Geremias

obrigado por tudo

obrigado pelas pétalas desta rosa que deixaste sobre mim

mortas e podres como eu

obrigado pela vida e pela morte também

obrigado

porque hoje sou mais do que fui ontem

hoje sou menos mortal e mais animal

hoje sei matar e cortar cabeças para as pendurar na entrada da minha alma

para que todos os infiéis saibam a quem devem respeito

todos os infiéis que habitam o meu corpo e que não pagam renda

todo eles

os bons

os maus

os gordos

os magros

os feios

os velhos

os novos

todos 

para que no fim acreditem em fim

porque nunca ninguém acredita em mim

porque eu nunca sei fazer nada

não sei fazer mortais à retaguarda

nem sushi

nem comer com os pauzinhos

e eles gozam

e por isso são mais do que eu

apesar de ocuparmos o mesmo corpo

e termos a mesma mãe que nos educou da mesma forma

mesmo assim

somos diferentes

temos sonhos diferentes e vivemos num mundo igual

talvez por isso nunca tivemos boas relações

mas hoje vão respeitar-me

e vão fazer-me vénias enquanto falo

e baterem palminhas 

palmas 

e palmadas até ficarem sem carne nas mãos 

baterem-me devagarinho nas costas sempre que eu chorar

rirem-se de todas as minhas piadas

e limparem-me as lentes até que eu veja alguém bonito

porque isto de bonito não tem nada

são todos tão feios

tão animais e selvagens

são todos tão como eu

só que diferentes

e hoje irei erradicá-los da minha alma

e tenho mesmo de te agradecer

obrigado morte

 

Carlos Leite,

http://opintordesonhos.blogspot.com
 

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Domingo, Julio 10, 2011 - 20:22

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Geremias/carlosleite

Lindo texto, mas muito triste!

Meus parabéns,

Marne

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