- E... o que é que lhes queres dizer?
- Não sei ainda bem, mas acho que é para lhes pedir desculpa de ter sido mau para eles e para os outros. Agora não há mais fisgas, e a bola de futebol só no campo.
- Então, vem daí amiguinho, nem sabes quanto todos vão ficar felizes. E muita atenção ao que te disserem.
- Ao quê?
- Espera já vais ouvir.

 

III - O REENCONTRO
A florzinha amarela tremia mais que as primas canas, quando dançavam ao sabor do vento. O Carvalho estava gravemente calado, o Gilberto com um ar de falsete escondido atrás do avô, cada um à sua maneira, via o Rufino aproximar-se, tal e qual a mesma energia de sempre, só que desta vez o poeta vinha a seu lado.
- Será que o poeta conseguiu?
- Tenho a certeza, disse Olhos de Sol, esticando curiosa as sua pétalas.
- Se fosse a ti esperava - disse o Gilberto. Ainda quero ver isto pior. Vocês confiam em humanos. Cá para mim, nada de misturas.
- Estás com muito medo. Que se passa?
- Sim - disse o corvo André - o Gilberto está pior que eles.
- Não percebo - grasnou o pato - afinal parece que se esqueceram do que passámos.
- Não, nós nunca esquecemos o que nos fazem, mas queremos ser felizes. E nada como sabermos da nossa missão e fazer tudo para realizá-la. Tu Gilberto, és como eles; tudo queres sacrificar ao teu bem-estar, mesmo a felicidade dos outros.
- Não sei se me convences. Avô, o que eu sei, é que estes últimos tempos foram demais. não sei se consigo encarar aquele malcriado; se ele não nos quer enganar.
- Ninguém nos vai enganar - disse a Lóló - vamos confiar no poeta, ele é bom e corajoso.
- Alto aí, nada de te intrometeres no meu romance - disse Olhos de Sol.
- Que é isso - sorriu o Carvalho - ciúmes?
- Não, mas... esta história é de nós dois e tem de continuar.
- Descansa, que eu já tenho noivo, ciumenta - ripostou a Lóló escandalizada.
- Além disso - disse o Mestre Mocho - esta história é de todos.
- Bem, bem. Isto são os nervos, vamos lá a acalmar que vem aí o Rufino e o poeta.
O Poeta aproximou-se, fez uma vénia, e depois disse em voz alta:
- Aqui está o Rufino.
Ninguém tinha coragem de responder.
- Afinal estás a enganar-me, desabafou Rufino assustado, eles não falam connosco.
- Já as olhastes? Percebes com os teus olhos? Repara no que cada uma tem de bonito dentro dela...
- é preciso isso tudo?
- É...
Rufino começou então a olhar à sua volta. Parecia-lhe impossível como nunca tinha visto assim as coisas. Estavam lindas as flores, todas elas tinham um perfume diferente, e de tons tão bonitos como nunca vira. Nem a Tia Tucha que toda a gente admirava, se vestia assim tão bem. Depois olhou o Carvalho, lembrou-lhe o Avô que estava em casa, forte e alto, abraçava-o com uma só mão. Reparou que num galho um rouxinol cantava e dançava, e pela primeira vez desde há muito tempo, não levou a mão à fisga, mas juntando-as, sentou-se no chão, ouvindo.
Esteve assim um grande bocado, depois levantou-se, despediu-se de todos e foi ter com a avó para regressar a casa. Eram horas de ir.
- Adeus poeta, tenho de ir.
- E então, falaste com eles?
- Muito. A flor amarela é muito simpática, e o Sr. Carvalho é muito boa árvore, e sabes, como é presidente do jardim, nomeou-me para uma missão.
- Qual?
- Ser poeta aqui do jardim. Mostrar a todos os meninos que venham aqui, o que tu me mostraste a mim.
- Que bom, vais aceitar?
- Claro. Agora até já sei melhor o que é gostar.
- O que é?
- É trocar o que gostamos, pelo que aprendemos a gostar com os outros; a deixar-nos de nós, como as sementinhas que morrem, para dar flores ainda mais lindas. Acho que aprendi poeta, acho que já sei amar melhor.
- Aprendeste muito hoje, agora vê se não te esqueces.
Depois o poeta sorriu-lhe, fez-lhe uma festa cheia de amor, e deixou-o ir, correndo para a avó, muito feliz. O poeta então, sentou-se, piscou o olho à sua Olhos de Sol e deixou-se ficar embevecido, escrevendo um poema lindo a falar de amor.


F I M

 


 

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quarta-feira, janeiro 26, 2011 - 14:11

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